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Redação da Aleteia

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Como é viajar no mesmo avião que o Papa Francisco?

POPE, AIRPLANE
I-Media
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O Santo Padre aterrissou no Panamá para a JMJ. Um colaborador da Aleteia estava no avião papal e relata como foi a viagem

Quando o líder da Igreja Católica viaja para fora da Itália, sempre vai acompanhado por um grupo de cerca de 70 jornalistas do mundo inteiro. Esses profissionais têm a oportunidade de vivenciar a viagem apostólica mais perto do Papa e ver os acontecimentos da mesma perspectiva que ele. 

Para esta vigésima sexta viagem ao exterior, o destino é o Panamá e a Jornada Mundial da Juventude. 

Como ninguém quer que o Papa Francisco fique esperando, os jornalistas devem chegar ao aeroporto de Roma quatro horas antes da partida (desta vez, as cinco horas da manhã). A partir deste momento será uma constante: para seguir uma viagem apostólica é preciso levantar muito cedo e esperar muito tempo. 

Felizmente, o trânsito a caminho do aeroporto é quase inexistente a essa hora. Por isso, não é necessário ter pressa. Malas despachadas, é hora de passar pelos controles de segurança e de encontrar com os outros jornalistas. Apesar de ser madrugada, este é um momento de grande euforia e alegria por nos reunirmos e vivermos juntos os acontecimentos. 

O momento do embarque é às 08h20. A aeromoça verifica o cartão de embarque e o guarda juntamente com o passaporte. Será que é para evitar que alguém os perca e deixe todos plantados na metade da viagem? Seja como for, o jornalista não poderá ter o documento de volta até o voo de regresso a Roma. Por outro lado, todos recebemos uma identificação chancelada pelos organizadores da visita. Graças a esta credencial, é fácil se deslocar pelos locais que receberão o Santo Padre. 

O escudo do Vaticano bordado nos bancos do avião.

Cerca de 15 minutos depois, todos os jornalistas estão instalados a bordo. Os cinegrafistas aproveitam para montar suas câmeras nos tripés e os jornalistas de rádio conectam seus gravadores. Durante este momento, os assistentes distribuem o plano de voo e o menu. Em torno das 09h30, o Papa Francisco sobre no avião. A chegada dele é muito discreta e os jornalistas não percebem que ele está lá.

“Sua Santidade, prezados membros da comitiva pontifícia, prezados jornalistas…” O piloto dá as boas-vindas aos passageiros e diz que está pronto para decolar. Enquanto as telas transmitem as habituais informações de segurança, o avião acelera na pista. Aos poucos, perde o contato com o solo. O Papa já está a caminho do Panamá!

Recordações de um falecido jornalista 

Quando o Papa está a bordo, as companhias aéreas adoram oferecer seus melhores serviços. O voo não tinha nem meia hora quando serviram um maravilhoso café da manhã, que, com certeza, foi engolido muito rapidamente porque o chefe da Igreja gosta de saudar os jornalistas pouco depois da decolagem. Durante este tempo, um funcionário do Vaticano faz os testes de som: “Teste, um, dois, teste, um dois”.

Há agitação na cabine e as cortinas que separam as diferentes classes são abertas. São 11 da manhã e o Papa Francisco aparece. Como de costume, ele agradece aos jornalistas pelo trabalho realizado. O Soberano Pontífice começa lembrando um jornalista falecido recentemente, um correspondente da agência russa TASS no Vaticano. 

Visivelmente triste, o Papa convida os jornalistas a ficarem com ele em silêncio. Depois de alguns instantes, inicia um Pai-Nosso e os passageiros o acompanham. 

No corredor do avião, o Papa cumprimenta os jornalistas.

O sucessor de Pedro toma o microfone e cumprimenta os 70 jornalistas. Presentes, orações, selfies: cada um se preparou para esse momento. É preciso dizer que é muito difícil trocar algumas palavras com liberdade com o Pontífice. Certamente, todos estão mais atentos às palavras do Papa. Como quando ele diz que viajará ao Japão em novembro. Ou quando ele afirma que não sabe se estará vivo em fevereiro de 2020. Ao todo, os cumprimentos duram quase uma hora.

 Mais que uma competição, entre os jornalistas se vive uma atmosfera de cooperação a bordo. A regra é que as palavras do Papa só podem ser publicadas a partir das 13h de Roma. Então, cada um começa a escrever e a transmitir as informações aos colegas que ficaram nas redações. Saturada, a fraca conexão Wi-fi do avião não aguenta o grande fluxo de conexões. É preciso tentar várias vezes enviar as notícias. Enviamos os textos e imagens, mas o trabalho ainda não terminou. 

Temos que aproveitar as muitas horas de voo restantes para preparar os futuros artigos, que serão publicados no decorrer da JMJ. O voo também é uma oportunidade para conhecer os outros jornalistas, especialmente os que vieram do Panamá (para eles, talvez, esta é a primeira viagem em companhia do Papa). 

O almoço – com qualidade acima da habitual entre as companhias aéreas – começa a ser servido. Neste momento, alguns ainda continuam brigando com o Wi-fi para transmitir as novidades que estão dando a volta ao mundo. Enquanto isso, as palavras do Papa Francisco sobre sua viagem ao Japão são atualizadas pelo Vaticano: a viagem, por enquanto, está sendo estudada. 

Reportagens a partir do avião papal 

Por mais papal que seja, o trajeto de Roma ao Panamá não deixa de ser longo. Enquanto alguns assistem a um filme na tela individual, outros tentam dormir e alguns vão para os fundos do avião, onde são servidas bebidas, aperitivos e doces. Os jornalistas comparam as viagens papais às campanhas políticas: é preciso aproveitar para dormir, comer e ir ao banheiro. É que, quando chegam ao destino, será uma correria ininterrupta até o retorno a Roma. 

Depois do descanso, é hora de retornar à atividade. Os repórteres de TV começam a finalizar suas matérias no avião. Na frente das câmeras, vão para os corredores e gravam seus textos, sem deixar de sorrir. Uma, duas, três vezes… Eles fazem isso até conseguirem uma boa tomada – um desafio a 10.000 metros de altitude. Outros jornalistas não têm a sorte de serem acompanhados por um cinegrafista. Por isso, usam seus celulares e um pau de selfie para as gravações. 

Cerca de duas horas da chegada ao aeroporto de Panamá, os tripulantes oferecem uma terceira – e última – refeição. Embora a companhia aérea chame de snack, trata-se de um verdadeiro jantar. 

Depois, é hora de se preparar para aterrissar. Alguns dão a última revisada em seus artigos, arrumam os equipamentos e o avião já sobrevoa o famoso Canal de Panamá.

Depois de quase 12 horas, o avião toca o solo panamenho. A vigésima sexta viagem apostólica de Francisco pode começar!