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O que é abuso psicológico e como podemos detectá-lo?

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O abuso psicológico está aumentando. Aqui estão alguns sinais a serem observados

É bastante comum ouvir sobre casos de abuso doméstico e maus-tratos. Infelizmente, isso está crescendo, tendo aumentado significativamente no Reino Unido desde 2009 e também nos Estados Unidos. A comunidade científica também está começando a estudar mais a sério o tema.

Mas, nem todos os abusos são físicos, nem envolvem espancamento ou violência explícita. Há um tipo de abuso que é muito mais traiçoeiro, mais difícil de provar, e geralmente está na base de outros tipos de abuso: o abuso psicológico.

O que é abuso psicológico?

O abuso psicológico ou emocional é um comportamento perverso e destrutivo pelo qual um membro do casal controla o outro que é mais vulnerável.

A primeira característica desse tipo de abuso é que a relação entre o casal é desigual. Um é mais forte do que o outro e desempenha um papel mais dominante, enquanto o mais fraco perde gradualmente o seu senso de liberdade.

Portanto, a primeira característica é que não há igualdade nem respeito pela integridade do outro. Um dos dois tenta controlar o outro, restringir a liberdade, fazer com que se submeta. O outro, por medo ou fraqueza, acaba em um relacionamento cada vez mais sufocante e destrutivo. Muitas vezes, no final deste caminho, o abuso psicológico também leva ao abuso físico.

É verdade que homens e mulheres podem cometer abusos psicológicos, uma vez que ambos os sexos podem ter personalidades possessivas e manipuladoras. No entanto, as estatísticas indicam que as vítimas de abuso são principalmente mulheres, pois geralmente são a parte mais fraca do relacionamento.

O abuso está ligado a culturas ou épocas particulares? Não parece ser simplesmente um problema cultural: de fato, o abuso físico e emocional dentro do casamento não está vinculado a uma cultura ou classe específica, ou a casamentos jovens ou maduros. Nem é exclusivo para as mulheres.

O mais preocupante é que, atualmente, no momento em que os direitos e a dignidade das mulheres são um bem social aceito e explicitamente promovido, o abuso não diminuiu. Pelo contrário, entre jovens e adolescentes, em uma geração que cresceu educada na igualdade de direitos entre homens e mulheres, é cada vez mais comum encontrar casos de abuso físico e psicológico, violência sexual, humilhações nas redes sociais e todo tipo de chantagem.

Quando o abuso começa: primeiros sinais de alerta

Quando o abuso é detectado? Antes de ser mergulhado em uma espiral de abuso psicológico, você pode detectar “coisas estranhas” já no estágio de namoro. Estas devem ser um sinal que lhe diga para pressionar o ‘Pausar’, ou mesmo para acabar com o relacionamento.

O abuso psicológico ocorre na primeira fase do relacionamento e é gradualmente estabelecido através de um processo de sedução. Nesta primeira fase, a vítima é desestabilizada e, gradualmente, perde a autoconfiança, a espontaneidade e a liberdade de ação.

É um processo traiçoeiro e gradual em que a visão da realidade da vítima é cada vez mais confusa devido à manipulação. Desta forma, a vítima perde seu pensamento crítico e capacidade de se defender, caindo em uma atitude de dependência em relação ao agressor, que detém o poder destrutivo.

Sinais de abuso psicológico em um casal

O abuso sempre começa com um relacionamento desigual, que acaba impondo uma dependência emocional de um membro do casal pelo outro. Esta é a primeira “luz vermelha” a ser detectada, antes que o abuso real chegue.

O agressor manifesta comportamento de controle em relação ao seu parceiro. Ele controla o dinheiro que o outro gasta, indica como ele quer que o casal seja visto e tenta manter o outro longe dos amigos ou até membros da família sem o seu consentimento. Por esse motivo, quem agride tende a controlar seus movimentos, horários e uso de redes sociais.

Por outro lado, ele tende a dar importância apenas aos seus próprios problemas, minimizando os de seu parceiro, levando todo o crédito pelas conquistas da família, fazendo com que seu parceiro sinta que, sem o seu apoio, nada seria possível. São pessoas que falam em imperativos e procuram controlar a opinião do outro, mesmo quando surgirem questões de opinião pública ou social. A vítima sofre uma constante falta de autoestima e liberdade.

A boa notícia é que uma inteligência emocional saudável pode nos ajudar a detectar essas situações de modo a não tomar isso como algo normal. A inteligência emocional é um recurso chave para se desenvolver, para não perder uma objetividade saudável sobre o tipo de relacionamento em que estamos.

É muito útil distinguir essa linha tênue entre o amor verdadeiro e uma “ilusão de amor perverso”. O verdadeiro amor não admite perversões. O amor sincero é um presente e não uma posse. Quando isso falta no casal, o egoísmo predomina e não a generosidade do amor.

Quando começamos um relacionamento, nunca nos ocorre que possamos nos tornar vítimas de abuso. É triste, mas o desejo de “manter o controle” em algumas situações faz com que muitos casais caíam no poço profundo da violência doméstica. Quando a violência é permitida, é cada vez mais difícil sair dela.

Os relacionamentos devem ser caracterizados por uma busca compartilhada do bem-estar e felicidade no projeto comum de criar as crianças e crescer como pessoas. Dificuldades e crises fazem parte da vida e do crescimento das pessoas e, consequentemente, da vida de um casal.

Mas, é necessário distinguir com grande clareza entre um momento ou período de crise e uma situação anômala constante de relações torcidas. Quando esquecemos os elementos positivos que intrinsecamente estão no relacionamento, perdemos os parâmetros que nos permitem detectar relacionamentos tóxicos.

Artigo em colaboração com Javier Fiz Pérez, psicólogo, professor de psicologia da Universidade Europeia de Roma, delegado para o Desenvolvimento Científico Internacional e chefe da Área de Desenvolvimento Científico do Instituto Europeu de Psicologia Positiva (IEPP).

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