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Ao viver na esperança do Senhor que vem, o fiel vigia e espera

Com a celebração do primeiro domingo do Advento, neste final de semana, a Igreja inaugura um novo ano litúrgico.

A comunidade de fé, fazendo memória, por meio da ação litúrgica da primeira vinda do Senhor, coopera para reacender nos fiéis a alegria da espera, a certeza da fé e a vigilância para a sua segunda vinda que é certa, embora não saibamos nem o dia, e muito menos a hora.

O tempo do Advento tem como objetivo colocar-nos, de novo, para dentro do princípio da história e da existência humana.

Neste tempo, a Igreja nos convida a redescobrir as raízes de nosso ser. Trata-se de descer em profundidade na história humana, de encontrar o nosso centro, aquele ponto de gravidade por onde passa o eixo do nosso equilíbrio pessoal.

Durante as quatro semanas que antecedem a celebração do Natal do Senhor, somos exortados a relançar raízes no mais profundo de nossa condição humana para, a partir desse núcleo, deixar-nos desafiar pelo Senhor para a missão de cooperar na obra de construção de um novo tempo, marcado pela paz e pela justiça. Das raízes profundas do ser humano brotam respostas criativas e duradouras às interpelações do Senhor à sua comunidade, constituída não simplesmente de adeptos, mas, sobretudo, de discípulos e discípulas, desejosos de fazer próprios os sentimentos Dele.

De forma ainda mais intensa durante o tempo do Advento, a comunidade cristã reflete sobre as promessas de Deus à humanidade ao longo da história e sobre o evento da encarnação do Senhor, em Belém da Judéia. Enquanto situada no tempo, ela, em atitude vigilante e de fé, espera e na alegria canta: “vem, Senhor Jesus!”

O Senhor vem para salvar o seu povo. Os fiéis, peregrinando no tempo, vivem a tensão entre o “já” da salvação realizada em Cristo e o “ainda não” da sua realização em nós, na expectativa da manifestação gloriosa do Senhor, justo juiz e salvador.

Ao viver na esperança do Senhor que vem, o fiel vigia e espera, esforçando-se para superar toda forma de comodismo e indiferença. Somos, assim, recordados da necessidade de cultivar a atitude característica dos “pobres de Jahwé”: a mansidão, a humildade, a disponibilidade, a confiança e a simplicidade de coração.

Neste período litúrgico, a Igreja convida os fiéis a dobrar os joelhos, em atitude de humildade e simplicidade, de prece e adoração. Somos, assim, convidados a abrir os olhos da mente e do coração para nos deixar surpreender pelo Senhor que vem envolto nos panos da nossa fragilidade humana. Ele se apresenta de forma despojada, simples, humilde e pobre. Ele se revela aos simples e pequeninos. Estes se aproximam do presépio, inclinam a cabeça, dobram os joelhos e contemplam. Contemplando, rezam e adoram; dispõem-se, assim, à aventura do encontro com o Senhor que se doa sem reservas, sem limites!

 

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