Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Sexta-feira 30 Outubro |
Santo Angelo de Acri
home iconAtualidade
line break icon

Argentina muda presidente do Banco Central em plena negociação com FMI

AFP PHOTO / PRESIDENCY / HO

Agências de Notícias - publicado em 26/09/18

Macri, um liberal de centro-direita, insiste em que a Argentina não pode gastar mais do que produz e prometeu zerar o déficit primário até 2019

A Argentina mudou, nesta terça-feira (25) o presidente do seu Banco Central, um movimento inesperado quando o país negocia com o Fundo Monetário Internacional (FMI) a ampliação de um empréstimo de 50 bilhões de dólares e em meio a uma greve geral.

Luis Caputo, que ocupa o cargo desde junho, anunciou sua renúncia – “por motivos pessoais”, de acordo com a declaração – quando o presidente Mauricio Macri está em Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU.

Em seguida, o vice-ministro da Economia, Guido Sandleris, foi nomeado em seu lugar. O economista trabalhou para o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento e conta com ampla trajetória acadêmica e uma passagem pelo FMI.

“O principal objetivo do Banco Central é reduzir a inflação. Trabalharemos para recuperar a estabilidade e a previsibilidade dos preços que a economia argentina tanto necessita”, afirmou Sandleris ao assumir nesta terça.

Até agora, a inflação argentina acumula 24,3%, uma das mais altas do mundo.

– Taxa de câmbio flutuante –

O novo presidente do Banco Central é considerado próximo do ministro da Economia, Nicolás Dujovne, que de Nova York o elogiou como uma “pessoa brilhante, preparada para exercer essa posição com enorme solvência”.

“A Argentina manterá seu esquema de câmbio flutuante, taxas de juros positivas para vencer a inflação e estimular a poupança em pesos”, disse Dujovne.

Gabriel Torres, da classificadora de risco Moody’s, considerou que a renúncia “abrupta” de Caputo “aumentará a volatilidade cambial no curto prazo” e que a Argentina precisa “da confirmação dos detalhes finais do novo acordo com o FMI” para acalmar os ânimos.

O Fundo disse nesta terça que espera manter a relação com o Banco Central da Argentina (BCRA), apesar da saída.

“Esperamos que nossa relação seja próxima e construtiva com o BCRA sob a liderança de Guido Sandleris”, disse o porta-voz do FMI, Gerry Rice, que garantiu continuar “trabalhando intensamente com o objetivo de concluir as negociações em nível técnico em muito pouco tempo”.

Macri se reuniu na segunda-feira com investidores e jantou com a diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde.

“A renúncia de Caputo deve ser analisada no contexto de negociação com o FMI. Ele defendia a necessidade de um aumento importante no montante da assistência e dos desembolsos, além de buscar maior flexibilidade para intervir no mercado cambial”, avaliou Matías Carugati, economista-chefe da consultoria Management & Fit.

Na noite desta terça-feira, a diretora-gerente do FMI Christine Lagarde afirmou que Buenos Aires e o Fundo estão fechando as negociações para acelerar o pacote de empréstimos.

“Estamos perto da linha de chegada em termos de um acordo revisado entre a Argentina e o FMI, que estará sujeito à aprovação do nosso Conselho Executivo”, disse Lagarde no Twitter, acrescentando que ela teve um “encontro muito bom” com o presidente da Argentina, Mauricio Macri.

A mudança na direção do banco levou a uma desvalorização de 2,15% da moeda, que terminou o dia cotada a 38,98 pesos por dólar. Hoje foi um dia de pouco movimento, já que os funcionários de bancos privados participam da greve geral.

No centro financeiro de Buenos Aires, apenas uma casa de câmbio está aberta, e há poucos clientes.

“O dia está morto, não acontece nada”, disse uma funcionária à AFP.

O peso perdeu mais de 50% de seu valor apenas neste ano.

– Greve geral –

As grandes centrais sindicais argentinas convocaram para esta terça-feira uma greve geral de 24 horas contra as medidas de austeridade e contra o acordo com o FMI. Essa é a segunda paralisação desde o apoio financeiro, em junho, e a quarta desde que Macri assumiu, em dezembro de 2015.

Sem transporte público, com as estações de trem e entradas de metrô fechadas, bem como muitas lojas sem funcionar hoje, os argentinos se mobilizaram em seus carros, e alguns, de bicicleta, pelas ruas de Buenos Aires.

Os sindicatos também pararam o tráfego aéreo, os fretes terrestres, os bancos e a administração pública, incluindo escolas, hospitais e universidades.

“O governo deve entender que não vão ser os trabalhadores que vão pagar pela crise, porque não fomos nós que a geramos. Nós não enriquecemos com a especulação financeira. Não somos nós que especulamos contra o dólar, mas nós somos aqueles que estão sofrendo a brutal desvalorização das nossas condições de vida”, disse a professora Erica Seiter à AFP.

– Inflação e desemprego em alta –

Com os índices macroeconômicos em declínio – uma retração do PIB de 2,4% para este ano e inflação projetada acima de 40% -, o humor dos argentinos está cada vez pior.

O desemprego continua a subir, com 9,6% na segunda metade de 2018, e estima-se que a taxa de pobreza que será anunciada nesta semana vai romper a tendência de queda.

Macri, um liberal de centro-direita, insiste em que a Argentina não pode gastar mais do que produz e prometeu zerar o déficit primário até 2019. Para isso, ele precisa que o Congresso, onde não tem a maioria, aprove o projeto de orçamento apresentado na semana passada.

A pressão dos sindicatos, que exigem reajustes salariais em linha com a inflação, é um dos principais obstáculos.

“Queremos uma mesa de diálogo com empresários e governo para discutir problemas como pobreza, demissões, alimentação e aposentadoria. Fazemos uma convocação para que o Congresso não vote o orçamento”, afirmou nesta terça o dirigente sindical Pablo Micheli.

(AFP)

Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • A Aleteia é publicada em 8 idiomas: Português, Francês, Inglês, Árabe, Italiano, Espanhol, Polonês e Esloveno.
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
TRIGEMELAS
Esteban Pittaro
A imagem de Nossa Senhora que acompanhou uma ...
Reportagem local
França: atentado na basílica de Notre Dame em...
Aleteia Brasil
O milagre que levou a casa da Virgem Maria de...
Philip Kosloski
3 poderosos sacramentais para ter na sua casa
Aleteia Brasil
Quer dormir tranquilo? Reze esta oração da no...
Reportagem local
Corpo incorrupto de Santa Bernadette: o que o...
OLD WOMAN, WRITING
Cerith Gardiner
A carta de uma irlandesa de 107 anos sobre co...
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia