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Advertência do Papa: parem de murmurar

POPE FRANCIS
© Antoine Mekary | Aleteia
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É pecado ficar fazendo comentários negativos dos outros em voz baixa

O Papa Francisco condenou hoje o hábito de fazer comentários negativos sobre os outros.

Em sua homilia na Casa Santa Marta, o Papa comentou o Evangelho dia. “Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles.’”

Primeiramente, há o testemunho de Jesus: “Uma coisa nova para aquele tempo”, ressaltou o Papa, “porque encontrar os pecadores tornava a pessoa impura, assim como tocar um leproso”.

Por isso, os doutores da lei se distanciavam. Francisco afirmou que “nunca na história o testemunho foi algo confortável para as testemunhas, que muitas vezes pagam com o martírio, e para os poderosos”.

Testemunhar é romper um costume, uma maneira de ser. Romper para melhorar, para mudar. Por isso, a Igreja vai adiante para testemunhar. O que atrai é o testemunho, não as palavras, que certamente ajudam, mas o testemunho é o que atrai e faz a Igreja crescer.

Jesus testemunha. É algo novo, mas não muito novo, porque a misericórdia de Deus existe desde o Antigo Testamento. Os doutores da lei nunca entenderam isso: ‘Eu quero misericórdia e não sacrifícios’. Eles liam, mas não entendiam o significado da misericórdia. Jesus com sua maneira de agir, proclama essa misericórdia com o testemunho.

O testemunho “sempre quebra um costume e coloca a pessoa em risco”, disse o Papa.

O testemunho de Jesus provoca murmuração. Os fariseus, os escribas, os doutores da lei diziam: ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’. Não diziam: ‘Mas, olha, este homem parece ser bom, pois busca converter os pecadores’. Um comportamento que consiste em fazer sempre “um comentário negativo para destruir o testemunho”.

“Este pecado da murmuração é cotidiano, tanto no pequeno quanto no grande”, observou Francisco, ressaltando que na vida, nós murmuramos “porque não gostamos disso e daquilo”, e ao invés de dialogar ou “tentar resolver uma situação conflituosa, murmuramos escondido, sempre em voz baixa, pois não temos a coragem de falar claramente”.

Assim, acontece também “nas pequenas sociedades”, “nas paróquias”. “Quanto se murmura nas paróquias? Por muitas coisas”, disse o Papa, evidenciando que se há “um testemunho que eu não gosto ou uma pessoa que eu não gosto, logo se desencadeia a falação”.

E na diocese? As lutas dentro das dioceses. As lutas internas nas dioceses! Vocês sabem disso. E também na política. Isso é feio. Quando um governo não é honesto, procura sujar os adversários com a murmuração. Que seja difamação, calúnia, procura sempre.

Vocês conhecem bem os governos ditadores, pois viveram isso. O que faz um governo ditador? Primeiro, toma os meios de comunicação com uma lei e dali começa a murmurar, a menosprezar todos aqueles que são um perigo para o governo. O murmúrio é o nosso pão cotidiano no âmbito  pessoal, familiar, paroquial, diocesano, social.

“Trata-se de um subterfugio para não olhar a realidade, para não permitir que pensemos”. Jesus sabe, mas é bom e ao invés de condená-los pela murmuração, faz uma pergunta. “Usa o mesmo método que eles usam”, ou seja, o de fazer perguntas.

Eles fazem perguntas para colocar Jesus em dificuldade, “com má intenção”, “para fazê-lo cair”: por exemplo, com uma pergunta sobre os impostos a serem pagos ao império ou sobre repudiar a própria esposa. Jesus usa o mesmo método, “mas depois vemos a diferença”. Jesus lhes diz.

“Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto, e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la?, como recorda o Evangelho de hoje. “O normal seria que eles entendessem”, ao invés disso, eles fazem o cálculo: “Eu tenho 99”, uma se perdeu, “está chegando o pôr do sol. Começa a escurecer”.

“Deixemos pra lá aquela perdida e entre perdas e ganhos teremos lucro. Salvemos estas”. Essa é a lógica farisaica. Essa é a lógica dos doutores da lei. “Qual de vocês? E eles escolhem o contrário de Jesus. Por isso, não conversam com os pecadores, com os publicanos, não vão até eles porque: “É melhor não se sujar com essa gente, é um risco. Conservemos os nossos”.

Jesus é inteligente em lhes faz essa pergunta: entra na sua casuística, mas os deixa numa posição diferente em relação àquela justa. “Qual de vocês? Ninguém diz: “Sim, é verdade”, mas todos: “Não, não o farei”. Por isso, são incapazes de perdoar, de serem misericordiosos, de receber.

Por fim, o Papa recordou mais uma vez as três palavras de sua reflexão: “testemunho”, que é provocador, “que faz a Igreja crescer”, “murmuração” que é “como uma guarda do meu interior para que o testemunho não me fira”, e “a pergunta” de Jesus. Francisco também recordou as palavras alegria e festa, que essas pessoas não conhecem: “Todos aqueles que seguem o caminho dos doutores da lei não conhecem a alegria do Evangelho”, sublinhou o Pontífice, que concluiu com a seguinte frase: “Que o Senhor nos faça entender essa lógica do Evangelho contrária à lógica do mundo”.

(Com Vatican News)