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O sacramento do matrimônio

WEDDING,MASS
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No Novo Testamento, o Senhor Jesus retifica o sentido original do matrimônio e o eleva a sacramento

A base bíblica desse sacramento já está nas primeiras páginas da Escritura. Em Gn 2,21-24, o matrimônio aparece como uma instituição natural correspondente à própria natureza humana composta pelo homem e pela mulher. Também essa passagem defende a monogamia, não a poligamia (muito comum então), e coloca a sexualidade como algo sagrado, um dom de Deus ao homem e à mulher a fim de que colaborem com Ele na transmissão da vida. Também Gn 1,27-28, além da monogamia e da dignidade do casal, incute o valor da fecundidade matrimonial.

Já em Gn 3,1-24, aparece o aspecto desafiador da vida nupcial. Tentado pelo demônio, o primeiro casal cede à tentação do orgulho de querer ser igual a Deus e perde, por isso, o estado paradisíaco em que vivia. Ninguém quer assumir a culpa: o homem acusa a esposa e ela culpa a serpente (figura do maligno). O texto bíblico quer nos ensinar que a infidelidade ao Senhor (ou o pecado) traz desatinos à família, não porque Deus castiga, mas, sim, porque o próprio pecador se pune quando se opõe ao desejo amoroso de Deus para com ele.

Nos livros proféticos, ao falar do amor esponsal de Deus (o Esposo) para com seu povo (a esposa), aparecem, de modo geral, alguns pontos importantes: muito além do mero contrato jurídico, é o Senhor quem, verdadeiramente, se doa a Israel, ciente de que ele nem sempre Lhe será fiel (cf. Os 1,2-3; Ez 16,1-34; Jr 31,21-22; Is 54,1-10; 5,1-7). Em Ml 2,15-16, aparece o valor da estabilidade (ou indissolubilidade) conjugal. O Cântico dos cânticos descreve, com muito realismo, em oito capítulos, a beleza do amor entre o homem e a mulher, desde o namoro até ao matrimônio, ao passo que Tobias dá uma bela visão do casamento abençoado por Deus.

No Novo Testamento, o Senhor Jesus retifica o sentido original do matrimônio e o eleva a sacramento. Com efeito, em Mt 19,1-9 e Mc 10,1-12, Cristo retoma o livro do Gn – de modo explícito as passagens de 1,27 e 2,24, que apresenta o matrimônio tal como Deus o quis. Não pode ele ser desfeito por nenhuma autoridade humana. Quem, de modo consciente, deixa seu marido (ou sua esposa) e se casa com outra (outro) comete o grave pecado de adultério (cf. Mt 5,28). Também em Paulo, o matrimônio há de ser vivido à luz de Deus: assim como Cristo ama a sua Igreja, o marido deve amar sua esposa (cf. Ef 5,25-27.31-32). Daí, ser o lar católico a “Igreja doméstica”.

Um aparente problema se põe aqui: todos os escritos do Novo Testamento pregam a indissolubilidade do casamento validamente contraído e consumado (cf. Mc 10,11-12; Lc 16,18; 1Cor 7,10-11; Mt 5,31-32; 19,6), mas em Mt 5,32-33 e 19,9, o Senhor Jesus parece admitir o divórcio em caso de porneia (termo grego traduzido, muitas vezes, como fornicação ou adultério). Como entender isso? – O texto de Mt, em grego, veio depois dos escritos de Marcos, Lucas e Paulo, que defendem, como vimos, a indissolubilidade do casamento. Deve ser ele, portanto, uma forma de atender a certo problema presente na comunidade judeu-cristã de seu tempo à qual o Evangelho, à primeira vista, se destinava.

Que problema era esse? – Respondo em dois pontos complementares: 1) o termo grego porneia não deve ser traduzido por fornicação ou adultério, que, na língua helênica, é moicheia, não porneia. Portanto, o termo porneia, que corresponde ao aramaico zenut, tem o sentido de prostituição ou de união ilegítima, como, por exemplo, o incesto condenado pela lei de Moisés (cf. Lv 18,16-17) e 2) os pagãos contraíam esse tipo de união, mas se viam embaraçados nela ao se converterem ao Cristianismo. Foi por isso que Mt 5,32-33; 19,9 permitiu – em um contexto preciso e em tempo limitado – que essas uniões pecaminosas fossem dissolvidas (cf. nota b de Mt 19,9 da Bíblia de Jerusalém. Loyola, 2002).