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Papa: chega de murmuração nas paróquias e dioceses!

ServizioFotografico OR/CPP/CIRIC
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"As palavras certamente ajudam, mas é o testemunho o que atrai e faz a Igreja crescer"

Nesta quinta-feira, 8, o Papa Francisco destacou 3 palavras em sua homilia: testemunho, murmuração e pergunta.

A reflexão se desenvolveu a partir do Evangelho de Lucas, da liturgia do dia:

“Os publicanos e pecadores aproximavam-se de Jesus para o escutar. Os fariseus, porém, e os mestres da Lei criticavam Jesus. ‘Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles’”.

O testemunho faz a Igreja crescer

Disse Francisco:

“Testemunhar é romper um costume, uma maneira de ser. Romper para melhorar, para mudar. Por isso, a Igreja vai adiante para testemunhar. O que atrai é o testemunho, não as palavras, que certamente ajudam, mas o testemunho é o que atrai e faz a Igreja crescer. Jesus testemunha. É algo novo, mas não muito novo, porque a misericórdia de Deus existe desde o Antigo Testamento. Os doutores da lei nunca entenderam isso: ‘Eu quero misericórdia e não sacrifícios’. Eles liam, mas não entendiam o significado da misericórdia. Jesus com sua maneira de agir, proclama essa misericórdia com o testemunho”.

O testemunho de Jesus provoca murmuração

Os fariseus, escribas e doutores da lei diziam sobre Jesus: “Este homem acolhe os pecadores e faz refeição com eles“. Não reconheciam que ele procurava converter os pecadores, mas se limitavam ao comentário negativo para destruir o testemunho, observou o Papa.

E aplicou o caso à realidade da Igreja:

“Quanto se murmura nas paróquias? Por muitas coisas… Se há um testemunho de que eu não gosto ou uma pessoa de que eu não gosto, logo se desencadeia a falação”.

“E na diocese? As lutas dentro das dioceses. As lutas internas nas dioceses! Vocês sabem disso. E também na política. Isso é feio. Quando um governo não é honesto, procura sujar os adversários com a murmuração. Que seja difamação, calúnia, procura sempre. Vocês conhecem bem os governos ditadores, pois viveram isso. O que faz um governo ditador? Primeiro, toma os meios de comunicação com uma lei e dali começa a murmurar, a menosprezar todos aqueles que são um perigo para o governo. O murmúrio é o nosso pão cotidiano no âmbito pessoal, familiar, paroquial, diocesano, social …”

A pergunta de Jesus

Jesus “usa o mesmo método que eles usam”, ou seja, o de fazer perguntas. Eles fazem perguntas para colocar Jesus em dificuldade, “com má intenção”, “para fazê-lo cair”: por exemplo, com uma pergunta sobre os impostos a serem pagos ao império ou sobre repudiar a própria esposa. Jesus usa o mesmo método, “mas depois vemos a diferença”.

Jesus lhes pergunta: “Se um de vós tem cem ovelhas e perde uma, não deixa as noventa e nove no deserto e vai atrás daquela que se perdeu, até encontrá-la?”.

A lógica farisaica e dos doutores da lei, porém, é outra: “Deixemos pra lá aquela perdida e entre perdas e ganhos teremos lucro. Salvemos estas”. E Francisco observa:

Eles escolhem o contrário de Jesus. Por isso, não conversam com os pecadores, com os publicanos, não vão até eles porque ‘é melhor não se sujar com essa gente, é um risco. Conservemos os nossos’. Jesus é inteligente e lhes faz essa pergunta: entra na sua casuística, mas os deixa numa posição diferente em relação à postura justa”.

A lógica do Evangelho contrária à lógica do mundo

Por fim, o Papa recordou mais uma vez as três palavras de sua reflexão:

  • “testemunho”, que é provocador, “que faz a Igreja crescer”;
  • “murmuração”, que é “como uma guarda do meu interior para que o testemunho não me fira”;
  • e “a pergunta” de Jesus.

Francisco também recordou as palavras “alegria” e “festa”, que essas pessoas não conhecem: “Todos aqueles que seguem o caminho dos doutores da lei não conhecem a alegria do Evangelho”, sublinhou o Pontífice, concluindo com a seguinte frase:

“Que o Senhor nos faça entender essa lógica do Evangelho contrária à lógica do mundo”.

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A partir de matéria do Vatican News