Receba o boletim diário da Aleteia gratuitamente no seu email.
Newsletter Aleteia: uma seleção de conteúdos para uma vida plena e com valor. Cadastre-se e receba nosso boletim direto em seu email.
Registrar

Sem condições de apoiar?

Veja 5 formas de você ajudar a Aleteia

  1. Reze por nossa equipe e pelo êxito de nossa missão
  2. Fale sobre a Aleteia em sua paróquia
  3. Compartilhe os artigos da Aleteia com seus amigos e familiares
  4. Desative o bloqueio de publicidade quando nos visitar
  5. Inscreva-se para receber nosso boletim gratuito e leia-nos diariamente

Obrigado!
Redação da Aleteia

Enviar

Aleteia

Jesus nasceu mesmo no “ano zero”?

NATIVITY SCENE
Compartilhar

Há quem pense que a Igreja Católica, por um decreto papal infalível, decidiu há vários séculos quando Jesus nasceu e quando tem início, portanto, o “ano zero” da nossa Era. Mas será que as coisas são realmente assim? A Igreja sabe mesmo em que ano nasceu Jesus?

A Era Comum, também chamada em latim aera vulgaris ou dionysiana, é uma forma de medição do tempo que adota como marco inicial de referência o ano 754 desde a fundação de Roma (abreviado como U.C.), porque, segundo os cálculos de Dionísio, o Exíguo, monge cita do séc. VI, Jesus teria nascido mais ou menos por essa época, considerada desde então como o “ano um” da Era Cristã.

O cálculo de Dionísio partia de duas informações: a) primeira, o fato de S. João Batista ter começado a pregar “no ano décimo quinto do reinado do imperador Tibério” (Lc 3, 1), ou seja, em 782 U.C.; b) segunda, o fato de Jesus ter começado o seu ministério público com “cerca de trinta anos” (Lc 3, 23), logo após ser batizado no Jordão. Com isso, Dionísio chegou à conclusão, nunca tomada nem por ele nem pela Igreja como certa e indiscutível, de que Cristo teria nascido ao redor do ano 752 ou 753 U.C.

Apesar de ter-se imposto e logrado ampla aceitação, o cálculo de Dionísio é sabidamente incorreto, com uma margem de erro de 4 a 7 anos, pois não leva em conta que Herodes, o Grande, sob cujo reinado nasceu Nosso Senhor, morreu em 750 U.C., o que torna incompreensível todo o relato da natividade. De fato, se Jesus nasceu após a morte de Herodes, não poderia ter sido perseguido nem, portanto, teria ocorrido o massacre dos inocentes de Belém. Além disso, sabemos que, antes do nascimento de Jesus, apareceu por aqueles tempos “um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra” (Lc 2, 1).

Com base nessas informações, convém deixar claro o seguinte. a) Antes de tudo, é bastante provável que Jesus tenha nascido depois de 746 U.C. Com efeito, o decreto de Augusto que instituiu o censo universal foi promulgado, com muita probabilidade, depois da pacificação do Império e do consequente fechamento, no ano 746 U.C., das portas do Templo de Jano, segundo os costumes romanos de então. b) Por fim, é quase certo que Jesus nasceu antes de 750 U.C., pois sabemos que foi nesse ano, no mais tardar, que morreu Herodes I.

À luz do pouco que sabemos, é preciso reconhecer que o ano em que Jesus nasceu não pode ser determinado com certeza. Não sabemos, por exemplo, qual é o intervalo de tempo entre o natalício do Senhor e a morte de Herodes nem quanto tempo se passou entre a visitação dos Magos e o nascimento de Jesus na gruta de Belém. É igualmente incerto, ademais, o ano em que César Augusto ordenou o recenseamento das províncias do Império.

A Igreja sempre teve consciência dessas dificuldades e, por isso, nunca impôs como “dogmas de fé”, por um decreto pontifício infalível, nem o cálculo de Dionísio nem a data em que tradicionalmente celebramos o Natal. Mesmo que o “ano um” não corresponda de fato ao ano do nascimento de Cristo, o que deve importar para um cristão não é a data precisa em que Ele nasceu, mas o fato incontestável de que Deus veio realmente fazer parte da nossa história, para habitar no meio de nós e dividir, como Alfa e Ômega de todas as coisas, a nossa vida em um antes e um depois de termos conhecido o seu amor.

Referências

  • O texto dessa resposta baseia-se quase integralmente em H. Simón, Prælectiones biblicæ ad usum scholarum. 2.ª ed., Taurini, Marietti, 1930, vol. 1, pp. 163-165, n. 110.

(via Pe. Paulo Ricardo)