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‘Miss Inflação’ reina na queima de fogos da véspera de ano-novo na Venezuela

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Agências de Notícias - publicado em 30/12/18

"A Miss Inflação foi criada pelo que estamos vivendo na Venezuela, onde os preços sobem a cada hora"

Uma boneca robusta vestida de farrapos é a “Miss Inflação”; um carro velho repleto de malas e bandeiras de vários países retrata a migração sem precedentes: as calamidades da Venezuela se unem na queima da véspera de ano-novo, uma antiga tradição andina.

Em um país considerado uma fábrica de rainhas da beleza, Enrique Labrador, um mecânico de 53 anos, criou a “Miss Inflação” para representar a implacável escalada de preços estimada em 1.350.000% para este ano e 10.000.000% para 2019, segundo o Fundo Monetário Internacional.

Pulverizado pela hiperinflação, o salário mínimo de 4.500 bolívares – equivalente a cerca de seis dólares no mercado de câmbio paralelo – apenas dá para dois quilos de carne, o que levou milhões de pessoas a deixar o país.

“A Miss Inflação foi criada pelo que estamos vivendo na Venezuela, onde os preços sobem a cada hora. Isso passou dos limites”, comentou Labrador à AFP.

As cenas de figuras coloridas percorrem Táchira (oeste), estado fronteiriço com a Colômbia, onde todo 31 de dezembro é celebrado o ritual que busca deixar o mal para trás. As ruas de San Cristóbal, a capital, ficam cheias de bonecos que serão incinerados à meia-noite.

Ana Quintero, de 53 anos, que viu vários parentes partirem fugindo da crise, armou em frente a sua casa um cenário de migração que inclui um carro velho cheio de malas com uma família a bordo, um posto para carimbar passaportes e uma cerca onde se lê: “Adeus, Venezuela”.

A representação do Fusca Volkswagen será consumida pelo fogo. “Este ano haverá cinco cadeiras vazias na sala de jantar de nossa casa, é forte expressar essa dor que sentimos”, conta Ana com a voz embargada.

Labrador explica que a queima da véspera de Ano Novo é um costume para receber o novo com “boas energias”, incinerando as imagens de políticos que “se comportam mal”.

O atrativo das criações faz com que muitos se aproximem para tirar fotos.

Tradicionalmente a queima da véspera de Ano Novo é feita com pirotecnia, mas este ano será escassa pois os preços para adquiri-la estão longe do alcance da maioria.

(AFP)

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