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Maria Santíssima, a grande mulher

SAINT MARY

Public Domain

Vanderlei de Lima - publicado em 28/01/19

Aprendamos a recorrer à Virgem Maria para que, como em Caná, sempre interceda por nós junto a seu filho e nosso irmão, Nosso Senhor Jesus Cristo

Algumas pessoas julgam estranhas ou mesmo depreciativas as passagens bíblicas nas quais Nosso Senhor se refere à sua Mãe, Maria Santíssima, chamando-a de “mulher”. Este artigo deseja esclarecer a questão.

É depreciativo o Senhor chamar Nossa Senhora de mulher? – Não. O apelativo “mulher” que aparece pela primeira vez em Jo 2,4 tem significado teológico muito profundo na obra redentora de Cristo, de modo que, conforme o Papa São João Paulo II, ele “não contém em si nenhuma conotação negativa e será de novo usado por Jesus em relação à Mãe, aos pés da Cruz (cf. Jo 19,26). Segundo alguns intérpretes, este título ‘mulher’ apresenta Maria como a nova Eva, Mãe de todos os crentes na fé” (A Virgem Maria: 58 catequeses do Papa sobre Nossa Senhora. 2ª ed. Lorena: Cléofas, 2001, p. 110).

Mais adiante, o mesmo Papa retoma esse ensinamento dizendo que “a maternidade universal de Maria, a ‘Mulher’ das bodas de Caná e do Calvário, recorda Eva, ‘Mãe de todos os viventes’ (Gn 3,20). Contudo, enquanto esta contribuíra para a entrada do pecado no mundo, a nova Eva, Maria, coopera para o evento salvífico da Redenção. Assim, na Virgem, a figura da ‘mulher’ é reabilitada e a maternidade assume a tarefa de difundir entre os homens a vida nova em Cristo” (idem, p. 116).

Mais: “Gn 2 é a imagem inversa do episódio em Caná. Como Eva incitou Adão a desafiar o Senhor e levar a família humana ao pecado, também Maria incita Jesus, o novo Adão, a iniciar sua missão de salvação. A descrição de Maria alude a Gn 3,15, onde Javé fala de uma ‘mulher’ cujo filho irá esmagar o diabo sob os pés (CIC 489, 494)” (Scott Hahn; Curtis Mitch. O Evangelho de S. João. Campinas: Ecclesiae, 2015, p. 32).

Ainda: que dizer de Mt 12,46-50, Mc 3,31-35 e Lc 8,19-21? – Respondemos que os episódios, via de regra, são os seguintes: pessoas avisam o Senhor Jesus de que sua Mãe e seus irmãos o aguardam, mas Ele responde que sua Mãe e seus irmãos são aqueles que cumprem a sua palavra. Daí alguns verem nisso um menosprezo à Virgem Maria. No entanto, Salvador Iglesias comenta que “em ambos os casos, a evasiva de Jesus converte-se no mais elogioso louvor – ainda que velado – da sua Mãe. Por que, quem como Ela escutou a Palavra de Deus e a cumpriu?” (O Evangelho de Maria.São Paulo: Quadrante, 1991, p. 117).

Dito isso, leiamos o que de belo o Papa São Paulo VI escreveu sobre Nossa Senhora, no Credo do Povo de Deus, de 30 de junho de 1968, nos números 14 e 15: “Cremos que Maria Santíssima, que permaneceu sempre Virgem, tornou-se Mãe do Verbo Encarnado, nosso Deus e Salvador, Jesus Cristo (cf. Concílio de Éfeso: 251-252); e que por motivo desta eleição singular, em consideração dos méritos de seu Filho, foi remida de modo mais sublime (cf. Concílio Vaticano II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, 53), e preservada imune de toda a mancha do pecado original (cf. Pio IX, Bula Ineffabilis Deus); e que supera de longe todas as demais criaturas, pelo dom de uma graça insigne (cf. Lumen Gentium, 53)”.

Continua: “Associada por um vínculo estreito e indissolúvel aos mistérios da Encarnação e da Redenção (ibidem 53, 58 e 61), a Santíssima Virgem Maria, Imaculada, depois de terminar o curso de sua vida terrestre, foi elevada em corpo e alma à glória celestial (cf. Constituição Apostólica Munificentissimus Deus); e, tornada semelhante a seu Filho, que ressuscitou dentre os mortos, participou antecipadamente da sorte de todos os justos. Cremos que a Santíssima Mãe de Deus, nova Eva, Mãe da Igreja (cf. Lumen Gentium, 53, 56, 61 e 63; Paulo VI, Alocução na conclusão da 3ª Sessão do Concílio Vaticano II; Exortação Apostólica Signum Magnum), continua no céu a desempenhar seu ofício materno, em relação aos membros de Cristo, cooperando para gerar e desenvolver a vida divina em cada uma das almas dos homens que foram remidos (cf. Lumen Gentium, 62; Paulo VI, Exortação Apostólica Signum Magnum)”.

Aprendamos a recorrer à Virgem Maria para que, como em Caná, sempre interceda por nós junto a seu filho e nosso irmão, Nosso Senhor Jesus Cristo.

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