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Um Papa santo nos explica o que leva um povo ao verdadeiro progresso

POPE PIUS X
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Se faltar esse ingrediente-chave, a democracia não constituirá progresso, mas sim um "desastroso retrocesso"

São Pio X, o “Papa da Eucaristia”, nos explicou com clareza a relação entre fraternidade e caridade cristã na sua carta apostólica Notre Charge Apostolique, de 25 de agosto de 1910.

Fala-se muito de fraternidade em contextos laicos. O próprio lema da Revolução Francesa, tão carregada de um laicismo mal entendido e desvirtuado em combate sistemático à religião, era “Liberdade, igualdade, fraternidade“.

Acontece que a palavra fraternidade significa irmandade: o termo vem do latim “fráter”, que significa “irmão”. 

Ora, se todos nós, seres humanos, nos reconhecemos como irmãos, é porque sabemos que compartilhamos da mesma filiação. E que filiação será esta?

Admitindo que somos todos filhos do mesmo Pai Criador, reconhecemos, por conseguinte, que somos chamados a participar do Seu Amor por todos nós, Seus filhos, a quem Ele ama por igual. Ocorre que Deus ama no grau supremo do amor, que é a caridade ou ágape, isto é, o nível do amor em que nos doamos inteiramente sem pedir nada em troca.

Se pretendemos, portanto, viver de fato em fraternidade no autêntico sentido de irmandade como filhos do mesmo Deus Pai, então devemos saber que isto só será possível se nos amarmos com a genuína caridade dos filhos de Deus.

Feitas estas observações, passemos ao extrato da carta apostólica Notre Charge Apostolique em que São Pio X nos fala da caridade como requisito fundamental para a verdadeira fraternidade humana:

A doutrina católica nos ensina que o primeiro dever da caridade não está na tolerância das convicções errôneas, por mais sinceras que sejam, nem na indiferença teórica e prática pelo erro ou pelo vício em que vemos mergulhados os nossos irmãos, mas sim no zelo pela sua restauração intelectual e moral não menos que pelo seu bem-estar material.

Esta mesma doutrina católica também nos ensina que a fonte do amor ao próximo se encontra no amor a Deus, Pai comum e fim comum de toda a família humana, e em Jesus Cristo, do qual somos membros, a tal ponto que fazer o bem aos outros é fazer o bem ao próprio Jesus Cristo. Qualquer outro amor é ilusão ou sentimento estéril e passageiro. Na verdade, nós temos a experiência humana de pagãos e sociedades seculares de eras passadas para mostrar que a preocupação com interesses comuns ou afinidades de natureza pesam muito pouco contra as paixões e desejos selvagens do coração.

Não, veneráveis irmãos, não existe verdadeira fraternidade fora da caridade cristã.

Através de Deus e de Seu Filho Jesus Cristo, nosso Salvador, a caridade cristã se estende a todos os homens, para consolar a todos e conduzi-los todos à mesma fé e felicidade celestial. Separando a fraternidade da caridade cristã assim entendida, a democracia, longe de ser um progresso, constituiria para a civilização um desastroso retrocesso.

Se, e nós o desejamos com toda a nossa alma, chegar a maior soma possível de bem-estar para a sociedade e para cada um dos seus membros pela fraternidade, ou, como se diz ainda, pela solidariedade universal, é necessária a união dos espíritos na verdade, a união das vontades na moral, a união dos corações no amor de Deus e de Seu Filho Jesus Cristo. Ora, esta união só poderá ser realizada pela caridade católica, que é a única, por consequência, que pode conduzir os povos no caminho do progresso para o ideal da civilização.