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Por que usamos roupas?

ADAM I EWA W RAJU

Wikipedia | Domena publiczna

Lírio entre Espinhos - publicado em 29/01/19

Entenda o corpo antes e depois do pecado original

Este artigo reflete sobre uma pergunta que já pode ter passado pela sua cabeça, confira:

“Disse Jesus: “No princípio não era assim”
(MT 19,3 E MC 10,2)

O corpo antes do pecado original

Usamos roupas. Isso é uma constatação. Mas, será que algo tão normal, ou nem tão normal assim já que atualmente a moda é despir-se, tem alguma finalidade?

Para entender porque nos vestimos é preciso voltar lá atrás, na história da Criação. É necessário entender como era o corpo segundo o plano original de Deus para então captar o que mudou e que forças entraram em cena depois do pecado original.

Compreendendo assim a raiz e a essência desse acontecimento fundamental, seremos capazes de entender a decadência moral em que vivemos e como podemos revertê-la!

No princípio, Deus criou o homem e a mulher. Em Gênesis 2,25 está escrito: “Estavam ambos nus mas não sentiam vergonha.” O que significa o fato de não sentirem vergonha de estarem nus? Isto descreve o estado de consciência de ambos; e, mais ainda, a sua recíproca experiência do corpo.

É necessário salientar que se trata de uma verdadeira “não-presença” da vergonha, e não de uma carência (falta de vergonha) ou subdesenvolvimento dela (perspectiva infantil do corpo). As palavras de Gênesis servem para indicar a plenitude de consciência e de compreensão do fato de “estarem nus”.

Aqui estamos tratando da criação do corpo como Deus o pensou e antes do pecado original. Na criação, o corpo, através da própria visibilidade apresenta o homem e, manifestando-o, o faz de intermediário, isto é, faz com que o homem e a mulher, desde o princípio, “comuniquem-se” entre si segundo aquela comunhão pessoal querida pelo Criador.

Diante de toda a criação, Adão não reconheceu nada semelhante e ele. Mas, ao ver a mulher, ficou admirado e reconheceu nela sua semelhante. Ao concluir Sua obra, Deus decide dar ao homem um auxiliar que lhe correspondesse; por isso, conduz a Adão todas as feras selvagens e todas as aves do céu e fá-las desfilar ante seus olhos para ver como ele as chamaria (cf. Gn 2, 18-9). Este trecho da narrativa bíblica já delineia uma peculiaridade muito significativa do modo de ser do varão, a saber: ele se guia sobretudo pela visão. Tendo enfim contemplado toda a criação e dado nomes às feras selvagens, Adão não encontrou entre os animais nenhuma companheira que lhe estivesse à altura. O Senhor então fez cair sobre ele um torpor, tomou “uma de suas costelas e fez crescer carne em seu lugar. Depois da costela que tirara do homem, Deus modelou uma mulher e a trouxe ao homem” (Gn2, 20-1); vendo-a, Adão exclama, admirado: “Esta, sim, é osso de meus ossos e carne de minha carne! Ela será chamada ‘mulher’ [‘îsha], porque foi tirada do homem [‘îsh]” (Gn 2, 23).

Simples e singela, a admiração de Adão ao ver Eva pela primeira nos dá a conhecer tanto o desejo de Deus para a relação entre eles quanto a dinâmica deste relacionamento antes da queda: há na mulher, como dissemos, uma beleza própria e fundamental que, traduzindo ao seu modo a própria beleza divina, encanta e eleva o homem.

Desta forma, o corpo nu não era um empecilho para a visão do homem ou da mulher, mas sim um meio, um intermédio que apontava, que encaminhava para Deus. Adão e Eva viam através de seus corpos o interior , a ”alma”, um do outro. A nudez original não era simplesmente do corpo, mas expressava também a plenitude interior da “imagem de Deus”.

Deus, segundo as palavras da Sagrada Escritura, penetra na criatura que diante dele está “nua”. Todas as coisas diante Dele estão descobertas. Segundo esta medida o homem está verdadeiramente nu, antes ainda de o reconhecer.

