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Redação da Aleteia

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Encontrando esperança quando você é pai/mãe de um pré-adolescente

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Algumas coisas estão em hibernação, esperando que o ambiente certo se desenvolva e encontre seu momento

Espero que ninguém tenha moldado sua compreensão de mim baseado no meu eu de 12 anos de idade.

Nos diários angustiados de minha adolescência, o tempo que menos gosto de lembrar não é a adolescência, mas a pré-adolescência. Imprevisível, em turnos ensolarados ou mal-humorados, eu era uma mente crescente em um corpo desajustado, comportando-se, como minha mãe dizia, “de forma descontrolada”.

Isso me dá tanto medo quanto compaixão pelos meus dois filhos, agora pré-adolescentes. Numa época em que a capacidade crescente de raciocínio e compreensão ultrapassa o desejo de permanecer criança, pode haver muita decepção.

Como o meu filho mais novo disse depois do Halloween deste ano, “não é que não tenha sido divertido… mas eu costumava pensar que tudo era mágico. A escuridão e o vento faziam os trajes e o fantasma parecerem reais. Agora eu percebo que é apenas um monte de gente pegando doces”.

Esses pensamentos e sentimentos mais profundos representam uma miríade de emoções mais ampla (incluindo os tons fortes de angústia e aflição) em pessoas que ainda gostam de brincar no chão ou ler a parte de trás da caixa de cereal.

Eles acontecem em corpos que podem ser literalmente mais altos e mais largos do que na semana passada, em corpos desajeitados, muito magros ou gordinhos demais, presos em um terreno baldio entre crianças não-fofas e adultos não-esplendorosos.

Para ser totalmente honesta, minhas tentativas de compaixão têm falhas. O comportamento imprevisível deles me deixa frustrada. Eles parecem discordar de mais coisas do que eu pensava humanamente possível, junto com a persistência em discutir um com o outro. Em um nível físico, eles são muito maiores do que eu posso aguentar.

Isso veio à tona não muito tempo atrás, numa manhã nublada. Era um dia especial na escola – “Dia do Tapete Vermelho” – e meus meninos estavam tropeçando entre si procurando suas gravatas e abotoando seus casacos.

“Eu quero uma flor na lapela!”, exclamou o mais velho, faltando cinco minutos para sairmos. Olhei pela janela, para os restos do nosso jardim sob o céu cinzento, sombrio das chuvas frias, coberto de trevo meio crescido e folhas molhadas. Já havia ocorrido uma geada ou duas. Uma flor de novembro, pensei, boa sorte.

Em vez disso, eu peguei um flor de seda do último Natal em uma corrida de 30 segundos ao porão. “Legal!”, ele disse, e todos nós corremos pela porta.

Dois minutos depois, desespero. “Desmontou!”, ele gritou, com os punhos cerrados.

Eu olhei para o jovem no espelho, lutando contra as lágrimas; lutando contra a raiva de si mesmo por se importar, lutando contra as apreensões sobre seu corpo em crescimento, lutando contra as novas necessidades de óculos, gel no cabelo, sapatos de tamanho masculino.

Com os dedos cruzados, parei em um espaço verde da cidade. “Eu não sei se você vai encontrar alguma coisa”, eu disse. Ele saiu do carro e pulou na grama molhada. Poucos minutos depois, ele voltou: “Bem, é melhor do que nada”, enfiando um broto de flor em sua lapela.

Todos nós relaxamos e fizemos a viagem de 15 minutos para a escola, como de costume, com algumas brigas, algumas orações e canções, alguns trabalhos de casa esquecidos.

Quando entramos na fila, eu me virei para ele para dizer adeus e ofeguei. “Sua flor!”.

O broto triste e apertado aqueceu no calor do carro e na luz do sol embaçando as janelas, e nossa pequena estufa a obrigou a florescer, um amarelo radiante em seu traje azul-marinho, com a liberdade de um dia de primavera.

Ele olhou para mim, quando seu queixo caiu: “Oh, meu Deus, mãe!”. Ele mostrou para seus irmãos, todos nós incrédulos. “Graças a Deus”, eu me encontrei dizendo. Por este pequeno milagre. Este pequeno pedaço de esperança para o meu filho em luta.

Ele fechou a porta e saiu para o ensino médio, a flor amarela brilhando pelo caminho.

Senhor, pensei, é mais que a flor, não é? É a esperança de algo não resolvido. Está vendo que algumas coisas estão em hibernação, esperando pelo momento certo. São essas crianças; às vezes elas perdem a esperança – todos nós perdemos a esperança – de que o seu dia de desabrochar venha.

Tentarei lembrar daquela flor de novembro – e o Cristo de 12 anos no templo consternando seus pais, e o pré-adolescente Samuel acordando Eli à noite com suas perguntas confusas, e vendo meus filhos (e todos nós) – no plano de Deus, em seu campo, abrindo-se para a luz em seu tempo.