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Redação da Aleteia

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Usando a tecnologia com sabedoria

ZAGROŻENIA ŻYCIA RODZINNEGO
Pexels | CC0
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Binóculos, lupas, celulares, computadores, nuvem: como utilizar bem o que Deus coloca em meu caminho?

Outro dia me deram binóculos de presente. Ao pegá-los, me perguntei: “Para que serve isso?”.

Na escuridão da noite, eu não conseguia ver nada. Não tinha luz. Tentei ver os objetos iluminados por lamparinas. Eles estavam bem perto. Mas tudo estava escuro. 

Só no dia seguinte, um dia ensolarado, voltei a tomar aos binóculos em minhas mãos e olhei pela janela. De repente, vi o que antes parecia longe. Enxergava tão bem o que estava distante. Parecia tudo tão próximo…

Será que os binóculos tinham conseguido mudar a realidade? Era um passe de mágica? Não, não era! O que antes estava longe continuava longe quando eu deixava o acessório de lado. Meu olhar não via nada sem essa ajuda. 

O funcionamento das lentes parece muito simples. Elas nos aproximam da realidade. 

Meus binóculos me permitem ver o que está longe. Mas não me deixa ver o que está aqui, perto. E assim também é a vida. 

Eu uso os binóculos e me fixo nos defeitos dos que estão longe. Vejo outras vidas distantes que admiro e julgo. Aprecio com clareza as virtudes dos que não estão perto. A distância não me permite aprofundar nem ver os detalhes. Só tenho uma imagem aparente. 

Os binóculos me ajudam a ver o pecado alheio. Mas não me deixam apreciar os meus. 

Não sei se eu deveria deixar de usá-los. Não sei se uma lupa seria melhor. Sim, uma lupa para ver minha própria vida em sua grandeza e em sua pequenez. 

Continuo pensando nos binóculos… Gosto deles porque vejo tantas coisas que, sem eles, é impossível… Penso na beleza que escapa ao meu olhar torpe e limitado, minha visão curta.

Como funciona a magia dos binóculos? Não sei. Mas estou me acostumando a usar coisas mágicas. A tecnologia torna possível o impossível. 

Recebo uma mensagem no WhatsApp sem esperar. Falo com alguém a milhares de quilômetros de distância. Assisto a um filme na tela do celular. Falo com o telefone e ele escreve ou faz o que eu peço. Subo documentos e fotos para a nuvem e posso acessá-los de qualquer lugar – e quando eu quiser. 

Parece magia. E eu me acostumo ao impossível, a usar a tecnologia como algo evidente. E me esforço quando as coisas não acontecem como eu quero. 

Meu conhecimento é limitado. Eu sei disso. Mas dou evidentes avanços, que, antes, eram impensáveis. Os binóculos estão distantes dessa câmera do meu computador, que me aproxima daqueles que estão a milhares de quilômetros. 

Creio que a tecnologia está a serviço do homem. E não o contrário. Não estou a serviço de meu celular, do meu computador nem da nuvem. Sou muito mais importante do que tudo o que eu tenho. 

O Papa Francisco já disse: “Jesus, ao mesmo tempo em que propunha um ideal exigente, nunca perdia a proximidade compassiva com os frágeis, como a samaritana ou a mulher adúltera”. 

Jesus olha longe. Observa com seus binóculos. Mas logo se aproxima – com sua lupa – do que sofre. 

Ele vê o bem e o mal. O erro e o acerto. Aprecia a dor e a alegria. Porque muitos extremos se mesclam na alma. Quase se confundem e acontecem no mesmo segundo. E Jesus vê tudo.  E quer que eu também veja tudo e o ame. Com meus binóculos. Com a lupa da misericórdia. Com o microscópio que vê todos os detalhes da generosidade que passa desapercebida aos olhos humanos.

Preciso de ajuda para ver mais. Preciso usar mais meus binóculos – e com sabedoria. E minha lupa. E me aproximar, guardando uma distância saudável. Como fazer isso?