Receba o boletim diário da Aleteia gratuitamente no seu email.
Receba diretamente no seu email os artigos da Aleteia.
Cadastrar-se

Sem condições de apoiar?

Veja 5 formas de você ajudar a Aleteia

  1. Reze por nossa equipe e pelo êxito de nossa missão
  2. Fale sobre a Aleteia em sua paróquia
  3. Compartilhe os artigos da Aleteia com seus amigos e familiares
  4. Desative o bloqueio de publicidade quando nos visitar
  5. Inscreva-se para receber nosso boletim gratuito e leia-nos diariamente

Obrigado!
Redação da Aleteia

Enviar

Aleteia

Por que usamos roupas? (2)

ADAM EVE
Domaine Public
"Parce que la nature était un témoin de la présence et de l’action de Dieu, l’homme nourrissait à son égard du respect et lui donnait une valeur objective."
Compartilhar

Entenda a concupiscência do corpo e a finalidade das roupas

A concupiscência do corpo

O pudor tem significado duplo: indica ameaça à dignidade e ao mesmo tempo preserva interiormente essa dignidade de si mesmo. O fato de o corpo humano, desde o momento em que nele nasce a concupiscência do corpo, conservar em si também a vergonha, indica que se pode e deve fazer apelo a ele quando se trata de garantir aqueles valores a que a concupiscência tira a sua original e plena dimensão.

A necessidade de esconder-se diante do outro demonstra a carência fundamental de confiança, o que por si indica o desabar da original relação “de comunhão”.

A vergonha, após o pecado original, é uma forma de autodefesa para evitar ser tratado como objeto de uso sexual. O homem, devido à concupiscência do corpo decorrente do pecado original, tende a objetificar os corpos das mulheres. E a mulher tende a gostar de ser tratada como objeto.

A luxúria masculina é frequentemente voltada para a gratificação física à custa da mulher, enquanto que a luxúria feminina é frequentemente voltada para um tipo de gratificação emocional à custa do homem.

O homem é aquele pelo qual a vergonha, unida a concupiscência, se tornará impulso para “dominar a mulher” (ele te dominará), isto é, uma relação de posse do outro à maneira de objeto do próprio desejo.

Se tal impulso prevalece por parte do homem, os instintos que a mulher dirige para ele muitas vezes antecipam este “desejo” do homem, tendendo a despertá-lo e dar-lhe impulso.

O homem, ao ver a primeira mulher, exclama estonteante a sua declaração: “Esta sim!” Mostrando que, apenas ao vê-la, foi capaz de reconhecer nela sua semelhante. Além disso, o ato de ver ou o sentido da visão, está claramente mais ligado ao homem do que à mulher. Ele foi o primeiro a ver. Dessa forma, participa da concupiscência do corpo “desejando” e “olhando para desejar”.

Se pararmos para ler as escrituras, veremos como a tradução sapiencial tinha particular unilateralidade admoestando os homens. Quanto à mulher, aparece mais frequentemente como ocasião de pecado ou mesmo como sedutora da qual é preciso fugir.

Dessa forma, os pecados da pornografia e da masturbação, sem excetuar a mulher, são tipicamente masculinos enquanto que as mulheres tendem mais ao pecado da imodéstia no vestir e aos jogos de sedução.

Nos pecados da pornografia e da masturbação, o homem usa a mulher como objeto para satisfação de sua luxúria. Ele olha o corpo e não enxerga nada além deste. De forma egoísta, busca apenas o prazer.

Na imodéstia no vestir, a mulher procura no homem uma satisfação para sua carência emocional. Então, a mulher mostra o seu corpo, porque sabe intuitivamente que este corpo atiça o sentido mais sensível do homem, que é a visão, e também para conseguir de forma mais rápida os elogios e a atenção que busca.

