Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Segunda-feira 25 Outubro |
Santo Antônio de Sant’Anna Galvão 
Aleteia logo
home iconAtualidade
line break icon

Paulo Guedes, um ultraliberal para um presidente de direita

BOLSONARO

Fabio Rodrigues Pozzebom-Agência Brasil-(CC BY 2.0)

Agências de Notícias - publicado em 30/10/18 - atualizado em 31/10/18

Suas ideias e promessas explicam por quê a Bolsa de São Paulo aderiu com entusiasmo à candidatura de Bolsonaro

Poucas coisas definem melhor o pensamento e as propostas de Paulo Guedes, guru econômico do presidente eleito do Brasil Jair Bolsonaro e que será o ministro da Fazenda, como a sua visão do Estado: quanto menor, melhor.

É que este ex-professor, fundador de centros de estudo econômico, de bancos e portfólios de investimentos, é um ultraliberal purista.

Suas ideias e promessas explicam por quê a Bolsa de São Paulo aderiu com entusiasmo à candidatura de Bolsonaro.

Formado no Brasil, mas moldado no berço do liberalismo econômico moderno, a Universidade de Chicago, onde fez seu mestrado e doutorado, este homem de 69 anos sempre foi um ativo promotor de sua crença: abertura econômica, redução de impostos e simplificação da estrutura fiscal.

Talvez por isso a sua aproximação com Jair Bolsonaro, com um histórico de protecionismo, tenha chamado a atenção. Inclusive chocou os que entendem que o protecionismo histórico brasileiro não entra no dicionário de nenhum liberal ortodoxo.

Bolsonaro solucionou a questão com uma resposta simples: “Na verdade, não entendo de economia”, confessou ao jornal O Globo.

“A última que disse que entendia (de economia) foi Dilma (Rousseff) e afundou o país”, declarou Paulo Guedes durante uma conferência em janeiro, segundo relatou o jornal Folha de S.Paulo.

– ‘Superministro’ privatizador –

Guedes rapidamente surgiu como um colaborador de peso em um gabinete do Partido Social Liberal (PSL) o capitão reformado Bolsonaro.

Um “superministro” que poderia unir sob o seu comando as atuais pastas de Fazenda, Indústria e Comércio, Planejamento e a secretaria encarregada de Associações e Investimentos do Estado.

Bolsonaro recuou e durante a campanha afirmou que iria rever a fusão do ministério da Indústria com o da Fazenda se for interesse de empresários e do país.

Com um semblante sério e uma expressão que beira a preocupação, Paulo Guedes é o homem a quem Bolsonaro espera entregar a difícil tarefa de tirar o Brasil de dois anos de recessão e outros dois de baixo crescimento.

Seus desafios: diminuir o déficit fiscal e reverter a trajetória de crescimento da dívida pública, que passou de 58% do PIB em 2013 para 77,3% do PIB atualmente, e que, sem reformas, poderia chegar a 140% em 2030, segundo o Banco Mundial.

Guedes traz uma receita de seu manual de Chicago debaixo do braço: “Reduzir a dívida pública em 20% mediante privatizações, concessões” e a venda de propriedades estatais.

No domingo à noite, após a vitória de Bolsonaro, afirmou que o Brasil vai “mudar o modelo econômico social-democrata”, que para ele é sinônimo de impostos altos, juros elevados e pouca abertura comercial.

Um projeto delicado em um país onde os serviços públicos são parte da cultura e tradição.

Bolsonaro teve inclusive que explicar que as atividades centrais da Petrobras e a geração de energia de Eletrobras não serão vendidas.

Paulo Guedes também é partidário de uma transição do atual sistema previdenciário para um regime de capitalização ou cotações individuais. Um modelo similar ao do Chile, onde o assessor de Bolsonaro atuou como professor universitário nos anos 1980, durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1989).

A convivência entre Guedes e Bolsonaro já teve algumas desavenças.

Em setembro, o assessor deixou os empresários de cabelo em pé ao dizer que poderia ressuscitar um imposto sobre as transações financeiras (CMPF), excetuando as da Bolsa, em substituição a cinco taxas.

Bolsonaro teve que intervir para apagar o incêndio.

“O presidente serei eu. Tratei esse assunto com ele. Ele falou que foi um ato falho. Ele quer diminuir a quantidade de impostos”, explicou esta semana em uma entrevista com uma rádio de Pernambuco. E insistiu: “Teremos um ministro, sim, mas, acima dele, tem um comandante e esse comandante chama-se Jair Bolsonaro”,

(AFP)

Tags:
Brasil
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
Casal brasileiro com 8 filhos espera gêmeos
Francisco Vêneto
Jovem casal brasileiro com 8 filhos espera gêmeos: “cada um vale ...
2
Papa Emérito Bento XVI
Francisco Vêneto
Bento XVI: “Espero me unir logo” aos amigos que já estão na etern...
3
Papa Francisco São José Menino Jesus
Ricardo Sanches
A oração a São José que o Papa Francisco reza todos os dias há 40...
4
Reportagem local
A bela lição que este menino deu a todos ao se aproximar do Papa
5
São João Paulo II
Reportagem local
A última frase de São João Paulo II antes de partir desta vida
6
Ary Waldir Ramos Díaz
O papa que enfurece o diabo: São João Paulo II fez exorcismo dent...
7
Don José María Aicua Marín
Dolors Massot
Padre morre de ataque cardíaco enquanto celebrava funeral
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia