Receba o boletim diário da Aleteia gratuitamente no seu email.
Alimente o seu espírito. Receba grátis os artigos da Aleteia toda manhã.
Inscreva-se

Sem condições de apoiar?

Veja 5 formas de você ajudar a Aleteia

  1. Reze por nossa equipe e pelo êxito de nossa missão
  2. Fale sobre a Aleteia em sua paróquia
  3. Compartilhe os artigos da Aleteia com seus amigos e familiares
  4. Desative o bloqueio de publicidade quando nos visitar
  5. Inscreva-se para receber nosso boletim gratuito e leia-nos diariamente

Obrigado!
Redação da Aleteia

Enviar

Aleteia

Vencendo medos e ansiedades

STRONG
Compartilhar

Não seja mais escravo dos seus medos

Eu conhecia a Kathryn vários anos antes de ela vir conversar comigo. Kathryn parecia ser uma mulher segura e trabalhadora, com uma fé firme. Mesmo sendo tímida, ela visivelmente fazia verdadeiros esforços para manter amizades em nossa igreja e na comunidade.

Quando começamos a conviver mais intimamente, eu me tornei ciente de problemas em sua vida que eu nunca havia suspeitado. Kathryn disse que estava se tornando cada vez mais temerosa e que estava preocupada de talvez estar desenvolvendo agorafobia. Agorafobia é o nome comumente dado a uma maneira de responder à vida que leva à fuga de certas atividades ou situações. Um agorafóbico procura evitar coisas como dirigir, ficar em uma fila, ir às compras ou participar de reuniões ou encontros sociais, e pode até se recusar a sair de casa.

À medida que Kathryn compartilhava sua história comigo, vi o quanto era difícil para ela admitir que estava com medo de fazer compras em um shopping local. A razão para o seu medo? Ela temia que se ela ficasse em um local muito longe de uma porta de saída, isso lhe pudesse causar náuseas e vômitos. O medo de Kathryn havia se tornado uma corda em volta do seu pescoço que se estreitava cada dia mais e a mantinha amarrada cada vez mais perto de sua casa. Kathryn estava experimentando a verdade das palavras de Spurgeon: “Nossos medos infundados são nossos principais algozes”.

Kathryn sabia que o seu medo não era razoável, especialmente porque o que ela temia – vomitar no shopping – nunca havia realmente acontecido. Sua confusão foi agravada pela culpa que sentia por estar causando problemas à sua família e, particularmente, ao seu marido. Ela também acreditava que seus medos irracionais eram pecaminosos, então, ela estava preocupada com a sua salvação e achava que era uma decepção para o Senhor.

O que estava acontecendo na vida de Kathryn? Será que ela tinha algum problema místico bizarro? Será que ela só precisava orar ou ler mais a Bíblia? Será que ela poderia encontrar, na Bíblia, respostas concretas para o seu problema? O que era exatamente essa emoção que parecia governá-la, e de onde vinham esses sentimentos?

Entendendo o Lado Físico do Medo

Vamos analisar o lado físico dessa emoção. Como todas as nossas emoções, o medo é experimentado tanto em nossa mente quanto em nosso corpo, causando reações físicas intensas.

Fisicamente, o medo é uma reação ao perigo percebido. Porque Deus nos amou, ele nos criou com a capacidade de respondermos rapidamente a situações de perigo. Aqui está um exemplo: imagine que você acabou de perceber que o seu carro parou em uma estrada de ferro. Você ouve um apito, levanta a cabeça e vê que um trem está se aproximando. Assim que esses fatos são registrados em seu cérebro, o seu corpo entra automaticamente em intensa atividade. O seu cérebro recebe o aviso de que o perigo é iminente e ordena que o seu corpo libere rapidamente uma série de hormônios, incluindo a adrenalina. Uma vez que esses hormônios são liberados na corrente sanguínea, certas mudanças físicas acontecerão imediatamente. Seus músculos ficarão tensos para prepará-la para a ação. Sua frequência cardíaca e respiração serão aceleradas para lhe fornecer oxigênio e força extra. Mesmo a sua visão e audição se tornarão mais aguçadas. Seu pé, então, apertará o pedal do acelerador até o chão, e você se moverá mais rapidamente do que jamais imaginou ser possível. Todas essas mudanças acontecerão imediatamente, em um instante.

