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Alegria e esperança entre opositores na Venezuela

GUAIDO
José Cohén
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O agravamento da crise na Venezuela pode chegar à mesa da reunião informal de chanceleres europeus na semana que vem

Um grito de alegria e esperança de milhares de manifestantes opositores ecoou nesta quarta-feira (23) em Caracas, após o presidente do Parlamento, Juan Guaidó, se proclamar presidente interino da Venezuela.

“O que aconteceu hoje nos dá esperança, este povo vive hoje um dia de esperança, é uma necessidade clara de que sigamos adiante”, disse à AFP José Gregorio Flores, professor universitário de 43 anos, após participar da passeata convocada por Guiadó para pressionar por um “governo de transição”.

Flores considera que agora é preciso apoiar o parlamentar “em tudo” para que acabe a “usurpação” da presidência por parte de Nicolás Maduro.

Momentos antes, o deputado de 35 anos tinha jurado de um palanque, diante de milhares de opositores, “assumir formalmente as competências do Executivo Nacional”.

“Tudo o que ele disser, teremos que apoiá-lo, ele disse que não quer se tornar o presidente eterno da Venezuela, ele tem que convocar eleições, e (…) este povo está na rua e apoiando-o”, continuou Flores.

Enquanto ao seu redor outros manifestantes buzinavam e hasteavam bandeiras da Venezuela, Flores lembrou dos 2,3 milhões de cidadãos que, segundo a ONU, migraram desde 2015 em meio a uma crise econômica e social, com escassez de alimentos e medicamentos e uma hiperinflação.

“A maioria dos amigos das pessoas na lista de contatos do telefone agora diz ‘Argentina’, ‘Brasil’, ‘Equador’, ‘Estados Unidos’. Precisamos que voltem, que nos ajudem a reconstruir este país”, disse, abraçado à esperança de que o governo de Guaidó – já reconhecido por diversos países – se concretize.

Grande parte da comunidade internacional já não tinha reconhecido o segundo mandato presidencial de Maduro, que começou em 10 de janeiro.

– ‘Nosso presidente’ –

Diante dos manifestantes na zona leste de Caracas, Guaidó garantiu: “Sabemos que isso vai ter consequências, sabemos o que é necessário para nos mantermos nas ruas da Venezuela até alcançar a democracia. Não vamos permitir que este grande movimento de esperança e força nacional se esvazie”.

Eufórica após escutar as palavras do jovem líder opositor, Estelvi González garantiu que “vamos defender Juan Guaidó como tem que ser, porque aqui não vamos nos assustar mais”.

“O nosso presidente já é Juan Guaidó, estamos aqui para lutar contra tudo”, afirmou a advogada, em meio a gritos de “Viva Venezuela” e “Fora, Maduro!”.

Yosmar Cabrea, comerciante de 30 anos, já estava saindo da manifestação com sua família quando chegou aos seus ouvidos a notícia da autoproclamação de Guaidó.

“Isso é o começo de uma nova esperança, um novo tempo, uma nova etapa, vou viver algo novo”, disse emocionada à AFP, lembrando que tinha apenas 10 anos quando começou o governo do falecido Hugo Chávez, em 1999.

– Vigília em torno a Maduro –

Dezenas de milhares de seguidores de Maduro também marcharam nesta quarta-feira em Caracas e outras cidades do país para defender o segundo governo do mandatário socialista e rechaçar o que consideram um golpe de Estado em curso.

Em resposta à autoproclamação de Guaidó, o número dois do chavismo, Diosdado Cabello, pediu para os participantes de uma manifestação chavista instalarem uma vigília permanente em frente ao palácio presidencial de Miraflores para apoiar Maduro.

“Vamos todos em ordem ao palácio de Miraflores dar nosso apoio ao irmão Nicolás Maduro. E o que quer ser presidente que venha buscá-lo no Miraflores, onde estará seu povo defendendo-o”, desafiou Cabello.

Atendendo a seu pedido, milhares de manifestantes vestidos de vermelho caminharam várias quadras da praça O’leary até o palácio de governo.

Reação Internacional

A União Europeia (UE) mostrou extrema prudência sobre a atitude a adotar na crise venezuelana, que evolui rapidamente, tentando não queimar uma iniciativa de diálogo em um país com uma forte comunidade europeia.

