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Papa: “Rezar é dizer ‘Papai’ com a confiança de uma criança”

Pope General Audience
Antoine Mekary | ALETEIA | I.MEDIA
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“Dizer ‘Abbà’ é muito mais íntimo e comovente do que simplesmente chamar Deus de ‘Pai’: é ‘Papai’!”

Continuando a série de catequeses sobre o Pai-Nosso, o Papa Francisco se baseou hoje na Carta de São Paulo aos Romanos (8, 14-16) para falar sobre nossa filiação divina:

“Hoje partimos da observação de que, no Novo Testamento, a oração parece querer chegar ao essencial, até concentrar-se em uma única palavra: Abbà, Pai”.

Nesta invocação, disse o Papa diante dos 7 mil fiéis presentes na Sala Paulo VI, concentra-se toda a novidade do Evangelho:

“Depois de ter conhecido Jesus e ouvido a sua pregação, o cristão não mais considera Deus como um tirano a ser temido, não sente mais medo dele, mas floresce no seu coração a confiança nele: pode falar com o Criador chamando-o de ‘Pai’! A expressão é tão importante para os cristãos que, muitas vezes, é conservada intacta na sua forma original. Paulo a conservou intacta: ‘Abbà’”.

“É raro que no Novo Testamento as expressões aramaicas não sejam traduzidas para o grego. Temos que imaginar que, nestas palavras em aramaico, permanece como que ‘gravada’ a voz do próprio Jesus. Respeitaram o idioma de Jesus. Nas primeiras palavras do Pai-Nosso, encontramos imediatamente a novidade radical da oração cristã”.

Rezar o Pai-Nosso com verdade

Não se trata apenas de usar a figura do pai como símbolo, explicou o Papa:

“Dizer ‘Abbà’ é algo muito mais íntimo, mais comovente do que simplesmente chamar Deus de ‘Pai’. Eis porque alguém propôs traduzir esta palavra aramaica original, ‘Abbà’, como ‘Papai’! Nós continuamos a dizer ‘Pai nosso’, mas, com o coração, somos convidados a dizer ‘Papai’, a ter uma relação com Deus como a de uma criança com o seu papai… Na verdade, essas expressões evocam afeto, evocam calor, algo que nos remete ao contexto da infância: a imagem de uma criança completamente envolvida pelo abraço de um pai que sente infinita ternura por ela. E, por isso, queridos irmãos e irmãs, para rezar bem é preciso chegar a ter um coração de criança. Para rezar bem, não ter um coração autossuficiente: assim não se pode rezar bem. Mas como uma criança, nos braços do seu Pai, do seu Papai”.

“Deus só conhece amor”

São os Evangelhos que nos apresentam melhor o sentido desta palavra. O Pai-Nosso ganha mais sentido se aprendemos a rezá-lo depois de ter lido a parábola do Pai misericordioso (cf. Lc 15,11-32):

“Imaginemos esta oração pronunciada pelo filho pródigo, depois de ter experimentado o abraço de seu pai, que o havia esperado durante muito tempo: um pai que não recorda as palavras ofensivas que ele tinha dito; um pai que agora faz o filho perceber simplesmente a falta que sentiu dele. Então descobrimos como aquelas palavras ganham vida, ganham força. E nos perguntamos: como é possível que Tu, ó Deus, conheças somente o amor? Tu não conheces o ódio? Não, responderia Deus. Eu só conheço o amor. Onde está em Ti a vingança, a falsa justiça, a ira pela honra ferida? E Deus responderia: Eu só conheço o amor”.

A força da palavra “Abbà”

A forma como age o pai da parábola, observa o Papa, “recorda muito o espírito de uma mãe”, pois, no geral, são as mães que desculpam seus filhos, não rompem a empatia por eles, continuam a querê-los bem mesmo quando não “mereceriam” mais nada:

“Basta evocar esta expressão – Abbà – para que se desenvolva uma oração cristã. (…) Nesta invocação há uma força que atrai todo o resto da oração. Deus busca você, mesmo que você não O busque. Deus ama você, mesmo que você tenha se esquecido dele. Deus vê beleza em você, mesmo que você ache que desperdiçou todos os seus talentos. Deus é não apenas um pai: é como uma mãe que nunca deixa de amar a sua criação. Por outro lado, há uma ‘gestação’ que dura para sempre, bem além dos nove meses da gestação física, e que gera um circuito infinito de amor”.

A confiança de uma criança

Para um cristão, “rezar é simplesmente dizer ‘Abbà’, dizer papai (…), mas com a confiança de uma criança“.

Francisco acrescentou:

“Pode acontecer que nós andemos por caminhos distantes de Deus, como aconteceu com o filho pródigo; ou que nos precipitemos numa solidão que nos faça sentir abandono no mundo; ou ainda que erremos e sejamos paralisados por um sentimento de culpa. Nesses tempos difíceis, podemos ainda encontrar a força de rezar, recomeçando pela palavra ‘Abbà’, mas dita com o sentido terno de uma criança: ‘Abbá’; Papai! Ele não esconderá de nós o seu rosto. Recordem bem: talvez alguém tenha dentro de si coisas ruins, coisas que não sabe como resolver, muita amargura por ter feito isto ou aquilo. Ele não esconderá o seu rosto. Ele não se fechará no silêncio. Você diz ‘Pai’ e Ele responderá a você. Você tem um Pai! ‘Mas eu sou um delinquente’. Mas você tem um Pai que ama você. Diga a Ele ‘Pai’ e comece a rezar assim, e, no silêncio, Ele nos dirá que nunca nos perdeu de vista. ‘Mas, Senhor, eu fiz isto e aquilo’… ‘Mas eu nunca perdi você de vista. Eu vi tudo. Sempre estive ali, próximo de você, fiel ao meu amor por você’: esta será a resposta. Não se esqueçam nunca de dizer ‘Pai’. Obrigado!”.

 

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A partir de matéria do Vatican News

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