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Cravos de defunto florescem no México para o Dia dos Mortos

MEXICO
Kobby Dagan - Shutterstock
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O país produz todos os anos milhares de toneladas dessa flor simbólica, protagonista das oferendas

Uma imensidão de flores de cor laranja enfeitam a paisagem e desprende seu intenso aroma aos pés do vulcão Popocatépetl.

Herdando o misticismo de tempos pré-hispânicos, os cravos-de-defunto (cempasúchil, em espanhol) formam uma espécie de tapete que guia as almas até o México no chamado Día de Los Muertos.

O país produz todos os anos milhares de toneladas dessa flor simbólica, protagonista das oferendas que os mexicamos preparam nos dias 1 e 2 de novembro, clímax da tradicional festa que celebra seus mortos.

“Um altar sem cravos-de-defundo não é uma oferenda!”, exclama Yessica Ponte, 28 anos, que carrega um buquê da flor que colheu em Nealtican, uma localidade de Puebla dominada pelos vulcões Popocatépetl e Iztaccíhuatl.

As oferendas podem ser modestas ou suntuosas, mas em todas estão as flores alaranjadas, enfeitando os retratos dos entes queridos já falecidos.

Assim como velas brancas, pequenas caveiras de açúcar e chocolate e o doce “pão de morto”, entre outros manjares que os falecidos apreciavam em vida.

Segundo as crenças, as pétalas dos cravos-de-defundo – que vão do amarelo intenso, passando pelo alaranjado até o rosa profundo – guardam o calor do sol e representam o divino.

Seu nome em espanhol vem do náhuatl Cempohualxochitl: “cempohuali” significa vinte e “xochitl” flores, ou seja, “vinte flores”.

Os mexicanos antigos as usavam para decorar altares e enterros, para cobrir o rosto dos prisioneiros antes do sacrifício, ou mesmo como remédio contra algumas doenças.

O cravo-de-defunto é cultivado em 14 estados do México, mas Puebla encabeça a produção com 11.500 toneladas anuais, segundo cifras oficiais de 2017.

A colheita nacional do ano passado gerou um valor de produção de mais de 2,7 milhões de dólares.

– História de amor –

A flor protagoniza uma conhecida história de amor entre as lendas náhuatl.

Xóchitl e o guerreiro Huitzilin juraram amor eterno, além da morte, na montanha dedicada a Tonatiuh, deus do Sol.

Mas Huitzilin morreu em combate e, devastada, Xóchitl pediu aos deuses que também a levassem para o mundo dos mortos.

Assim, Tonatiuh deixou cair seus raios sobre a jovem transformando-a numa flor de amarelo intenso, como a lus do Sol. Sobre ela posou um colibri – a reencarnação de Huitzilin -, abrindo suas pétalas e liberando seu aroma.

Segundo a lenda, seu amor viverá enquanto houver cravos-de-defunto e colibris nos campos.

No mundo moderno, esta flor é usada como um inseticida ou como um corante para o alimento das galinhas, para que os ovos fiquem mais amarelos.

Na gastronomia, é utilizada em sopas cremosas e, na medicina, contra problemas digestivos, respiratórios e febre.

“Estudos farmacológicos mostram que tem propriedades bactericidas”, diz a bióloga Lizandra Salazar, diretora do jardim etnobotânico do Instituto Nacional de Antropologia e História de Morelos.

Para Carmen Félix, uma curandeira de 78 anos, a ciência e a mitologia não estão separadas.

“O amor eterno de Xóchitl, materializado na flor, nos cura de doenças porque todas as doenças vêm de uma tristeza ou um susto, e essas coisas só o amor cura”, diz a idosa senhora, tirando as pétalas aromáticas de seus cravos-de-defunto.

(AFP)