Aleteia logoAleteia logo
Aleteia
Quarta-feira 28 Julho |
São Botvido
home iconEm foco
line break icon

Demagogos digitais: a democracia está em jogo?

JoeBakal/Shutterstock

Jaime Septién - publicado em 16/11/18

As ideologias extremas encontraram na internet e nas redes sociais o ambiente ideal de proliferação

No livro “A Política”, Aristóteles analisa a democracia e explica o perigo que ela representa quando se transforma em demagogia, quando “o povo é soberano, e não a lei”. O que pouca gente percebe é que o filósofo grego fala com palavras proféticas aos cidadãos do mundo atual.

A segunda metade do século XX – especialmente depois da queda do Muro de Berlim – parecia ser o pano de fundo para a democracia e o Estado de direito. Os regimes totalitários – e demagogos – que provocaram o inferno da Segunda Guerra Mundial e o posterior fracasso do marxismo-leninismo eram os argumentos perfeitos para postular a democracia como forma de governo pela qual todos deveriam lutar. Era o “fim da história”, como havia postulado Francis Fukuyama em seu livro. Só que não.

O retorno da demagogia

Como consequência da Grande Recessão e o enfraquecimento das instituições, o mundo voltou a cair nas garras da demagogia. Passamos de um mundo com diversas formas de democracia a um mundo com diversas formas de demagogia. As classificações clássicas de esquerda e direita foram dinamitadas e surgiram novas realidades políticas amorfas, onde cabe tudo e onde está claro que o povo é usado – em sua forma mais primária – para se estar acima da lei.

O presidente da França, Emmanuel Macron, é um dos poucos líderes mundiais que seguem advogando pelo multilateralismo como mecanismo de paz e desenvolvimento. Em suas recentes visitas aos lugares que foram cenários da Primeira Guerra, ele lançou uma grave advertência: “A Europa atual parece perigosamente a Europa do período entreguerras, da ascensão do nazismo”.

Para o presidente francês, “a Europa está dividida por medos e pelo viés nacionalista (…), vemos como metodicamente se articula tudo que pautou a vida da Europa entre o fim da Primeira Guerra e a crise de 1929”, disse em uma entrevista. “É preciso termos isso presente, sermos lúcidos e sabermos como resistir a isso”, concluiu Macron.

Redes socias: núcleos das ideologias extremas

As ideologias extremas encontraram na internet e nas redes sociais o ambiente propício para se proliferar. Se no mundo analógico fazer comentários racistas e violentos é mal visto, no mundo digital esses tipos de comentários são cada vez mais incentivados.

Surgiram, inclusive, redes sociais que se nutrem dessas publicações. É o caso de Gab, uma rede social que, sob o pretexto de promover a liberdade de expressão, abriga uma comunidade de extrema direita que promove o ódio, a pureza da raça e o nacionalismo extremo. Robert Bowers, o assassino de 11 judeus em Pittsburgh, pertencia ao Gab.

E este não é um caso isolado. Cesar Sayoc, o responsável pelos pacotes-bomba a Obama, Dylann Roof, o autor do massacre na igreja de Charleston, na Carolina do Sul e Alek Minassian, o assassino que usou uma caminhonete para atropelar 10 pessoas em Toronto, encontraram respaldo na internet e nas redes sociais para cometerem os crimes. Todos eles se injetaram de ódio, interagindo em um espaço digital que não existe no mundo offline.

A internet deu forma ao movimento que levou Trump à presidência dos Estados Unidos, Le Pen, na França, Salvini na Itália. Tem também o Brexit… Todos estes movimentos e líderes demagogos encontraram na internet o aliado mais eficaz para se colocarem acima da lei.

Ouvir Aristóteles

Em uma época marcada pelo excesso de informação, o ruído das redes sociais e a carência de referências, voltar às origens pode fazer bem para a mente.

Em 1939 ninguém lembrou da advertência de Aristóteles e um dos episódios mais tristes da humanidade se desencadeou. Racismo, xenofobia, nacionalismo, isolamento. Esses foram os argumentos que alimentaram os regimes totalitários. E esses são os argumentos que nutrem os movimentos anti-sistema da atualidade.

Tags:
InternetPerseguiçãoPolítica
Apoiar a Aleteia

Se você está lendo este artigo, é exatamente graças a sua generosidade e a de muitas outras pessoas como você, que tornam possível o projeto de evangelização da Aleteia. Aqui estão alguns números:

  • 20 milhões de usuários no mundo leem a Aleteia.org todos os meses.
  • Aleteia é publicada diariamente em sete idiomas: inglês, francês,  italiano, espanhol, português, polonês e esloveno
  • Todo mês, nossos leitores acessam mais de 50 milhões de páginas na Aleteia.
  • 4 milhões de pessoas seguem a Aleteia nas redes sociais.
  • A cada mês, nós publicamos 2.450 artigos e cerca de 40 vídeos.
  • Todo esse trabalho é realizado por 60 pessoas que trabalham em tempo integral, além de aproximadamente 400 outros colaboradores (articulistas, jornalistas, tradutores, fotógrafos…).

Como você pode imaginar, por trás desses números há um grande esforço. Precisamos do seu apoio para que possamos continuar oferecendo este serviço de evangelização a todos, independentemente de onde eles moram ou do quanto possam pagar.

Apoie Aleteia a partir de apenas $ 1 - leva apenas um minuto. Obrigado!

Oração do dia
Festividade do dia





Top 10
1
Reportagem local
A arrepiante oração de uma mulher no corredor da morte por ser ca...
2
st charbel
Reportagem local
Por acaso não está acontecendo o que São Charbel disse?
3
Ítalo Ferreira
Reportagem local
Ouro no surfe em Tóquio, Ítalo Ferreira reza todos os dias às 3h ...
4
CROSS;
Reportagem local
O que significa o sinal da cruz feito sobre a testa, os lábios e ...
5
CONFESSION, PRIEST, WOMAN
Julio De la Vega Hazas
Por que não posso me confessar diretamente com Deus?
6
JENNIFER CHRISTIE
Jeff Christie
Minha mulher engravidou de um estuprador – e eu acolhi o bebê nas...
7
Anna Gębalska-Berekets
O que falar (e o que não falar) a um ente querido com câncer
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia