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Redação da Aleteia

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O dia em que minha perspectiva sobre o racismo mudou

MARTIN LUTHER KING JR.
AFP
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O crime de racismo continua presente entre nós, e eu vivenciei isso de forma assustadora

Celebramos o Dia de Martin Luther King Jr. a 21 de janeiro e rezamos para que seu “sonho” se torne realidade entre nós.

Eu costumo ser otimista por natureza. Quando se trata de racismo na América, eu gosto de pensar em termos do quanto avançamos, e não apenas no quanto ainda precisamos melhorar.

Gosto de focar no fato de termos tido um presidente negro cujos filhos brincavam no gramado da Casa Branca.

Também gosto de pensar em Martin Luther King Jr. e Rosa Parks e nos inúmeros ativistas dos direitos civis, que muitas vezes não têm nome, que trabalharam e ainda trabalham para que todas as pessoas sejam tratadas com a mesma dignidade e respeito.

Mas uma experiência pessoal pode mudar nossa perspectiva. E isso aconteceu comigo há não muito tempo. Eu acharia difícil de acreditar se não tivesse acontecido justamente comigo.

Era um dia comum, e eu havia estacionado em um posto de gasolina na minha pequena cidade. Imediatamente, vi duas crianças brancas no carro estacionado à minha frente. Elas estavam com o dedo médio em riste e gritavam com um negro que abastecia o carro dele na bomba ao lado.

“Ni ** er!” Elas gritaram de novo e de novo. “Matem o ni ** er !!!” Elas fizeram movimentos como se estivessem sufocando o próprio pescoço, “Mate-o!”

Eu fiquei horrorizada. Saí do meu carro e fui interceder, quando o homem que elas estavam ofendendo fez um sinal para mim. Seus olhos estavam arregalados, e ele balançou a cabeça claramente de um lado para o outro.

Percebi imediatamente que ele estava me pedindo para não intervir. No mesmo momento, um homem e uma mulher – presumivelmente os pais das crianças – saíram do minimercado. Ambos eram musculosos com as cabeças raspadas (incluindo a mãe).

Eles ouviram seus filhos gritando ameaças e, ao invés de corrigi-los, eles olharam para o homem bombeando gasolina e riram junto. Todo o tempo, eu fiquei ali chocada, tremendo e em silêncio, uma reação profundamente atípica para mim.

“Por que você não disse nada a eles?”, questionou meu marido quando contei o que tinha acontecido.

Demorei alguns segundos para responder. Minha cabeça estava doendo, e eu lutava para tentar processar aquela experiência sozinha.

“Eu estava sozinha”, eu disse, e me lembrei do olhar de orgulho do pai quando seus filhos gritaram insultos raciais. “Você deveria tê-los visto”, gaguejei, envergonhada por minha inação, mas ao mesmo tempo defensiva, diante das circunstâncias. “Foi como se eles quisessem uma briga.”

“Ainda assim”, continuou meu marido, “você deveria”…, e uma ladainha se seguiu.

Eu estava no balcão da minha cozinha, acenando com a cabeça, concordando com tudo o que ele dizia enquanto nossos filhos ficavam por perto, fazendo perguntas sobre racismo, perguntas que eram difíceis de responder.

Lembro-me de ter caído no sofá depois daquela conversa, chateada e exausta. Claro, as sugestões do meu marido faziam sentido, mas lá no posto de gasolina, no calor do momento, quando confrontada com o horror do racismo, nenhuma verdade sobre a igualdade e a justiça vieram à minha mente.

Porque eu estava apavorada. Eu só queria chegar em casa em segurança e cuidar dos meus filhos.

Eu pensei muito sobre o homem vítima das ofensas daquelas crianças e dos pais delas. Ele disfarçou um sorriso quando passou por mim. “Simplesmente ignore-os”, ele disse de modo gentil, demonstrando preocupação comigo. “Esse é o melhor caminho.”

Talvez essa alma generosa tenha ficado tão assustada quanto eu, mas ele lidou com a situação muito melhor, provavelmente porque tenha passado por incidentes semelhantes antes.

Eu nunca havia vivenciado aquele tipo de risco por simplesmente pensar em interceder pelo que é certo. Eu só posso imaginar o quão mais assustadora foi essa experiência para a vítima real, o homem que foi alvo daquele crime de ódio.

Dei um suspiro de alívio quando o homem foi embora sem mais incidentes. Ele era gentil e calmo. Eu imaginei que ele quis evitar qualquer briga. Mas, provavelmente, ele tenha aprendido que reagir em situações assim poderia implicar graves riscos pessoais.

Mas a sua capacidade de lidar com a situação e ainda assim me proteger foi notável. Ele não se sentiu ameaçado. Sem dúvida, ele sentiu o gosto amargo do racismo, que ainda persiste mesmo depois de mais de 50 anos do famoso discurso de Martin Luther King.

Uma Oração pela Eliminação do Racismo pelas Irmãs da Misericórdia

Deus bom e cheio de Graça, Tu nos convida a reconhecer e reverenciar sua imagem e semelhança divina em nosso próximo. Permita-nos ver a realidade do racismo e liberte-nos para desafiá-lo e eliminá-lo de nossa sociedade, do nosso mundo e de nós mesmos. Amém.