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O necessário resgate do cavalheirismo

Photographee.eu/Shutterstock
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Cavalheirismo seria "tática de conquista"? Machismo? Ou será que ainda não entendemos o que realmente está por trás dos atos de gentileza masculina?

Em uma rápida busca pelo termo “Cavalheirismo” no Google, você há de se deparar com os seguintes conteúdos.

Primeiramente um texto chamado “Cavalheirismo é Machismo”. Um péssimo indicativo do tempos confusos em que vivemos. Mas não para por aí.

Logo abaixo, um texto que promete “lições de Cavalheirismo que podem deixar elas aos seus pés”. Também é algo problemático, pois revela um entendimento errôneo do cavalheirismo.

Como um apostolado católico, vemos a necessidade de resgatar o genuíno cavalheirismo, à luz da verdade cristã. Livre de fetiches ideológicos ou uma estética afetada.

Em um artigo intitulado “A Necessidade do Cavalheirismo”, C. S. Lewis apontou que duas virtudes aparentemente antagônicas constituíam o ideal de cavaleiro medieval: força e gentileza. Uma sem a outra gera um erro de extremos.

A força sem gentileza gera um bruto, um bárbaro, um bicho. O cavaleiro se converteria em um saqueador. São João Paulo II em um discurso a estudantes disse uma vez que há na natureza masculina corrompida uma tendência à conquista. Ao tomar sem pedir licença. À tirania. Podemos ver algo dessa tentação quando vemos a redução do cavalheirismo a uma estratégia para “deixar elas aos seus pés”. Mera tática de “caçada”.

Por outro lado, a gentileza sem a força traz um outro erro. O homem que é excessivamente delicado, tímido, e preza por agradar ao outro não importa a que custo. Ele não poderá ser um líder que anime seus semelhantes a buscarem grandeza e heroísmo se não estiver disposto a falar de maneira enérgica, a corrigir (o que implica em desagradar, muitas vezes), a tomar decisões difíceis. Para tudo isso é preciso de força. Esse erro, de gentileza sem força, é algo muito visível na geração do homem “feministo”, que sob a desculpa de quebrar paradigmas “culturais opressores”, transforma o homem em um molengão, incapaz de lutar por nobres ideais – ou de lutar pela honra de uma dama.

E aqui, nesse ponto levantado por C.S. Lewis, do homem forte e gentil, encontramos uma boa definição de cavalheirismo. A língua inglesa traduz cavalheiro por gentleman e essa é uma palavra muito feliz. Já mostramos como o Bem Aventurado Cardeal Newman definia o gentleman. Nos países anglo-saxões, o gentil-homem (tradução literal de gentleman) ilustra como deve ser o cavalheiro: o homem forte e gentil. É próprio da criança não saber controlar a própria força, e em uma brincadeira, empurrar o coleguinha sem querer. O homem adulto sabe usar a própria força.

O cavalheiro, tal como o cavaleiro, deve ser um homem capaz de proteger e servir com sua força. A gentileza põe a força a serviço do bom, do belo e do verdadeiro. E nada encarna mais tudo isso do que a mulher amada.

Como diria Chesterton, o feminino é o sexo mais belo.  E esse outro autor inglês, grande homem católico, nos ajuda a entender a postura do cavalheiro diante da mulher.

Disse sua secretária, posteriormente adotada como filha, Dorothy Collins:

Ele possuía um respeito místico pelas mulheres. Cheguei a vê-lo levantar-se de sua cadeira quando uma garotinha entrava na sala.

Esse “respeito místico pelas mulheres” era algo visível mesmo na forma que encarava sua esposa, Frances. Chegou a dizer a uma amiga, referindo-se a uma janela em um canto inusitado de sua casa:

Gosto daquela janela. Quando a luz atinge o cabelo de Frances, cria uma auréola a seu redor e faz com que ela se pareça um pouco mais com o que realmente é.

Essa postura mediante ao feminino vivida pelo Apóstolo do Senso Comum é reveladora e nos revela a maneira que um cavalheiro cristão deve olhar para a mulher. Não se trata idealizar a mulher, algo que é fruto de um sentimentalismo romântico, mas de reconhecer que o feminino é sagrado.

O cavalheiro dá lugar a uma dama para sentar-se, se oferece para carregar peso, ou fica sempre entre ela e a rua não porque a mulher é mais fraca. Ele o faz porque a mulher é mais sagrada e tudo o que é sagrado merece os melhores lugares. Merece ser preservado de tudo aquilo que é profano e vulgar.

Não pensem que é um exagero dizer que a mulher é sagrada. A natureza do feminino é algo de profundamente sacro. A Igreja, sacramento da salvação e Corpo Místico de Cristo é apresentada na Tradição como a Esposa. A alma humana que busca união íntima com Deus, na tradição mística que remete à Cântico dos Cânticos é tratada como alma esponsal. Enquanto entre os santos homens temos alguns místicos grandes como São Pio de Pietrelcina, São Francisco de Assis e São João da Cruz, entre tantos outros não místicos, praticamente todas as grandes santas são almas místicas. Porque o feminino é docilidade e entrega, e é o caminho que a alma deve trilhar.

Por fim, basta observar que o auge da Criação, o que há de mais sublime e belo, onde todas as graças se encontram, é uma mulher. A Mulher. A Santíssima Virgem e Mãe de Deus, Maria.

É por questão de sacralidade e piedade que devemos cuidar do linguajar na presença de uma mulher. Não por convenção social. É uma questão de reverência vestir-se melhor para a namorada ou noiva. É por reconhecer que elas são todas santuários, pois é o sexo feminino que carrega a vida no ventre, que devemos oferecer nossos guarda-chuvas, abrir as portas para elas e puxar cadeiras para elas sentarem. Nada disso é machismo, um rebaixamento da mulher: é reconhecer que o lugar delas é sagrado.

Resgatar o cavalheirismo cristão é bater de frente com o que há de mais atrasado no pior sentido do termo, o machismo; e combater a mais maléfica das modas, o feminismo. O cavalheiro cristão reconhece a dignidade da mulher e jamais há de ferir sua dignidade, por um lado. E por outro lado, esse reconhecimento lembra ao nosso tempo que o feminino é um privilégio, justamente por não ser igual ao masculino. A docilidade, a pureza e a delicadeza tão características do feminino, e tão atacadas pelo feminismo, são dons que devem ser reverenciados.

Que São José, o castíssimo esposo, o guarda da Virgem, nos conceda a graça de sermos fortes e gentis, e de enxergar em cada mulher – por mais difícil que seja – um pouco de Maria Santíssima.

 

(via Homem católico)