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Por que você deve deixar seus filhos correrem riscos – especialmente quando eles podem falhar

Por Maria Savenko/Shutterstock

Calah Alexander - publicado em 15/10/18

Proteger nossos filhos de todas as dores é um grande erro

Quando eu tinha 20 anos, passei pelo Programa de Roma da Universidade de Dallas, quando os alunos fazem intercâmbio por algumas semanas.

Eu tinha planejado visitar Paris, Berlim e Copenhague com uma das minhas colegas de quarto antes de nos encontrarmos com nossa outra companheira de quarto em Amsterdã no final da nossa viagem.

Naquela época, eu me familiarizava com o sistema de trens e parecia que tudo daria certo, até que saímos do trem em Paris e nos dirigimos para o metrô – onde ficou imediatamente claro que eu não sabia ler um mapa.

Para minha sorte, minha colega de quarto sabia. Ela conseguiu nos guiar através da Europa. Mas agora eu olho para trás horrorizada e penso: “o que teria acontecido se nenhuma de nós pudesse ler um mapa?”.

Ser capaz de navegar é uma das habilidades de vida que a ex-reitora de Stanford Julie Lythcott-Haims disse recentemente à revista Quartz que todos os adolescentes de 18 anos deveriam ter. Ela lista 8 habilidades de vida, e esta é a minha favorita:

Um jovem de 18 anos deve correr riscos

A muleta: Nós estabelecemos todo o caminho para eles e evitamos todas as dificuldades ou impedimos todos os tropeços por eles; assim, as crianças não desenvolvem a compreensão sábia de que o sucesso só vem depois de tentar e falhar e tentar novamente (algo também conhecido como “coragem”) ou calejamento (também conhecido como “força”) que vem de lidar com a realidade quando as coisas dão errado.

Lythcott-Haims é autora do best seller How to Raise an Adult (Como criar um adulto), e você pode ver que ela sabe do que está falando. O livro é cheio de habilidades práticas e essenciais que muitas vezes são negligenciadas quando pensamos em como preparar nossos filhos para a faculdade e a vida, coisas como saber conversar com estranhos ou contribuir para o funcionamento de uma casa.

O item que mencionei, porém, impressionou-me, porque é muito difícil. E quero dizer difícil para nós, não para eles. Nós não queremos ver nossos filhos feridos, e a falha mata. Todos sabemos isso por experiência própria. No entanto, de alguma forma, deixar nossos filhos sentirem a dor do fracasso (especialmente se podemos ver isso chegando) parece uma traição. Parece antitético ao nosso papel como pais, já que passamos tantos anos criando e protegendo.

Eu disse que nunca deixaria meus filhos tentar um programa de intercâmbio na faculdade, porque como seria se acontece o mesmo que aconteceu comigo? E se eles se perdessem ou fossem assaltados? E se eles tomassem uma decisão ruim? E se eles precisassem de ajuda e não conseguissem encontrá-la?

Aquela grande confusão na minha viagem de algumas semanas aconteceu no final, quando perdemos nosso voo de volta para Roma porque descemos na parada errada do trem. Não se pode passar a noite dentro do aeroporto de Bruxelas, então nós nos abraçamos contra o prédio, tentando ficar longe da neve. A única coisa que tínhamos para comer era chocolate.

Como mãe, essa história é aterrorizante. Mas é uma das minhas lembranças favoritas. Voltamos a Roma com frio, cansadas, mas vivas e recém-conscientes de nossa própria força (e da importância das habilidades de navegação).

Ironicamente, proteger nossos filhos da dor do fracasso é em si um fracasso. Devemos deixá-los experimentar a vida que sabemos que está chegando a eles, a vida da qual não podemos protegê-los para sempre.

Devemos deixá-los aprender que falhar em algo não faz deles um fracasso – torna-os humanos. E, como todos os seres humanos, eles só têm duas opções: desistir ou tentar novamente.

Se eles não aprendem isso em casa, quando eles têm apoio e encorajamento para fazer a escolha correta, como podemos esperar que eles façam isso quando estão sozinhos?

Se não permitimos que eles falhem, eles nunca saberão do que eles são capazes. Eles podem passar pela vida dependendo da ajuda dos outros, incapazes de navegar, tanto literal como figurativamente.

No final, a ideia de meus filhos serem incapazes de lidar com quaisquer aventuras e infortúnios que surjam em um passeio por algumas semanas pela Europa é mais assustadora do que a própria ideia das aventuras e infortúnios. Se eu fiz bem meu trabalho, eles voltarão mais fortes que nunca e com histórias ridículas para contar – assim como eu.

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