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Ser alguém solteiro incomoda muita gente…

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... ver alguém solteiro incomoda muito mais!

O título é uma brincadeira para algo muito sério: solteirice! Já escrevemos um texto sobre como aproveitar este tempo, mas parece que esse é um assunto que precisa voltar à tona.

Dias desses, no curso “Faça a coisa Certa”, do Dr. Italo Marsili, ele comentava que nossa personalidade e vida estão mais estáveis por volta dos 25 anos. Ou seja, é por volta desta idade que teremos um vislumbre mais certeiro de como será o resto de nossas vidas, porque muitas possibilidades se fecharam e já estamos mais maduros em termos emocionais e afetivos.

Penso que, talvez, essa seja uma boa idade para realmente começar um namoro com vistas ao casamento.  É claro que a Igreja não recomenda tempo de namoro, nem idade para isso, e é claro que cada pessoa tem uma história de vida singular. Mas a boa razão nos diz que começar um namoro muito novinho – sem ter aproveitado (de maneira saudável) a vida com amigos e crescendo em formação e virtudes – tende ao fracasso.

Muitas pessoas que conheço e começaram a namorar aos 15, hoje, aos 25, 26, 27, perceberam que não gostam mais daquele(a) que começaram a namorar há dez anos. A adolescência é o período que mais mudamos, portanto, conhecer e namorar alguém nessa etapa, achando que você vai continuar a amar aquela pessoa para o resto da vida, pode ser um tanto arriscado e imaturo.

Enfim, o texto não é sobre isso. O texto é sobre ser solteira (ou solteiro) quando você passa dos 25. Mais do que incomodar o próprio solteiro (que às vezes nem está tão incomodado assim), este período parece incomodar muito mais quem está ao redor. A falta de delicadeza e empatia das pessoas leva os solteiros ao constrangimento em muitas ocasiões.

Começamos pelo “querer arranjar alguém”. Desde sempre o apaixonamento acontecia quando duas pessoas se sentiam atraídas reciprocamente e daí começavam a conversar. Deste momento em diante poderia acontecer um namoro ou apenas uma amizade, caso houvesse incompatibilidade de valores.

Pois é, mas muitas pessoas, sempre com boas intenções, não pensam assim. Imaginam que juntar duas pessoas com valores próximos, mesmo sem a mínima “química”, pode dar certo. Se você conhece duas pessoas que poderiam dar um bom casal, tente fazê-las se conhecerem naturalmente, numa reunião de amigos, por exemplo. Se rolar a famosa química, com certeza esses dois irão se falar e a coisa irá para frente sem sua ajuda.

Agora, forçar encontros passando contatos um para o outro, empurrando casais, colocando pessoas para se conhecerem com esse propósito explícito, isso soa artificial e indelicado. Ninguém gosta de fazer nada forçado. “Arranjar” casais desta maneira mais atrapalha do que ajuda um possível relacionamento.

Outra situação comum entre os solteiros é o julgamento. Não importa se é na família ou na Igreja, sempre há alguém falando que o tal fulano (ou a tal fulana) está solteiro(a) porque se dedicou muito à carreira, só pensou em trabalho ou escolheu muito. Geralmente para mulheres o julgamento é sempre mais pesado.

Ninguém sabe da vida da pessoa, o que ela passou, tentou ou viveu. Apenas julgam. Nem toda mulher solteira está solteira porque focou apenas na carreira, em buscar títulos e mais títulos acadêmicos ou alcançar determinado posto no trabalho, por exemplo. Não é assim, as realidades são mais complexas.

Será que quem julga as mulheres solteiras com mais de 25, 35, 40 anos não se dá conta o quanto isso é leviano, na medida em que há tantas nessa condição que desejariam já terem se casado, formado família, terem filhos, e se isso não aconteceu foi por circunstâncias alheias à vontade delas? Há tantos homens, infelizmente, sem maturidade para o matrimônio, sem querer compromisso, sem forja interior para constituir e prover um lar…

Uma mulher que teve uma vida inteira desregrada, teve filhos antes de se casar, não teve uma vida exemplar, muitas vezes, quando se converte, é mais valorizada que aquela moça solteira que está na Igreja desde sempre e que sempre tentou viver corretamente. É como se “ser solteiro” carregasse a cruz de ser “pior” que os outros, de viver uma vocação fracassada e incompleta.

Há de se citar, também, a falta de espaço, especialmente na Igreja, para os solteiros que passaram dos 25 anos. Temos grupos de jovens para adolescentes e grupos de noivos e casados. Mas e os solteiros que não são nem casados, nem adolescentes? Que trabalham, que vivem uma vida decente, mas que, por condições diversas, estão solteiros?

O grande erro das pessoas é enxergar a vocação como um fim em si mesmo. Vocação é um meio para irmos ao céu. Você pode se santificar no matrimônio, no celibato, na vida consagrada ou vivendo como solteiro, pelo tempo que Deus quiser que você esteja nessa situação. Deus criou uma história de vida para cada pessoa e às vezes Ele quer nos ver solteiros por um certo período porque é dessa maneira que O serviremos melhor, dentro dos planos que ele tem para nós.

Neste tempo de solteirice, sempre é importante buscarmos nossa formação pessoal, crescermos em virtudes, melhorarmos esteticamente também (boas roupas, bom corte de cabelo, pele bem cuidada, maquiagem), praticar alguns hobbies (dança, esportes, idiomas, instrumentos musicais e afins) e até usarmos nosso tempo para trabalhos voluntários aqui ou no exterior. Quem sabe Deus te quer solteiro(a) para fundar uma ONG, um instituto, começar um trabalho que ninguém começou até então e que é necessário?

Hoje as coisas estão muito diferentes do que estavam há dez ou vinte anos. Muitos estão se casando aos quarenta anos ou mais. E não há nenhuma vergonha nisso. Vergonha é querer cuidar da vida do outro. Se você é solteiro, reze. Se você se incomoda com alguém solteiro, reze por ele(a). E vamos tentar mais ajudar do que atrapalhar, combinado?

(via Modéstia e pudor)