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Bolsonaro assume a presidência e o Brasil entra na onda conservadora mundial

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Agências de Notícias - publicado em 01/01/19

Bolsonaro comprometeu-se a "desburocratizar o máximo possível" e "tirar o peso do Estado de cima de quem produz"

Jair Bolsonaro se tornará presidente do Brasil nesta terça-feira com uma agenda social conservadora e um programa de abertura econômica e alinhamento com os Estados Unidos que promete agitar a política interna e os equilíbrios regionais das últimas décadas.

Aos 63 anos, o ex-paraquedista assume as rédeas da maior potência latino-americana com uma forte legitimidade eleitoral.

Ele conquistou 57 milhões de votos (55% do eleitorado) levantando a bandeira de moralidade em um país esgotado por uma série de escândalos de corrupção tomaram conta do governo anterior, pela violência e a crise econômica.

A cerimônia em Brasília foi realizada sob um esquema de segurança extrema, sem precedentes para uma posse de um presidente no Brasil, e que incluiu o uso de sistemas antimísseis e aeronaves de combate.

Sobrevivente de facada em um atentado durante a campanha, ele atravessou a Esplanada dos Ministérios junto com sua esposa Michelle em um Rolls Royce conversível, como quer a tradição, não em um carro blindado.

Após a assinatura da ata que o transformará no 38º presidente da República brasileira, subiu a rampa do Palácio do Planalto, o momento mais esperado da cerimônia, quando recebeu de seu antecessor, Michel Temer, a faixa presidencial.

– Expectativa –

Ao menos doze chefes de Estado e de Governo estariam presentes na cerimônia, o mesmo número que participou na posse, em 2003, do petista Luiz Inácio Lula da Silva, que hoje paga uma pena de 12 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro.

Entre os dirigentes, figuram o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu e o secretário de Estado dos Estados Unidos, Mike Pompeo.

Não foram convidados o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nem o de Cuba, Miguel Díaz-Canel, considerados ditadores de esquerda pelo novo governo.

Desde as primeiras horas da manhã, os seguidores de Bolsonaro começaram a passar pelos controles de segurança da Esplanada dos Ministérios, onde centenas de milhares de pessoas eram aguardadas para festejar o novo presidente.

“A melhor expectativa do mundo com Bolsonaro. Acho que precisamos de alguém honesto, e acho que ele se encaixa nesse perfil. Ele vai ser bem”, afirma Marcelo Galasso, técnico de química de 48 anos, falando à AFP.

“Eu vim por causa do ‘Mito’. O ‘Mito’ é uma coisa que nunca vivemos antes na história do Brasil”, declarou à AFP Vandelice Morais, professora baiana de 67 anos, que chegou a Brasília junto a uma caravana de 35 pessoas.

“Como eu, ele coloca a família, a pátria e Deus em primeiro lugar”, acrescentou ela em meio à chuva fina que começou a cair no início do dia.

“Com ele, eu me sinto mais brasileira, mais patriota”, conclui a admiradora afro-brasileira.

O primeiro documento emitido pela Presidência indica que Bolsonaro enfatizou, nas suas quase três décadas como deputado, sua defesa “do porte de armas de fogo pelo cidadão do bem e do direito à legítma defesa”, uma das suas principais bandeiras de campanha em um país que em 2017 registrou o número recorde de 63.000 homicídios.

Segundo o documento, suas prioridades governamentais incluem a “desburocratização e a redução do Estado”, a “igualdade de oportunidades” e “o combate à corrupção”, depois de anos de escândalos gigantescos que deixaram o prestígio do país em frangalhos.

– Eixo EUA-Brasil-Israel –

Bolsonaro afirma que quer relações mais estreitas com os Estados Unidos e Israel, formando uma espécie de novo eixo que rompe com décadas de políticas de centro-esquerda que buscavam fortalecer laços e posições Sul-Sul e de posicionar o Brasil como um poder capaz de dialogar com todos.

Essa onda antiglobalização, conservadora e muitas vezes cheia de tintas autoritárias, também ganhou países como Itália, Hungria, Polônia, Filipinas, Rússia ou Turquia.

“Juntos, mas com outros países como Estados Unidos, que pensam e têm uma ideologia parecida com a nossa. Temos tudo para nos ajudar e fazer o bem para nossos países”, declarou Netanyahu na sexta-feira, no Rio de Janeiro.

Bolsonaro prometeu transferir a embaixada brasileira de Tel Aviv para Jerusalém, um passo que pode levar a represálias comerciais por parte de países árabes, grandes comparadores de carne brasileira.

Também anunciou a saída do Brasil do Pacto Global de Migração das Nações Unidas e ameaçou fazer o mesmo com o Acordo de Paris contra as mudanças climáticas.

E resta saber que tipo de relacionamento ele quer com a China, o principal parceiro comercial do Brasil, depois de acusar Pequim de “comprar o Brasil”.

– Governabilidade –

A partir desta terça-feira, Bolsonaro, que por quase três décadas foi um deputado pouco expressivo, terá que demonstrar se é capaz de colocar em prática suas promessas de banir os vícios da velha política brasileira e realizar seus programas de cortes fiscais e privatizações com que seduziu os mercados.

Sua equipe de 22 ministros, incluindo sete oficiais militares da reserva, é uma mistura de conservadorismo moral e liberalismo econômico.

Para garantir a governabilidade, deve manter a convergência dos lobbies das bancadas temáticas que deram a ele um suporte fundamental na campanha: os grandes produtores do agronegócio, as igrejas ultraconservadoras neopentecostais e os defensores da flexibilização do porte de armas.

Em questões econômicas, sua prioridade é processar no Congresso uma reforma da Previdência para reduzir seu impacto nas contas públicas. Uma medida altamente impopular.

Na última entrevista televisiva antes do final do ano, na rede Record, Bolsonaro comprometeu-se a “desburocratizar o máximo possível” e “tirar o peso do Estado de cima de quem produz” para impulsionar a economia.

Embora depois de sua vitória eleitoral tenha prometido governar “sem distinção de origem, raça, sexo, cor ou religião”, nos últimos dias ele multiplicou comentários belicosos no Twitter, sua arma de comunicação favorita, a exemplo do presidente americano Donald Trump.

(AFP)

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