Esta nudez nos mostra que, antes do pecado, homem e mulher não olhavam-se como objetos de desejo, mas sim como sendo um dom de um para outro. Sabiam que, de certa forma, sempre estariam <sós> pois só Deus seria capaz de saciá-los. E, estando cheios de Deus, eram livres e capazes de serem dom de um para o outro.

Estavam nus pois sua visão não era turva. Os olhos contemplavam o mistério da criação. Estavam diante um do outro como estavam diante de Deus.

Dava-se à nudez o significado de bem original da visão divina. Significa toda a simplicidade e plenitude da visão através da qual se manifesta o valor “puro” do homem (criatura), como varão e mulher, o valor puro do corpo e do sexo.

O corpo não conhece ruptura interior nem contraposição entre o que é espiritual e o que é sensível. Ao verem-se, homem e mulher não se enxergam apenas com o próprio sentido da vista, mas vêem-se no sentido de que se conhecem interiormente, intimamente. Antes do pecado original, Adão e Eva gozavam de um dom chamado integridade. Por esse dom, os sentidos e os instintos estavam harmoniosamente submissos à razão. A visão do corpo do outro, mesmo de seus órgãos reprodutores, não era capaz de causar excitação, a menos que a vontade consentisse segundo a reta razão. Por isso, não havia necessidade de se cobrir o corpo.

Este olhar interior indica não somente a visão de um corpo, mas de um corpo que revela um mistério pessoal e espiritual.

O corpo após o pecado original

Alguns versículos depois está escrito: “Então, abriram-se os olhos aos dois e, reconhecendo que estavam nus, prenderam folhas de figueira umas às outras e colocaram-mas como se fossem cinturões.” (Gn 3, 7)

O aparecer da vergonha e, em particular, do pudor sexual está relacionado com a perda da plenitude original a respeito do corpo. Se a vergonha traz consigo uma específica limitação do ver através dos olhos do corpo, isso acontece sobretudo porque a intimidade pessoal é como que perturbada e ameaçada pela visão pós pecado original.

A partir dessas duas citações vemos que houve uma mudança radical no significado da nudez da mulher diante do homem e do homem diante da mulher. O texto segue com a pergunta de Deus: “Quem te deu a conhecer que estás nu? Comeste, porventura, algum dos frutos da árvore que te proibi comer?” (Gn 3,11).

A partir deste momento, começa a haver uma profunda distorção seja no modo como o homem vê o corpo feminino, seja na forma em que a mulher se apresenta aos olhos masculinos. Por isso, o Senhor tece-lhes túnicas de pele para se cobrirem.

Dessa forma, podemos ver que esta mudança de significado diz respeito não ao corpo, mas à consciência, como fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. Uma mudança que se refere ao significado do próprio corpo diante do Criador e das criaturas.

O corpo humano, na criação, é, na ordem natural, fonte de fecundidade e de procriação, mas além disso, carrega desde “o princípio” o atributo “esponsal”, isto é, a capacidade de exprimir o amor e, mediante este dom, pratica o sentido do seu ser e existir.

“Nessa altura, aperceberam-se de que o Senhor Deus percorria o jardim pela suavidade do entardecer e o homem e a sua mulher logo se esconderam do Senhor Deus por entre o arvoredo do jardim.” (Gn 3,8)

A necessidade de se esconderem indica que, na experiência da vergonha, surgiu um sentimento de medo diante de Deus. Um medo que não existia antes.

“O Senhor Deus chamou o homem e disse-lhe: “Onde estás ?” Ele respondeu: “Ouvi o ruído dos Teus passos no jardim e, cheio de medo, porque estou nu, escondi-me.” (Gn 3,9-10)

Entra aqui uma tomada de consciência da própria nudez. O homem perde, de alguma maneira, a certeza original da “imagem de Deus” tal como expressa no seu corpo: perde também, em certo modo, o sentido do seu direito a participar da visão divina do mundo e da própria humanidade. Perde então o que lhe dava profunda paz e alegria em viver a verdade e o valor do próprio corpo.

Referências

  • Teologia do Corpo, São João Paulo II
  • Teologia do Corpo para principiantes, Cristopher West
  • Teologia do Corpo, curso do Padre Paulo Ricardo
  • O brilho da castidade, padre Lodi

(via Lírio entre Espinhos)

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