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Qual é a fórmula do bom humor?

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Três perguntas para Carlo de Marchi, autor de um livro sobre o assunto

O livro A fórmula do bom humor e os cinco remédios contra a tristeza acaba de chegar às livrarias pela Editora Quadrante. Aproveitando o lançamento da obra, conversamos com o autor, padre Carlo de Marchi.

No mundo de hoje, repleto como é de facilidades e comodidades, por que é preciso exortar as pessoas ao bom humor? Não deveria ser mais fácil o bom humor em tempos de facilidades?  

No mundo de hoje, experimentamos um paradoxo: há muitos “confortos” à disposição, mas ao mesmo tempo vivemos uma espécie de emergência em relação ao bom humor. Todos percebemos certa raiva, certo nervosismo interior que se manifesta repentinamente nos momentos de tensão, no trânsito das cidades, mas também nos dias de férias e festas. Eu diria que o bom humor não pode depender do ambiente e da espontaneidade. É preciso treiná-lo! Este é, segundo a minha experiência, o primeiro aspecto: para dar o melhor de mim, devo praticar. De fato, quando desejo presentear alguém com uma fotografia minha, vou atrás de uma em que estou sorrindo, ainda que para tirá-la tenha precisado me esforçar. Para dar o melhor de mim, devo empenhar-me – devo até mesmo lutar.

Em seu livro, o senhor não usa como fundamento apenas grandes tratados teológicos e o exemplo de santos canonizados, mas muitos livros populares de ficção e muitos exemplos pessoais, aparentemente corriqueiros. Isso nos ajuda a ver o bom humor como algo que se faz possível a qualquer um, independentemente de onde esteja. Popularizar as virtudes é uma tarefa necessária para a Igreja e seus pastores hoje?

A literatura nos oferece histórias e linguagens que tocam mais facilmente as pessoas. Por esse motivo, penso que os exemplos retirados da arte podem ser eficazes. Parece-me que na Igreja de hoje há um mestre absoluto da comunicação, que é o Papa Francisco. Seus discursos estão repletos de imagens novas e simpáticas, que nos atingem e chamam a atenção. Por exemplo, num encontro com jovens em Cagliari, na Sardenha, em 22 de setembro de 2013, o Papa contou que acabara de comemorar sessenta anos da descoberta de sua vocação: “Sessenta anos pelo caminho do Senhor, atrás dEle, ao lado dEle, sempre com Ele. Digo-vos apenas isto: não me arrependi! Não me arrependi! Mas por quê? Porque me sinto como Tarzan, forte para ir em frente? Não, não me arrependi porque sempre, até nos momentos mais tenebrosos, nos momentos do pecado, nos momentos da fragilidade, nos momentos da falência, olhei para Jesus e confiei nEle, e Ele não me deixou sozinho. Confiai em Jesus”. Aqui se nota como é possível falar de coisas sérias com leveza, até mesmo com um pouco de autoironia. Deste modo, a comunicação se faz muito mais eficaz. Se falo de maneira demasiado séria, as pessoas se enfastiam (e arrisco dar a impressão de levar-me a sério demais). Se, por outro lado, escolho falar com simplicidade, com autoironia, sem dramatizações, quem me escuta leva a sério o que digo.

Por que a fórmula do bom humor? Há uma receita pronta, passível de ser aplicada a todos?  

Não existe uma receita pronta e fácil! Uma fórmula, porém, talvez haja, sim… A meu ver, ela se resume em três sorrisos, os quais servem como o fundamento do bom humor. O primeiro sorriso é aquele de Deus: o Senhor é Pai e Criador de cada um de nós, e por isso é normal que nos contemple com um sorriso repleto de afeto, qual um avô a olhar seu netinho de dois anos. Creio que esse sorriso que recebemos de Deus é o ponto de partida necessário, o único fundamento sólido para nosso bom humor cotidiano. O segundo sorriso é aquele que abro ao olhar para mim mesmo – seja para meus defeitos ou para minhas qualidades, para meus sucessos ou fracassos. “Os anjos podem voar”, dizia Chesterton, “porque não se levam muito a sério. Satanás, por sua vez, caiu por força da gravidade”. O terceiro sorriso depende dos dois primeiros e é o sorriso com o qual consigo acolher os limites dos outros, seu modo de ser. Amar é saber acolher com um sorriso afetuoso as imperfeições de quem está ao meu redor.

Em síntese, posso dizer que escrevi este livro para transmitir uma ideia sorridente da vida, a do bom humor como felicidade nas relações humanas e nos afazeres cotidianos.

Segue um trecho do livro:

Há um atalho que precisamos descobrir urgentemente, um truque que pode tornar nossos dias mais confortáveis. O ponto de partida é a certeza de que Deus, quando olha para cada um de nós, sorri. Ele sorri porque nos olha com carinho, porque somos para Ele simpáticos. Partindo desse sorriso fundamental, todos podem aprender a redimensionar a si mesmos e seus próprios defeitos sem dramatizá-los, sem levá-los muito a sério […].

Esta é uma descoberta que está ao alcance de qualquer um. Não requer cursos e  técnicas complicadas. A fórmula é simples; exige apenas um pouco de compromisso prático: acolher o sorriso de Deus, sorrir para si mesmo e sorrir para os outros.

Eis a fórmula do bom humor.