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Arcebispo venezuelano: “A história dará o veredito sobre o juramento de Maduro”

HO / Venezuelan Presidency / AFP
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Ditador na prática, Maduro começa o segundo mandato presidencial sob acusações internacionais de ilegitimidade e imoralidade

O presidente da Conferência Episcopal da Venezuela (CEV), dom José Luis Azuaje, arcebispo de Maracaibo, afirmou que a história dará o seu veredito sobre o juramento de Nicolás Maduro para um novo período de 6 anos como “presidente” do país. O prelado usou os termos “ilegítimo” e “moralmente inaceitável” para descrever o governo do substituto de Hugo Chávez no processo de imposição do “socialismo bolivariano” ao povo da Venezuela, um processo que literalmente está destruindo o país e expulsando da pátria milhões de cidadãos empobrecidos.

Neste 10 de janeiro, Maduro dá início ao que é apresentado pelos seus partidários e por ele próprio como o seu segundo mandato presidencial, embora o regime que ele encabeça seja considerado ditatorial até mesmo por setores alinhados à esquerda, incluídos veículos de imprensa que se referem ao mandatário venezuelano explicitamente como ditador.

Mais de 40 governos de todo o mundo anunciaram que não o reconhecerão como presidente devido às muitas dúvidas que persistem em torno à legitimidade das eleições de 20 de maio de 2018, marcadas por alto índice de abstenção e por inúmeras denúncias de manipulação e coação.

Dom José Luis comentou no último dia 7, durante o seu discurso de abertura da Assembleia Ordinário da CEV em Caracas:

“O que é fato é que neste país estamos vivendo uma crise sem precedentes em todas as áreas, mas, infelizmente, aqueles que guiaram o governo nestes últimos anos, produzindo uma deterioração humana e social da população e da riqueza da nação, continuam no mesmo caminho, sem mudanças significativas para a economia e para a melhora das condições de vida dos venezuelanos. Por isso, o seu desempenho foi ilegítimo e moralmente inaceitável. Continuar da mesma forma significa levar as pessoas à beira do precipício”.

O arcebispo exemplificou o caos venezuelano citando os altos índices de pobreza, a hiperinflação, a corrupção, o colapso da saúde pública e a migração forçada de milhões de cidadãos para países vizinhos, além da brutal repressão contra os opositores, a violência incontrolável, a explosão do número de assassinatos em 2018 e a existência de centenas de presos políticos, tanto civis quanto militares, muitos dos quais comprovadamente torturados pelas forças do governo, conforme denúncia veiculada nesta semana por grupos internacionais de direitos humanos como a Human Rights Watch.

“Com esse panorama de deterioração, podemos imaginar os sofrimentos que as pessoas terão de enfrentar em mais um período deste governo se não forem feitas as correções necessárias, que passam por uma mudança integral de política e de atores políticos”.

Dom José Luis recordou que os bispos da Venezuela estão se empenhando em cumprir o apelo do Papa Francisco para permanecerem junto ao povo do país:

“Ele não nos pediu para estar próximos dos políticos e menos ainda do governo, mas sim do povo, porque é o povo quem sempre perde em toda disputa política e nos desajustes econômicos. Cada bispo, mesmo que não seja divulgado pela imprensa local ou nacional, está trabalhando na missão evangelizadora e na promoção humana, cobrindo todo o território nacional; não apenas com a sua presença, mas também com o trabalho dos párocos, dos religiosos e religiosas, dos diáconos permanentes, dos seminaristas e dos evangelizadores leigos”.

“No âmbito político, as pessoas estão como ovelhas sem pastor, sem projeto comum, e é difícil fortalecerem a cidadania e a consciência da corresponsabilidade política (…) A nossa consciência cristã deve nos comprometer cada dia mais (…) O Papa Francisco nos diz que ‘ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião à intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocuparmos com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciarmos sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos’. Esta afirmação tem sustento e sentido porque ‘uma fé autêntica envolve sempre um profundo desejo de mudar o mundo, de transmitir valores, de legar algo melhor depois da nossa passagem pela terra’. Por isso, cada um carregue as suas responsabilidades neste momento fatídico do país”.

“A política é um meio fundamental para construir a cidadania e as obras do homem, mas também é preciso advertir que quando aqueles que a exercem não a vivem como serviço à coletividade humana, ela pode se tornar instrumento de opressão, de marginalização e até de destruição”.

O arcebispo exigiu ainda o respeito à Assembleia Nacional, predominantemente de oposição, mas substituída pelo governo por uma Assembleia Nacional Constituinte cuja legitimidade também é amplamente questionada.

Dom José Luis destacou, por fim, que o episcopado venezuelano procura “incentivar a cultura do encontro entre os venezuelanos” sob o impulso da Doutrina Social da Igreja:

“É uma Igreja em saída, com as portas abertas. Não é qualquer saída, mas a saída missionária, paradigma de toda a obra da Igreja”.

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A partir de matéria da ACI Digital

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