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Roma: um filme para contemplar

ROMA
Netflix
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Disponível na Netflix, o mais recente filme do vencedor do Oscar Alfonso Cuaron é um grande elogio a uma jovem empregada que ajudou a criá-lo

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Roma é o mais recente filme do mexicano Alfonso Cuarón, vencedor do Oscar de melhor diretor com Gravidade. Está disponível na Netflix.

Mas não se deixe enganar pelo título. O filme de Cuarón não está centrado na capital italiana, mas em um bairro mexicano que leva o mesmo nome, no qual o diretor passou boa parte de sua infância.

De fato, Roma é uma memória grandiosa (em preto e branco) da Roma em que Cuarón viveu quando era criança, na qual as mulheres ocupam o lugar principal.

Os críticos e o público, quase ao mesmo tempo, aplaudiram Roma. Parece que há poucos aspectos negativos a sinalizar. E, se contemplarmos o filme nas condições certas (é preferível contemplá-lo a meramente assisti-lo), será possível perceber que, apesar do roteiro simples, o filme de Cuarón acaba tendo algo hipnótico.

Suas imagens são tão bonitas e bem cuidadas que em algum momento você se pergunta onde estaria o truque. De fato, como sempre no cinema, há um truque. Roma é provavelmente um dos melhores exemplos de adesão de efeitos especiais a um longa-metragem, porque eles são tão bem inseridos que dificilmente são perceptíveis. Sequências planas levadas ao delírio, fundos gerados por computador e falsas perspectivas da Cidade do México dão ao filme de Cuarón uma tonalidade pictórica.

Muitas vezes, tem-se a sensação de que se está contemplando uma pintura. Suas imagens trazem a profundidade necessária para ambientar os personagens, humildes e frágeis.

Em Roma, a atriz de origem Mixtec (uma minoria étnica no México) Yalitza Aparicio interpreta Cleo, uma jovem empregada doméstica em uma casa no bairro de Roma. Lá, Cleo vai coexistir com uma grande família.

Mas, na realidade, o que Roma narra é apenas mais um dos méritos do filme. O melhor do filme é a própria experiência de contemplá-lo. O filme é cheio de momentos lindos em situações cotidianas. É como se Cuarón nos dissesse: “lembre-se de que o seu cotidiano também tem sua beleza extraordinária”.

No filme de Cuarón, a protagonista absoluto é Cleo, que é enfocada através dos olhos de uma criança (o próprio Cuarón, o caçula da família), que parece colocar sua câmera sempre no centro da casa, em baixa perspectiva, como uma criança que observa o que acontece ao seu redor, com a magia de sua inocência.

A coisa interessante sobre tudo isso é que, no final, a grandiosidade técnica de Roma está a serviço de uma personagem. A agitação nas principais ruas da Cidade do México e o episódio dedicado ao massacre de Corpus Christi contextualizam Cleo. Uma jovem mixteca em um país onde, como o próprio Cuarón afirma, ainda existe muita segregação e desigualdade.

Cleo, portanto, é um quadro de uma bela e grandiosa imagem. Tudo é feito para nos ajudar a entender que, apesar de sua existência insignificante para muitos, Cleo é um ser humano que sofre e tem seus próprios conflitos. Algo que Cuarón também acabou entendendo sobre a jovem empregada doméstica que ajudou a cuidar dele quando criança, Libo, a quem ele dedica o filme.