Nem a favor, nem contra, nem todo o contrário. A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini, em nome dos 28, pediu que ouçam o “chamado maciço à democracia” do povo da Venezuela e solicitou a realização de “eleições livres”, mas não reconheceu Guaidó como presidente interino.

“A UE não reconhece os governos, somente os Estados”, defendeu a porta-voz da diplomacia comunitária Maja Kocijancic. Mas, como confessa um diplomata europeu, “a declaração de Mogherini é o máximo que podia ser feito” de forma unânime pelos 28.

Diferentemente dos Estados Unidos, que reconheceu em menos de 30 minutos a autoproclamação de Guaidó, os europeus demoraram a marcar sua posição, que chegou depois que o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, pediu que se unissem “em apoio às forças democráticas”.

“A postura europeia é bastante razoável” diante da situação “confusa” e “mutável”, disse a AFP o pesquisador do Real Instituto Elcano Carlos Malamud, para quem “manter a cabeça fria e favorecer as posturas de diálogo em ambos os setores não é uma posição ruim”.

“A nossa posição é mais suave porque o contexto impõe prudência”, explicou o diplomata europeu. E tudo isso apesar de os Estados Unidos “terem informado previamente da sua decisão” de reconhecer Guaidó, revelou outro diplomata europeu.

Uma amostra do difícil equilíbrio no seio da União Europeia é o incômodo do chanceler espanhol, Josep Borrell, nesta quinta-feira, pelo “protagonismo” que “alguns” querem ter, depois do tuíte do presidente francês, Emmanuel Macron, no qual qualificava de “ilegítima” a eleição do presidente Nicolás Maduro.

– ‘Romper todas as pontes’ –

Desde a morte de 125 pessoas entre abril e julho de 2017 em manifestações opositoras, e a posterior eleição de uma governista Assembleia Constituinte, a UE sempre resistiu em romper os canais de comunicação com Maduro, apesar de já ter adotado sanções.

A porta-voz comunitária, que por 17 minutos respondeu a questões relacionadas à Venezuela em coletiva de imprensa, confirmou que a opção de lançar um Grupo de Contato Internacional para alcançar uma solução negociada “continua sobre a mesa, mas agora estão focando na situação atual”.

Para Malamud, se a UE “reconhecer Guaidó como a única autoridade legítima da Venezuela, isso supõe romper todas as pontes com o chavismo”, recordando que a falta de diálogo entre governo e oposição complicou a “saída de ditaduras” no Egito e na Líbia.

O também catedrático da universidade espanhola UNED considera como “uma solução possível” esse grupo de contato e assegura que, diante da polarização lógica dos países americanos a favor e contra Maduro, a UE poderia se apoiar em sócios como México e Uruguai, que têm “uma posição intermediária”.

De Davos, o presidente espanhol, Pedro Sánchez, falou nesta quinta-feira com Guaidó para explicar a posição da UE “em favor da realização de eleições livres”, o que também expôs aos presidentes de Colômbia, Equador e Costa Rica na cidade suíça.

– ‘Principal preocupação’ –

A comunidade de europeus na Venezuela, “um milhão” segundo Borrell, e a instável situação no país, onde organismos de direitos humanos dão um balanço de ao menos 16 mortos desde terça-feira no âmbito dos protestos contra Maduro, também explicam a extrema cautela.

A primeira reação do chanceler espanhol na quarta-feira foi que “a nossa principal preocupação é a situação da colônia espanhola no país”. Seu contraparte alemão, Heiko Maas, apelou de Washington que assegurem que “a violência não exploda nas ruas e ninguém saia ferido”.

A UE monitora a situação, principalmente quando Maduro conta com o apoio do Exército e a oposição convocou uma grande marcha para o início de fevereiro. O bloco advertiu Caracas sobre o uso da força e a “sua posição pode evoluir”, disse um diplomata.

O agravamento da crise na Venezuela pode chegar à mesa da reunião informal de chanceleres europeus na semana que vem em Bucareste, em um contexto de pressão feita pela centro direita do bloco para que a UE reconheça Juan Guaidó como presidente.

O chefe das fileiras do PPE (direita) na Eurocâmara, Manfred Weber, assegurou que seu grupo “reconhece” o opositor como “presidente interino”. “Na semana que vem pediremos na Eurocâmara que a UE o reconheça oficialmente”, acrescentou.

(AFP)

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