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Papa: o amor de Deus é constante, sempre

POPE FRANCIS AUDIENCE
Antoine Mekary | ALETEIA | I.MEDIA
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O amor de Deus é como o amor de uma mãe, que nunca se pode esquecer. E se uma mãe se esquece? "Eu não te esquecerei", diz o Senhor

O Papa Francisco afirmou hoje que a figura de nossos pais pode nos ajudar a entender a paternidade de Deus.

Mesmo que por infelicidade nosso pai terreno tenha se esquecido de nós, e ficamos com ressentimento com ele, não nos é negada a experiência fundamental da fé cristã: a de saber que somos filhos muito amados de Deus, e que não há nada na vida que possa apagar o seu amor apaixonado por nós.

Na Audiência Geral desta quarta-feira – realizada simultaneamente na Sala Paulo VI e na Basílica de São Pedro – o Papa deu continuidade a sua série de catequeses sobre o Pai Nosso.

De acordo com o Papa, entra-se no mistério da paternidade de Deus, através da oração.

Vivemos nossas relações de amor sempre sob o signo de nossos limites e também de nosso egoísmo, motivo pelo qual são frequentemente poluídas por desejos de posse ou manipulação do outro.

Por isso que, quando falamos de Deus como “Pai” pensando na imagem de nossos pais – especialmente se eles nos amaram – “devemos ir  além”.

O Papa observa que do “deus grego do amor”, que “é o mais trágico de todos” – pois não fica claro “se ele é um ser angélico ou um demônio” – pode-se pensar “na natureza ambivalente do amor humano”, “capaz de florescer e viver forte em um momento do dia e imediatamente após, murchar e morrer”.

A expressão do Profeta Oseias:  “Vosso amor é como a nuvem da manhã, como o orvalho que logo se dissipa”, ilustra bem a “congênita fraqueza de nosso amor”.  “Aqui está o que o nosso amor é muitas vezes: uma promessa que se esforça para permanecer, uma tentativa que logo seca e evapora, um pouco como quando o sol sai de manhã e faz desaparecer o orvalho da noite”.

Quantas vezes nós, seres humanos, amamos desta maneira tão fraca e intermitente. Todos temos experiência disso: amamos, mas depois aquele amor acabou ou ficou fraco. Desejosos de querer bem, nos deparamos com nossos limites, com a pobreza de nossas forças: incapazes de manter uma promessa que nos dias de graça parecia fácil de cumprir. No fundo, até mesmo o apóstolo Pedro teve medo e teve que fugir. O apóstolo Pedro não foi fiel ao amor de Jesus. Tem sempre esta fraqueza que nos faz cair.

“Somos mendigos que no caminho correm o risco de nunca encontrar completamente o tesouro que buscam desde o primeiro dia de vida: o amor”.

No entanto, explicou o Papa, “existe um outro amor, aquele do Pai “que está nos céus”. Ninguém deve duvidar de ser destinatário desse amor. Ele nos ama, “me ama”, podemos dizer”.

Ainda que nosso pai e nossa mãe – uma hipótese histórica – não tivessem nos amado, existe um Deus no céu que nos ama como ninguém na terra jamais o fez ou poderia fazê-lo. O amor de Deus é constante, sempre! O profeta Isaías diz: “Pode uma mulher esquecer-se daquele que amamenta de seu filho, não ter ternura pelo fruto de suas entranhas? Mesmo que ela o esquecesse, eu não te esqueceria nunca”. Eis que estás gravada na palma de minhas mãos”. Mesmo que todos os nossos amores terrenos desmoronassem, e não restar nada nas mãos além de pó, existe sempre para todos nós, ardente, o amor único e fiel de Deus.

Francisco recorda que hoje a tatuagem está na moda: “Fiz uma tatuagem de ti em minhas mãos. Eu estou nas mãos de Deus, assim, e não posso tirá-lo. O amor de Deus é como o amor de uma mãe, que nunca se pode esquecer. E se uma mãe se esquece? “Eu não te esquecerei”, diz o Senhor. Este é o amor perfeito de Deus, assim somos amados por Ele.”

Na fome de amor que todos sentimos – disse o Papa – não procuramos algo que não existe:  esse é, ao contrário, o convite para conhecer a Deus que é Pai”, como aconteceu com a conversão de Santo Agostinho.

A expressão “nos céus” – explicou o Papa – “não quer expressar uma distância, mas uma diferença radical de amor, uma outra dimensão de amor, um amor incansável, um amor que permanecerá para sempre, que está ao alcance da mão. Basta dizer “Pai Nosso que está nos céus” e este amor vem!”.

“Portanto – foi a exortação do Papa ao concluir – não tenha medo! Nenhum de nós está sozinho. E mesmo que por infelicidade teu pai terreno tenha se esquecido de ti, e ficaste ressentido com ele, não te é negada a experiência fundamental da fé cristã: a de saber que tu és filho muito amado de Deus, e que não há nada na vida que possa apagar o seu amor apaixonado por ti”.

(Com Vatican News)