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Como é ser pai/mãe na era do Google?

MATKA UZALEŻNIONA OD TELEFONU

Shutterstock

Mathilde de Robien - publicado em 21/02/19

A hiperconectividade mudou o jeito de criar os filhos e é um desafio para os pais

A geração millennial é uma geração hiperconectada nascida nos anos 80 e 90 que agora está descobrindo a alegria da paternidade. Turbinados pelo GAFA (Google, Amazon, Facebook e Apple), eles têm uma abordagem completamente diferente da paternidade do que as gerações anteriores.

Um artigo do New York Times descreve os novos hábitos desses novos pais. O conselho das mães e os chás da vovó são coisas do passado; aplicativos e salas de bate-papo são muito mais rápidos, mais eficientes e mais abrangentes.

Rebecca Parlakian, diretora do programa Zero to Three – uma organização que estuda novos pais há mais de 40 anos – afirmou ao NYT: “O Google é a nova avó, o novo vizinho, a nova babá”.

Exagero? Na verdade não.

A nova avó

Enquanto por séculos as mães foram as primeiras a passar carinhosamente para suas filhas o segredo de preparar uma mamadeira ou dicas essenciais para trocar fraldas, isso não é mais o que acontece.

As mães jovens, pela primeira vez, precisam apenas de alguns toques na tela do smartphone para assistir a um tutorial ou para saber mais sobre as recomendações mais recentes da OMS. Elas confiam nas autoridades que encontram na internet ou nas redes sociais. Rápido, gratuito e eficaz! Os novos pais têm acesso ilimitado a informações que até o maior especialista não pode competir.

Por outro lado, os pais da geração millennial têm que lidar com um fluxo de informações – frequentemente indutoras de ansiedade, às vezes falsas – que acabam aumentando sua taxa de estresse já historicamente alta.

E isso sem contar as comparações que eles não podem deixar de fazer por meio de aplicativos, que avisam até quando é esperado que seu filho ultrapasse um limiar cognitivo significativo. Seu ponto de referência na criação de filhos não é mais sua mãe ou avó, mas o Google e sua turma.

O novo vizinho

No passado, as novas mães compartilhavam suas perguntas e preocupações com seus amigos, vizinhos ou colegas. Agora, não há necessidade de conversar na calçada; a internet está cheia de grupos e fóruns onde elas podem despejar todos os seus problemas pessoais.

Embora não devamos subestimar o lado prático desse novo tipo de comunicação, devemos também prestar atenção às amizades que são tecidas através do encontro. É, sem dúvida, uma pena não aproveitar uma questão de amamentação ou um dilema sobre uma marca de fraldas para cultivar amizades. O Google é obviamente o novo amigo de muitos pais da geração millennial, mas devemos ter cuidado para que ele não se torne o único amigo.

A nova babá

Foi há muito que dávamos uma dúzia de telefonemas para amigos de amigos (com semanas de antecedência) para encontrar uma babá. Uma única mensagem postada em um aplicativo e no mesmo dia você tem várias respostas, e tudo que você precisa fazer agora é escolher o que parece ser o “melhor” entre vários perfis.

Os pais da geração millennial exigem eficiência e perfeição. Então, quando eles leem no currículo de uma potencial babá que ela tem boa formação e boas indicações, eles se sentem seguros.

Além da eficiência e da rapidez buscadas através da hiperconexão, existe um certo ideal de perfeição subjacente a esse novo modo de ser pai e mãe. Queremos o melhor conselho, a melhor informação, a melhor babá.

Com seus algoritmos inteligentes, indiscutíveis e inquestionáveis, a internet é um ponto de referência indispensável para a criação dos filhos. Através desta ferramenta maravilhosa, os pais da geração millennial visam à paternidade perfeita e, consequentemente, à criança perfeita.

A única coisa que resta para a geração mais velha é a chance de avisá-los que na vida real a criança perfeita, assim como a mãe perfeita, não existe.

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