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Redação da Aleteia

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Pai, leia para seus filhos

FAMILY READING
Shutterstock
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Quanto maior o envolvimento do pai com a leitura, melhor o desempenho escolar do filho

O primeiro castelo de areia era bem impressionante. Observando pai e filho construindo o cenário, uma pazinha de areia após a outra, eu podia apostar que o pai devia ser arquiteto ou engenheiro.

Continuei minha caminhada pela praia e logo me deparei com outra família debruçada sobre um castelo de areia. Haveria ainda mais de uma dúzia de castelos ao longo de minha caminhada pela orla – alguns bem feitos, alguns malfeitos, outros absolutamente espetaculares.

Aquilo me fez pensar sobre o que tinha visto durante minhas caminhadas naquela semana: havia um denominador comum entre os melhores castelos: o envolvimento do pai (ou de um outro homem adulto). Se o pai estava lá, os filhos davam mais de si e construíam castelos melhores. Mas, onde quer que faltasse um homem mais velho, os meninos não se saíam tão bem.

Tudo isso tem relação com a pesquisa sobre pais, filhos e leitura. De modo geral, quanto maior o envolvimento do pai com a leitura, melhor o desempenho escolar do filho.

Mas o que significa esse “envolvimento” do pai?

Um estudo realizado em Modesto, na Califórnia, demonstrou que: (1) garotos cujos pais liam para eles obtinham um desempenho significativamente superior em leitura; e (2) filhos de pais que liam nas horas de lazer obtinham notas mais altas do que filhos de pais que liam pouco ou nada nas horas de lazer.

Ao entrevistar os pais, por sua vez, a pesquisa apontou que apenas 10% deles relatava que seus próprios pais liam para eles na infância.

Um outro estudo foi realizado por Mihaly Csikszentmihalyi, um dos maiores especialistas do mundo em comportamento humano. O estudo analisou 30 homens provenientes de famílias de operários, 15 dos quais tornaram-se professores universitários, enquanto os outros 15 permaneceram operários. Se a condição financeira e a educação desses homens eram similares, como explicar a diferença de resultados?

Os pesquisadores encontraram 4 fatores importantes presentes na infância daqueles que se tornaram professores universitários:

  • 12 dos 15 professores relataram que seus pais lhes contavam histórias quando crianças (lendo ou narrando de memória); apenas 4 dos operários relataram o mesmo fato;
  • 14 dos 15 professores provinham de lares onde abundavam livros e outros materiais de leitura; dentre os operários, apenas 4 relataram possuir livros em casa;
  • 13 das mães dos professores e 12 dos pais foram classificados como leitores assíduos de jornais, revistas e livros; dentre os operários, esse número caía para 6 das mães e 4 dos pais;
  • Todos os 15 professores foram incentivados a ler quando eram crianças, comparando-se com apenas 3 dos operários.

As crianças são, acima de tudo, como pequenas esponjas, absorvendo o comportamento e os valores predominantes nas pessoas à sua volta.

Uma assistente social da Pensilvânia certa vez me contou sobre uma família com a qual estava trabalhando. A mãe teria perguntado se era normal que seu filho fingisse ler para os seus carrinhos de brinquedo (ele era muito novo e ainda não sabia ler). A assistente já tinha visto crianças fingirem estar lendo para bonecas e para os irmãozinhos mais novos, mas… para carrinhos de brinquedo?

Ela então respondeu que aquilo era novidade, mas que a mãe não se preocupasse. O mais importante era que o menino estava simulando o hábito de ler, o que era bastante positivo.

Momentos depois, enquanto se preparava para ir embora, a assistente observou o pai do menino debruçado sobre o motor da caminhonete, com um manual de instruções sobre o radiador, lendo em voz alta as instruções do folheto. Bingo! Era absolutamente natural que o garoto imaginasse que seu pai estivesse lendo em voz alta para o seu caminhão.

Um chamado à responsabilidade

Uma profunda mudança tem sido implementada em nossa cultura desde a década de 70 – ano que marcou o lançamento, nos Estados Unidos, do “Monday Night Football”, aquele programa de TV altamente lucrativo que veio para provar que é possível manter os homens acordados depois das 20h, se você transmitir esportes em um dia de semana (aproveitando a oportunidade para lhes vender um bocado de coisas).

Logo veio a ESPN, aquele canal-de-tudo-quanto-é-esporte-o-tempo-todo, ao qual seguiram-se outros canais dedicados ao golfe, rodeio, basquete, futebol, baseball, corrida de automóveis e todo tipo de esporte.

O panorama de atenção do homem americano passava por uma mudança profunda, e os garotos absorviam todas essas transformações.

Paralelamente, crescia o movimento feminista. As mães comemoravam o “Leve sua filha para o trabalho”. E os pais? Eles estavam ocupados levando seus filhos ao estádio ou assistindo pela tevê aos canais de esportes.

Será que existe uma relação entre a aversão dos garotos pelos estudos, acompanhado do declínio de seu desempenho acadêmico, e essa cultura masculina? Diga-me você, leitor. Com que frequência um pai leva o filho ao estádio em um dia e à biblioteca no outro? Adivinhe.

Pai, o que você tem feito pelo bem da mente de seu filho nos últimos tempos? Lembra-se daqueles castelos de areia? Envolva-se. Seu filho precisa de você. Nós precisamos de você. O país precisa de vocês dois.

(Via Como educar seus filhos. Tradução de brochura de Jim Trelease publicada originalmente aqui.)