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Um homossexual pergunta, nós respondemos

© Pixabay

Vanderlei de Lima - publicado em 18/11/18

Neste artigo, ofereceremos orientação segura e fraterna à luz dos ensinamentos da Igreja

Um jovem homossexual nos dirigiu oportuno relato com uma indagação. Cremos que valha a pena reproduzir sua mensagem e respondê-la, publicamente, pois ajudará a outras pessoas na mesma situação. Guardamos, é óbvio, seu nome no anonimato.

Diz a mensagem: “Abandonei a Igreja há algum tempo, mas sinto falta das Missas. No entanto, não posso comungar, pois vivo com um parceiro. Somos homossexuais assumidos, mas não escandalosos. Contudo, em alguns momentos fico angustiado; a consciência me acusa. Sinto medo do inferno por estar em pecado. Pode me ajudar?”.

Neste artigo, ofereceremos orientação segura e fraterna à luz dos ensinamentos da Igreja. A resposta abordará três pontos: 1. Homossexualidade. Tendência e pessoa; 2. O inferno e a consciência e 3. A vida eclesial e (até) sacramental.

  1. Homossexualidade. Tendência e pessoa. Ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 2357-2359) que os atos de homossexualidade são intrinsecamente (em si mesmos, independentemente de qualquer instância ou circunstância externa) desordenados. No entanto, a pessoa homossexual há de ser sempre bem acolhida pela Igreja. Para parte dessas pessoas a tendência homossexual (que, em si, não é pecado) constitui uma provação a ser oferecida – se os provados forem cristãos – a Deus junto com Cristo crucificado. Devem elas, com a graça de Deus e o esforço próprio, viver a castidade e, assim, aos poucos, poderão chegar à perfeição cristã, que é, em última análise, a santidade a qual todos somos chamados (cf. Mt 5,48).
  2. O inferno e a consciência moral. Pergunta-se: em que consiste, afinal, o inferno? – O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica, n. 212, responde: o inferno “consiste na condenação eterna daqueles que, por escolha livre, morrem em pecado mortal. A pena principal do inferno é a eterna separação de Deus, o único em quem o homem encontra a vida e a felicidade para que foi criado, e a que aspira. Cristo exprime esta realidade com as palavras: ‘Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno’ (Mateus 25,41)”.

Aqui surge a questão: como o inferno se concilia com a misericórdia de Deus? – A resposta não é difícil. Deus é infinitamente misericordioso; não tiranicamente misericordioso. Deu liberdade a cada um que pode usá-la bem ou mal. Daí se atribuir a Santo Agostinho de Hipona a sentença: “Aquele que te criou sem ti, não te salva sem ti”.

O medo do inferno pode, portanto, ser, no caso, além de um sinal de fé, poderoso alerta da consciência. Afinal, “a consciência moral é um juízo da razão, pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral de um ato concreto que vai praticar, que está prestes a executar ou que já realizou. Em tudo quanto diz e faz, o homem está obrigado a seguir fielmente o que sabe que é justo e reto” (Catecismo da Igreja Católica n. 1778).

  1. Vida eclesial e (até) sacramental. Aqui chegamos, talvez, ao ponto prático da questão: que deve nosso angustiado consulente fazer? – Respondemos que, uma vez percebida a situação em que se encontra, não se desespere, mas confie, firmemente, na misericórdia divina e busque enfrentar a luta (cada um tem a sua) para viver a castidade, ainda que de modo gradual e com recaídas. Pode, por exemplo, passar a ter o seu até então “parceiro”, como bom amigo, ainda que, a princípio, na mesma casa e, depois, em residência separada. Junto a esses esforços, buscar também, e sobretudo, a graça de Deus na oração pessoal e comunitária, incluindo a Confissão sacramental frequente, com arrependimento e firme propósito de mudança, e a Comunhão eucarística, na própria paróquia ou em outra. A segunda opção é preferível a fim de não causar escândalo.

De resto, esse caminho – ainda que para alguns mais “fortes na fé” (ou que julgam sê-lo) possa parecer um tanto “mole” – nos parece corresponder às exigências da Moral Católica, que nosso consulente quer seguir, bem como leva em conta a pedagogia humana muito conhecida pela Igreja, mãe e mestra.

Uma coisa é certa: jamais o ser humano deve – sem sérios riscos à sua eterna salvação – trocar o Criador, que é infinito, pela criatura finita ou passageira.

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