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Ele morreu na gestação, mas suas cinzas foram eternizadas junto ao gêmeo vivo

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Sarah Simmons

Reportagem local - publicado em 27/09/18

A foto arrepiante vem acompanhada pelo depoimento avassalador da mãe dos meninos Tiger, que nasceu vivo, e Johnny, que não pôde ver a luz deste mundo

Cherie Ayrton é uma jovem mãe da Nova Zelândia que continua comovendo as redes sociais à medida que se espalha uma foto emocionante de seus bebês gêmeos: o pequeno Tiger nasceu em maio deste ano, mas, infelizmente, Johnny faleceu ainda antes de vir à luz, aos cinco meses de gestação. A foto que está arrepiando o mundo mostra Tiger unido simbolicamente às cinzas do irmãozinho gêmeo que não conseguiu sobreviver.

A imagem foi feita por Sarah Simmons, a fotógrafa previamente contratada para fotografar os recém-nascidos. Ela quis manter Johnny em uma das imagens e o comovente resultado tocou milhões de corações mundo afora.

Eis o extraordinário depoimento de Cherie, que já era mãe de duas menininhas:

“No dia 27 de dezembro de 2017 meu coração se partiu.
Eu estava com 5 meses de gestação e fui fazer um ultrassom dos meus gêmeos. Meu marido e nossas duas filhas estavam presentes. A médica disse que iria avaliar um gêmeo por vez. Ela começou pelo Tiger. Ele estava perfeito: saudável, com tamanho bom, coração batendo forte e se mexendo bastante no ultrassom! Em seguida ela foi avaliar o Johnny. Assim que a médica foi ver o Johnny, seu rosto mudou e seus olhos ficaram tristes. Eu sabia que algo não estava bem. Ela então começou a nos fazer perguntas como: ‘A sua gravidez foi por fertilização in vitro? Como você está se sentindo? Como foram seus últimos ultrassons?’. E eu respondi: ‘Não, não fizemos nenhum tratamento… Os ultrassons anteriores foram ótimos… Qual é o problema? Tem alguma coisa errada?‘.
Ela parou de fazer o ultrassom, olhou para nós e disse: ‘Eu sinto muito’.
Essas três palavras partiram o meu coração e mudaram a minha vida para sempre. O coração do Johnny não estava mais batendo e ele estava menor que o Tiger. Meu pior pesadelo tinha acontecido: um dos meus bebês tinha falecido antes mesmo de nascer. Eu me lembro que olhei para a doutora, que também estava grávida, e a vi profundamente triste por nós. Eu lembro que pensei que toda esta situação também deve ter sido horrível para ela. A doutora saiu da sala e nos deixou a sós, eu, meu marido e nossas filhas, para termos um pouco de privacidade diante daquela notícia terrível. Eu tentei me manter forte pelas minhas filhas, mas acabou sendo o oposto. Foi a minha filhinha de 5 anos quem ficou forte por mim. Eu senti que ela estava sofrendo; ela queria muito o irmãozinho. Mas a sua cabecinha estava preocupada comigo. Meu marido também ficou acabado. Nossas vidas mudaram naquele dia – o pior dia da nossa vida. Fomos então a outro hospital para entender o que aconteceria dali em diante. Eu comecei a ter muitas dúvidas e medos: ‘Será que eles vão tirar o Johnny? E o Tiger, será que eu vou perdê-lo também?’.
Fui para o outro hospital com muitas preocupações, ansiedade, tristeza e de coração partido. Consultamos um especialista. Ele não soube nos dizer o que tinha causado a morte do meu bebê. Ele também nos disse que tínhamos muita sorte porque eles eram gêmeos bivitelinos (quando os bebês não são idênticos), já que, se fossem univitelinos (idênticos), o Tiger também morreria. É que os gêmeos univitelinos dividem o saco gestacional, mas, no caso dos meus filhos, cada bebê estava no seu próprio caso gestacional; assim, a morte de Johnny não iria prejudicar o Tiger. Mas eu precisei manter o Johnny na minha barriga até o final da gestação, porque retirá-lo era um risco para a vida do Tiger. Durante os quatro meses seguintes, eu fazia ultrassons a cada duas semanas. Tive que ver o meu filhinho Johnny se ‘desintegrar’ aos poucos. Primeiro seus olhinhos, depois seu narizinho e seus lábios, tudo ia ficando mais difícil de ver. Seus dedinhos começaram a se fundir. Então chegou um ponto em que ele perdeu todas as suas características. Foi uma tortura. Eu sofria antes de cada ultrassom porque tinha medo do que iria ver. Mas também, por outro lado, eu via em cada ultrassom que o meu filhinho Tiger se desenvolvia mais. Ele se desenvolvia bem. E era uma mistura de sentimentos. Às vezes eu me sentia um caixão temporário. Às vezes, não queria que o parto chegasse, porque ele significaria que eu não ia mais ter o Johnny comigo… E eu realmente teria que dizer adeus. No dia 2 de maio de 2018, com 38 semanas de gestação, eu dei à luz.
Visualizar esta foto no Instagram.

Sitting here looking back on our photos of our sons birth. If a picture speaks a thousand words, then this one speaks a million. So many emotions inside of one photo 💔💔💔 #charliesface😢 #myjourney #myboys #myhealingheart

Uma publicação compartilhada por Mrs Feather Touch (@cherie_ayrton) em

Nós choramos, sorrimos, amamos e conseguimos passar uma noite com meus dois meninos juntos e a família ao nosso redor. Na manhã seguinte, o Johnny foi levado para o crematório.

As cinzas do Johnny chegaram no dia 7 de maio. Eu me senti aliviada por tê-lo comigo de novo, de alguma forma. Mas o meu coração ainda estava em pedaços. Eu me sentia vazia. Eu tinha tido um lindo menino, mas devia ter tido dois! Por que isso aconteceu conosco? Não era justo!

A fotógrafa que iria fazer o ensaio dos recém-nascidos, Sarah Simmons, me mandou uma mensagem dizendo que tinha uma ideia para fazer uma foto dos irmãzinhos juntos. Ela me perguntou se eu poderia levar as cinzas do Johnny para o ensaio do Tiger e eu aceitei.

Quando a Sarah me mostrou a foto que tinha criado, eu fiquei muito emocionada. Estou muito grata por ter essa foto tão forte e poderosa dos meus meninos juntos. Esta imagem significa muito para nós”.

O emocionante depoimento de Cherie tem uma finalidade especial. Ela acredita que não se fala o suficiente sobre os bebês natimortos e sobre o quanto esta situação é dolorosa para as famílias, e considera que compartilhar a sua dor pode ajudar outras pessoas a se sentirem melhor.

“Estou tentando aumentar a conscientização sobre esse tipo de perda. Por isso fico feliz de que essa bela imagem esteja sendo compartilhada. Talvez a minha dor possa ajudar outras pessoas. É uma jornada solitária se ninguém fala sobre isso”.
Sarah Simmons
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