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Redação da Aleteia

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Zona de conforto ou cativeiro?

IN THOUGHT
Shutterstock
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Para você que deixa de viver por medo de sofrer

Eu nunca tive uma memória boa. Sempre acho que perdi o celular em algum canto, que esqueci a luz acessa antes de sair, que não tranquei direito o portão na hora de ir pro trabalho.

E outro dia, como acontece geralmente, eu encasquetei que havia esquecido de pegar as chaves de casa, que não havia colocado na bolsa antes de sair. Na hora de voltar para casa, sabendo que não haveria ninguém para me atender caso eu estivesse mesmo sem as chaves, eu comecei a entrar em pânico imaginando todas as mil possibilidades de coisas que poderiam acontecer caso eu tivesse mesmo esquecido as chaves.

Imaginei o transtorno que seria ter de pedir ajuda para alguém. Me imaginei tendo que ir até a casa do vizinho, e caso ele também não estivesse em casa, me peguei pensando em mim sentada na calçada já tarde da noite, sem poder entrar.

Eu passei por toda essa angústia e desespero, criei inúmeros cenários na minha mente e sequer cogitei procurar a chave dentro da minha bolsa.

Fiquei alguns longos minutos pensando em como daria tudo errado se eu tivesse de fato esquecido as chaves. E só depois de longos minutos de martírio e culpa, eu pensei em olhar na bolsa, e adivinha? As chaves estavam lá. Sempre estiveram.

Mas a gente faz dessas coisas as vezes, não é mesmo? A gente precipita o sofrimento e começa a criar milhares de situações ruins, com finais ruins, com você sofrendo, sem sequer tentar, sem sequer arriscar a possibilidade antes. 

E assim, a gente corre um único e perigoso risco: O risco de nunca viver coisas novas.

Eu sei que você deve estar me achando maluca por fazer uma conexão entre achar que esqueci as chaves e perceber que as vezes nos falta confiança em nós mesmos, mas você pode olhar pela minha perspectiva maluca só um pouquinho?

Quanta coisa a gente deixa de viver por colocar na frente os possíveis finais tristes que se passam pela nossa cabeça? Quantas pessoas deixamos de conhecer, quantas histórias deixamos de protagonizar, por escolhermos ficar quietinhos na nossa zona de conforto?

Seu senso de autoproteção vai te fazer ser cauteloso quase sempre. E isso é bom, é necessário ter cuidado com seus próprios sentimentos, mas não torne essa zona de segurança em um cativeiro, no qual você se esconde não só de possíveis situações ruins, mas também de possíveis histórias felizes que você poderia viver.

Se eu tivesse desde o início dado ouvidos à minha razão e olhado dentro da mochila, se eu tivesse tido confiança em mim mesma, confiança de que não sairia de casa sem conferir se peguei as chaves, e de que mesmo que não tivesse pego, no final eu sobreviveria à uma possível situação de chegar em casa e não ter como entrar, se eu tivesse apenas me acalmado e analisado a situação com cuidado e confiança, eu não teria passado estresse nenhum, não teria me culpado por algo que não cometi.

Eu sei que você já deve ter se machucado em situações anteriores e esse trauma faz você querer ficar mais quietinha e evitar qualquer possível novo machucado. Eu sei o quanto é difícil confiar com o coração em caquinhos. Eu sei que você não faz mal e no fundo só está se protegendo por achar que o melhor a se fazer. Você não precisa se forçar a viver nada, nem se obrigar a superar um trauma fora do tempo. Só peço para que não deixe crescer dentro do seu peito um medo irracional de tudo dar errado. Não deixe o medo te impedir de continuar vivendo. Viva no seu tempo, com a confiança que você tem, com as feridinhas cicatrizando conforme querem, mas viva. Você é maior que esse medo de tudo dar errado. E com certeza você é forte o suficiente para superar caso algo dê errado e você precise recomeçar mais uma vez.

(via Prosa e poesia)

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