Além disso, está escrito: “tenderá ao teu marido e ele te dominará”. Dessa forma a mulher com seus jogos de sedução e imodéstia antecipa no homem o seu desejo de dominá-la. A mulher incita, desperta e impulsiona este instinto no homem.

A concupiscência leva a mulher a gostar e querer ser dominada, e, para isso se esvai de sua liberdade pessoal e, tornando-se objeto, busca esse domínio que o homem com a sua concupiscência exerce sobre ela.

Dessa forma, o homem usa o “amor” para obter sexo e a mulher usa o sexo para “se sentir amada”. Mas, ambos presos no pecado, nunca se saciam pois a concupiscência é como um fogo aceso que consome tudo ao redor. Ao invés de se saciar, deseja sempre mais e mais.

A relação entre homem e mulher não atinge mais a comunhão pois não sendo mais livres, tornam-se incapazes de serem dom um para o outro.

O Papa Paulo VI em sua encíclica Humanae Vitae, escreveu: “É ainda de recear que o homem, habituando-se ao uso das práticas anticoncepcionais, acabe por perder o respeito pela mulher e, sem se preocupar mais com o equilíbrio físico e psicológico dela, chegue a considerá-la como simples instrumento de prazer egoísta e não mais como a sua companheira, respeitada e amada.”

E, tamanha desordem do desejo, nomeado como Eros, leva até mesmo ao homem buscar relações com outro homem e mulher com mulher. Justamente porque a concupiscência decai cada vez mais e não se sacia, querendo buscar e encontrar nas situações aquilo que só o Criador é capaz de saciar no homem.

A finalidade das roupas

Entendemos então as inclinações que temos devido ao pecado original. Agora sabemos qual a raiz de muitos comportamentos que temos.

Vimos que, após o pecado original, homem e mulher cobriram-se com folhas de figueira. O motivo já sabemos bem: a visão ficou turva e ambos não eram mais capazes de ver através do corpo. A visão agora parava diante do corpo como diante de um muro, pois esse não era mais um intermediário que apontava para Deus. A força do Eros desordenou-se e o corpo agora buscava a satisfação pessoal, a luxúria.

Precisaram pedir emprestado à natureza o que por si já não podiam oferecer: um aspecto humano, pessoal a seus corpos. As roupas passam a ser, desde esse momento, o complemento necessário de um corpo que perdeu sua transparência natural, que para manifestar a pessoa que contém (e, por conseguinte, sua personalidade) há de ocultar-se em boa parte, desviar de si a atenção, porque senão, o olhar do outro pode pesar sobre ele e não alcançar o especificamente humano, a pessoa, o domínio do espírito. A roupa é o que, depois do pecado, se requer necessariamente para tratar-nos de um modo pessoal; não como animais, mas sim como pessoas.

”O traje revela a pessoa”, disse Hamlet. Acentua nossa dignidade de filhos de Deus. Por isso, uma mulher ou um homem cobrem o seu corpo não porque ele seja mau ou vergonhoso, mas sim porque ele é bom, tão bom, que temem que essa bondade possa ser não reconhecida ou até mesmo violada.

Segundo São João Paulo II, as roupas cobrem o corpo para nos deixar ver os valores da alma. A necessidade espontânea de ocultar os valores sexuais vinculados à pessoa é o caminho natural para revelar o valor da pessoa em si mesma.

O Papa Pio XII acrescenta ainda que o vestir obedece ao familiar requerimento da higiene, da decência e do adorno. A primeira é derivada da natureza física do homem; a segunda da sua natureza espiritual; a terceira da sua natureza psicológica e artística.

Referências

São João Paulo II, Teologia do Corpo

São João Paulo II, Amor e responsabilidade

Padre Antonio Orozco, Defensa del pudor

Padre Paulo Ricardo, Teologia do Corpo e Modéstia

Christopher West, Teologia do corpo para principiantes

Padre Lodi, Castidade

Papa Pio XII, Problemas morais nos estilos da moda

 

(via Lírio entre Espinhos)