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Os 40 anos da eleição de São João Paulo II: 1978, o “Ano dos 3 Papas”

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Diretor do jornal vaticano L'Osservatore Romano comenta aqueles "70 dias que trouxeram a Igreja Católica a uma nova primavera"

A Igreja está celebrando, neste 22 de outubro de 2018, o 40º aniversário do solene início do pontificado de São João Paulo II.

Ele tinha sido eleito quase uma semana antes, em 16 de outubro, e, para recordar as 4 décadas daquela data inesquecível, o jornal do Vaticano, L’Osservatore Romano, publicou um artigo de seu diretor, Giovanni Maria Vian, relembrando com dados históricos os 70 dias que antecederam aquela surpreendente eleição do primeiro Papa não italiano desde 1523.

Paulo VI, João Paulo I e João Paulo II foram os três Papas que se sucederam no trono de São Pedro durante um mesmo ano: 1978 – mais precisamente, durante um período de pouco mais de dois meses daquele ano de 1978. Seria preciso voltar no tempo mais de três séculos e meio para encontrar um precedente semelhante: Clemente VIII, Leão XI e Paulo V, em 1605.

O Ano dos 3 Papas

Giovanni Maria Vian descreve no jornal vaticano que, entre 6 de agosto e 16 de outubro 1978, a Igreja viveu 70 dias extraordinários que abriram uma etapa memorável para o papado em âmbito mundial.

No meio de um tórrido verão italiano, Giovanni Montini, o Papa Paulo VI, veio a falecer e foi substituído pelo Patriarca de Veneza, Albino Lucini, que, adotando o nome duplo e incomum de João Paulo, morreu apenas 33 dias depois de eleito pontífice. Ele foi, por sua vez, substituído por um dos mais carismáticos e influentes líderes da história da humanidade: o arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtyla, que manteve o nome escolhido pelo antecessor e passou para a posteridade como São João Paulo II.

Imediatamente, aquele se tornou “o Ano dos 3 Papas“, expressão “tão fácil quanto inspirada”, cunhada em ambiente jornalístico e rapidamente adotada pelo calendário da História.

A morte de Paulo VI

PAUL VI
Giancarlo GIULIANI I CPP I CIRIC

Vian recorda:

“Como Paulo VI tinha indicado via testamento, o seu funeral foi simples. Na tarde de 12 de agosto, na Praça de São Pedro, foi disposto sobre o caixão de madeira colocado no chão o livro aberto dos Evangelhos, por cujas páginas se movia um vento leve de verão. Finalizando o funeral, o corpo do Papa foi enterrado no subsolo da basílica”.

Sobre a sepultura, uma laje de mármore indica em latim, com simplicidade, apenas o nome do pontífice.

O breve papado de João Paulo I

©CPP/CIRIC

Naqueles dias de agosto, o nome do cardeal Albino Luciani era repetido pela imprensa como um dos mais prováveis para suceder o Papa falecido, observa Vian, que também é jornalista e historiador. De fato, Luciani foi eleito num breve conclave de apenas 24 horas.

“E, pela terceira vez em menos de um século, após a eleição de Giuseppe Sarto (Pio X) em 1903 e de Angelo Roncalli (João XXIII) em 1958, subiu à Cátedra de Pedro um Patriarca de Veneza”.

João Paulo I fez história logo na escolha do nome: era a primeira vez um Papa adotava um nome duplo, em homenagem aos seus dois predecessores imediatos, João XXIII e Paulo VI. A motivação, possivelmente, incluía o desejo de superar as contraposições que cresciam em determinados ambientes católicos entre as figuras papais de Roncalli e Montini. No entanto, com a morte inesperada e chocante do novo Papa, aquela escolha pareceu a alguns supersticiosos um “sinal nefasto”.

João Paulo II toma a palavra

KAROL WOJTYLA
© EAST NEWS

Na tarde memorável de 16 de outubro daquele ano inesquecível, o cardeal protodiácono apareceu na sacada aberta à Praça de São Pedro para anunciar ao mundo um novo e inesperado pontífice, que, imediatamente em seguida, subiu à mesma sacada para dar a sua primeira bênção “urbi et orbi” – “para a cidade e para o mundo”.

Inusualmente para aquele momento, como observa Vian, Karol Wojtyla tomou a palavra. “Com lentidão estudada e voz profunda”, o novo Papa improvisou as seguintes palavras:

“Louvado seja Jesus Cristo! Queridos irmãos e irmãs, ainda estamos tristes com a morte do amado Papa João Paulo I. E aqui, os eminentes cardeais chamaram um novo bispo de Roma. Eles o chamavam de um país distante; muito distante, mas sempre tão próximo da comunhão na fé e na tradição cristã. Eu tive medo de receber esse chamado, mas o fiz com espírito de obediência a nosso Senhor e com total confiança em Sua mãe, a Santíssima Virgem.

Além disso, não sei se consigo me explicar direito na sua língua italiana; se eu erro, se eu erro, vocês me corrigirão! E assim me apresento a todos vocês para confessar a nossa fé comum, a nossa esperança, a nossa confiança na Mãe de Cristo e da Igreja, e também, e também, para começar de novo este caminho, este caminho da história e da Igreja. Começar com a ajuda de Deus e com a ajuda dos homens”.

Vian prossegue:

“Com a eleição de Wojtyla, interrompe-se a série centenária de pontífices italianos que se sucederam durante 455 anos. E, em 1978, começa o período mais longo de Papas não-italianos depois dos 70 anos de Avignon, quando, entre 1305 e 1378, eles vieram exclusivamente da França”.

De fato, o polonês João Paulo II foi substituído pelo alemão Bento XVI e este pelo argentino Francisco – o primeiro Papa vindo das Américas.

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