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Papa sobre I Guerra Mundial: grave advertência a rejeitar a cultura da guerra

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Cemitério de Vimy La Targette, França

Vatican News - publicado em 11/11/18

"Não há limite para a medida da ruína e do abate"

Neste dia 11 de novembro, em que foi celebrado o centenário do final da I Guerra Mundial, o Papa Francisco dedicou sua oração às vítimas “dessa terrível tragédia” e fez um apelo em favor da paz.

Antes de saudar os peregrinos presentes na Praça São Pedro para rezar o Angelus, o Papa Francisco recordou os cem anos do final da I Guerra Mundial. O Papa também ofereceu o gesto de São Martinho de Tours ao dividir seu manto com um pobre como caminho para construir a paz.

“Recorre hoje o centenário do final da Primeira Guerra Mundial, que meu antecessor, Bento XV, chamou de “matança inútil”. Por esta razão, hoje, às 13h30 horário italiano, tocarão os sinos em todo o mundo, também os da Basílica de São Pedro. A página histórica da Primeira Guerra Mundial é para todos uma grave advertência a rejeitar a cultura da guerra e buscar todos os meios legítimos para pôr fim aos conflitos que ainda ensanguentam diversas regiões do mundo. Enquanto rezamos por todas as vítimas dessa terrível tragédia, digamos, com força: invistamos na paz, não na guerra! E, como sinal emblemático, peguemos aquele do grande São Martinho de Tours, que hoje recordamos: ele cortou seu manto em dois para compartilhá-lo com um homem pobre. Que este gesto de humana solidariedade indique a todos o caminho para a construir a paz”.
A Primeira Guerra Mundial teve início em 28 de julho de 1914 e durou até 11 de novembro de 1918, envolvendo as grandes potências de todo o mundo, organizadas em duas alianças opostas: os aliados (com base na Tríplice Entente entre Reino Unido, França e Rússia) e os Impérios Centrais, a Alemanha e a Áustria-Hungria.

Mais de setenta milhões de militares, incluindo sessenta milhões de europeus, foram mobilizados em uma das maiores guerras da história. Mais de nove milhões de combatentes foram mortos, em grande parte por causa de avanços tecnológicos que determinaram um crescimento enorme na letalidade de armas, mas sem melhorias correspondentes em proteção ou mobilidade. Foi o sexto conflito mais mortal na história da humanidade e que posteriormente abriu caminho para várias mudanças políticas, como revoluções em muitas das nações envolvidas.

Bento XV, citado pelo Papa Francisco no Angelus e conhecido como o “Papa da paz”, publicou em novembro de 1914 a primeira de suas doze Encíclicas: “Ad Beatissimi Apostolorum”. As nações maiores e mais ricas, disse ele, estão “bem equipadas com as mais terríveis armas que a ciência militar moderna havia inventado e se esforçam para destruir umas às outras com requintes de horror (…) Não há limite para a medida da ruína e do abate; diariamente a terra fica marcada com o sangue recém-derramado e coberta com os corpos de mortos e feridos”.

Em julho de 1915, Bento publicou a Exortação Apostólica “Aos povos hoje em guerra e a seus governantes”, documento que marcou uma mudança na diplomacia ativa que culminou, dois anos mais tarde, com o plano de sete pontos apresentado às partes em guerra no mês de agosto de 1917.

Na Encíclica “Quod Iam Diu”, publicada em 1º de dezembro de 1918, três semanas depois do armistício, Bento pediu a todos os católicos que rezassem pela paz e por aqueles que se ocupavam com as negociações de paz. No entanto, ressaltou que a verdadeira paz não tinha chegado, mas que somente foram suspensas as hostilidades, o abate e a devastação.

(Com Vatican News)

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