Sempre que nos encontramos confrontadas com o perigo, é fácil percebermos como a graça de Deus se revela até na forma como fomos criadas. Os atributos físicos que ajudam a nos proteger do perigo são verdadeiramente um bom presente, não são?

O projeto de Deus para o nosso corpo é incrível, como o Salmo 139.14 diz: “por modo assombrosamente maravilhoso me formaste”. Deus nos presenteou com essas habilidades físicas para que pudéssemos sobreviver em um mundo, às vezes, perigoso.

Você notou que eu disse que o medo é uma reação a um perigo percebido. Eu propositadamente defini medo dessa forma porque às vezes nossas mentes percebem ou imaginam um perigo que não existe. Todo mundo já experimentou a sensação de acordar de um pesadelo com o coração batendo forte e a respiração acelerada. Nessas ocasiões, o perigo ao qual o nosso corpo está reagindo está inteiramente em nossa mente. Apesar disso, o nosso corpo reage como se tivéssemos enfrentado uma ameaça real. Como você pode ver, nossas mentes afetam os nossos corpos de formas muito poderosas – e Kathryn reconhecia isso.

O medo de Kathryn de que pudesse vomitar no shopping era irracional. Mesmo o seu medo sendo infundado, seu corpo não era capaz de diferenciar entre alarmes falsos e verdadeiros. Ele simplesmente respondia da maneira que era para ele responder. Não importava o fato de o perigo não ser legítimo. Sempre que ia ao shopping, ela tinha medo de experimentar todas as mudanças físicas que ela temia, e o seu medo a fazia sentir-se enjoada e a convencia de que, provavelmente, ela perderia o controle e constrangeria a sim mesma. Entende? Ela, na verdade, tinha medo de ficar com medo.

Não apenas o nosso corpo responde ao medo preparando-nos para evitar ou atacar o perigo; também há momentos em que a nossa química corporal nos influencia de formas mais sutis. Se estamos ocupadas com várias coisas ou se nos acostumamos a viver sob altos níveis de estresse, algumas vezes não notaremos as mudanças acontecerem. Não saberemos o que está se passando em nossos corpos até que algum incidente ocorra e torne isso evidente.

O Círculo Vicioso

O medo não afeta apenas o seu corpo e o seu comportamento, mas o contrário também é verdadeiro. Se você for uma pessoa com uma predisposição a reagir de forma temerosa, você estará mais propensa a experimentar os sintomas físicos do medo se beber muita cafeína, comer muito açúcar, não se exercitar ou não descansar o suficiente.

Se você geralmente se sente estressada com as suas responsabilidades ou temerosa com a sua vida, você não se sentirá confortável relaxando e, provavelmente, não reservará tempo para comer ou exercitar-se adequadamente. A incapacidade de relaxar ou dormir de maneira saudável aumentará a sua sensibilidade ao alarme e ao perigo, fazendo com que mais adrenalina seja liberada em seu corpo, o que, por sua vez, pode trazer ainda mais problemas para dormir. Beber cafeína para superar a sensação de cansaço e lentidão causada pela falta de sono simplesmente agravará o problema.

A partir dessa breve descrição, é possível enxergar a facilidade com que o medo pode iniciar um círculo vicioso de pensamentos descontrolados, respostas físicas, imaginações e cuidados negligenciados com o corpo que podem servir para trazer ainda mais medo e respostas físicas intensificadas. É fácil ver como os resultados do medo podem criar mais medos, levando à escravidão total.

 


(via Alma com Flores)