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Salvo por milagre… para ser padre

HOLENDERSKI KSIĄDZ O POLAKACH
Shutterstock
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Um dos médicos dizia: “Ainda dizem que não há milagres!”

O Diácono João Nuno Castelhano, natural do Seixo de Mira (paróquia de onde têm brotado muitas vocações sacerdotais), é o mais recente diácono da Diocese de Coimbra, ordenado no passado dia 24 de Junho, juntamente com os três novos sacerdotes da nossa Diocese. Está a estagiar na unidade pastoral de Alvaiázere e foi ordenado diácono a caminho do sacerdócio. Ao semanário diocesano Correio de Coimbra ele contou o seu impressionante testemunho de vida. De facto, há vidas que mostram bem como a vida é um milagre e um dom maravilhoso de Deus a que devemos corresponder com toda a entrega e generosidade.

Diocese de Coimbra
O Diácono João Nuno Castelhano

Filho de um diácono permanente, João Nuno conta que «o despertar para a vocação presbiteral surgiu na minha família e na minha paróquia». Aliás, ele considera que «ao longo de todo este percurso a minha família foi o “porto seguro”: os meus pais, os meus irmãos, os meus avós, tios e primos, e também a paróquia do Seixo, comunidade que me ajudou, e ajuda, a crescer». É o segundo de quatro filhos e nasceu «prematuro, pequeno e frágil». «Aos 6 anos, eu e o meu irmão (com 8 anos), sofremos um grave acidente na brincadeira: ficámos presos na bagageira de um carro comercial num dia de extremo calor; fiquei tão mal que os médicos que nos assistiram no hospital chegaram a dizer aos meus pais que provavelmente eu não resistiria. Depois de induzido em coma, ao fim de alguns dias comecei a minha recuperação, e uma das primeiras coisas de que falei – dizem-me – foi de Nossa Senhora de Fátima! (E, depois, de tractores e vacas!, da minha vida da aldeia, no Seixo de Mira, de onde sou natural). Passados alguns dias voltei a andar e comecei a reaprender a falar. (Um dos médicos dizia: “Ainda dizem que não há milagres!”). Voltei à escola, com muitas dificuldades (andei três anos no primeiro ano), mas os meus pais queriam que eu aprendesse a ler e a escrever. Depois, os professores e médicos que me acompanhavam acharam que eu tinha condições para continuar os estudos, e continuei tranquilamente. No 7º ano escolar ingressei no ensino alternativo, na área da agricultura».

Mas, ao mesmo tempo, surgia o chamamento de Deus a ser padre… «Comecei a ir ao pré-seminário (com o Padre Pedro Luís) pelos 10/11 anos. […] No carnaval do meu 12º ano fui a Taizé, e foi aí que, estando a concluir o percurso do Pré-seminário, me senti chamado. Então, em conversa com o Pe. Nuno Santos, aceitei o desafio de ingressar no seminário, o que veio a acontecer no dia 5 de Outubro 2009». Entretanto, concluiu o curso de Teologia no ano passado e tem estado a estagiar.

Quanto à vida sacerdotal, que já vislumbra pela frente, diz: «quero poder ajudar aqueles que me rodeiam a sentirem o Amor de Deus por cada ser humano, tal como eu tenho sentido na minha vida». E lança um apelo: «Aproveito para me dirigir aqueles que andam em busca da sua vocação. Não tenham medo. Por vezes o caminho parece longo, as dificuldades intransponíveis, mas não estamos sós no caminhar. Pois Jesus caminha connosco. E se «há mais alegria em dar do que em receber», «nunca se cansem de fazer o bem!» e abram o coração ao Amor de Deus.»

(Semanário Católico da Diocese de Coimbra)

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