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O que ninguém sabia sobre o filme de Wim Wenders e o Papa Francisco

Wim Wenders con el Papa Francisco en el set.
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Diretor do filme faz revelações sobre o projeto e os bastidores das gravações com o Papa

Por que Wim Wenders, um dos diretores mais aclamados do mundo, se lançou na perigosa aventura de dirigir um filme sobre o Papa Francisco? O vencedor da Palma de Ouro de Cannes (1984) e do Urso de Ouro do Festival de Berlim (2015) é quem responde.

Wim Wenders revelou à Aleteia como surgiu o projeto: “Em dezembro de 2013, recebi uma carta. Perguntavam-me se eu me interessaria em fazer um filme sobre o Papa. Naquela época, tive um encontro com o Monsenhor Dario Viganò, homem culto, um estudiosos da sétima arte, que me apresentou este desafio. Eu queria que fosse uma produção independente, não ligada ao Vaticano. Por outro lado, não seríamos convincentes”, disse Wenders. 

O pedido foi aceito, mas a produção não foi nada fácil. 

Mosenhor Dario Viganò, que na época era prefeito da Secretaria de Comunicação da Santa Sé, reconhece que pensou em Wenders por causa da sensibilidade que ele demonstrou no filme “Asas do Desejo”. Explica Viganò: “Aqueles anjos, tão distantes de uma tradição antiga, marcados pela poesia de Dante e de Rilke, são como feixes de luz, ou, melhor, como a luz em movimento, como o próprio cinema. E esse olhar de Wenders, tão profundo e ligeiro ao mesmo tempo, me marcou com o passar dos anos. Por isso, pensei nele para fazer o filme sobre o Papa Francisco”. 

Por trás das câmeras

Em marco de 2016, começaram as gravações, organizadas em quatro sessões de entrevistas com o Papa. A última aconteceu em agosto de 2017. “Ao todo, foram oito horas de gravação com o Papa Francisco. Se levarmos em conta as diferentes câmeras, são 20 horas, além das seis horas em Assis, com uma câmera portátil seguindo as sugestões de narração ao estilo Wenders”, revela o monsenhor Viganó, que já foi diretor de uma revista italiana especializada em cinema. 

“Nós vimos o filme, de 96 minutos, só quando a edição já tinha sido concluída. E, ao assistir, me dei conta de que não tínhamos errado. A confiança [em Wenders] foi bem depositada”, confessa Viganò. 

Por outro lado, Wenders revela: “Ninguém me explicou o que esperavam de mim. Não havia um objetivo concreto. Deixaram-me sozinho, com uma responsabilidade enorme: contar ao mundo quem é Francisco”. 

E o diretor ainda confessa: “[O Papa Francisco] tem uma grande capacidade de conexão com as pessoas e se dirige a todas com boa vontade. O cinema era o melhor meio para transmitir ao público o seu pensamento, o seu caráter. A televisão seria redutora. E o Vaticano não interveio em nenhum momento, não me pediu para tirar ou adicionar nada”. 

Um set sem protocolos 

Para compreender o ambiente do set, basta saber que o Papa Francisco apareceu certa vez na locação, nos Jardins do Vaticano, em um minúsculo carro Fiat Panda, que era dirigido pelo monsenhor Viganò. Não havia motorista nem protocolo. 

Viganò ainda conta que, durante uma gravação, a capa do Papa se lançou ao vento. Todos queriam interromper as filmagens, mas Francisco disse: “Assim é a vida. Somos pessoas vivas, não peças de museu”. Depois de um copo de água, as gravações foram retomadas. 

O primeiro encontro com o Papa 

Wim Wenders lembra como foi o primeiro encontro dele com o Papa Francisco minutos antes de começar a gravação: “Eu estava muito nervoso. Depois, ele [o Papa] colocou a mão no meu ombro e disse: ‘Ouvi falar muito de você, mas não vi seus filmes’. Suspirei como se tivessem tirado um peso de cima de mim. Pelo menos nós dois começávamos do zero”. 

Claro que, nos dias atuais, não é possível terminar um diálogo com Wenders sem perguntar o que ele pensa da crise que vive a Igreja por causa dos abusos cometidos por bispos e padres. 

“Francisco pede tolerância zero para este tipo de agressão. Ele herdou o problema do passado e é o primeiro a enfrentá-lo. Francisco é o capitão que, com seu otimismo” é capaz de fazer com que o barco não afunde”, finaliza Wenders.