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O aborto tardio na visão de um médico católico

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Anthony J Caruso - publicado em 03/03/19

A maioria das comunidades civilizadas, desde a época de Constantino, considerava o infanticídio um crime

“A vida que professar será para benefício dos doentes e para o meu próprio bem, nunca para prejuízo deles ou com malévolos propósitos. Mesmo instado, não darei droga mortífera nem a aconselharei; também não darei pessário abortivo às mulheres. Guardarei castidade e santidade na minha vida e na minha profissão”.

Estas são palavras que vêm do juramento original de Hipócrates, que os médicos de gerações passadas assumiam no dia em que se formavam. Enquanto a maioria dos estudantes de medicina não recita mais esse juramento, a base dessas palavras é lembrar que somos humanos, com defeitos, e que, como médicos, estamos expostos à confiança sagrada dos pacientes e das comunidades que servimos.

Embora seja expresso de várias maneiras, o objetivo de um médico é promover e preservar a vida e fazer o que pudermos, com a ajuda de Deus, para melhorar a qualidade e a quantidade da vida.

Nos Estados Unidos, há mais de 40 anos, tem sido discutido o direito à vida de crianças não nascidas. Desde as decisões Roe v Wade e Doe v Bolton, que garantiram os direitos ao aborto através das fronteiras estaduais, dois fronts foram erguidos. O objetivo é mudar a legislação e mudar os corações para ver que o que estamos realmente fazendo está afetando as futuras gerações. Com as recentes nomeações conservadoras para a Suprema Corte, há uma chance de que essas leis possam ser finalmente derrubadas.

No entanto, os Estados Unidos são uma federação com 50 governos estaduais. E o que está acontecendo devagar e de forma constante deve dar a alguém de fé motivos para estremecer. Os governos estaduais estão se isolando contra as possíveis decisões da Suprema Corte, ao promulgar leis que permitem o aborto de forma irrestrita.

Vamos, por um momento, pensar sobre quais indicações médicas podem existir para tal procedimento. Se houver uma doença genética letal presente, o bebê provavelmente não sobreviverá à gravidez. Existem serviços de pré-natal e de cuidados paliativos em muitos hospitais, e o parto pode ser realizado quando chegar a hora, sob cuidados médicos.

Se o bebê tiver algum tipo de problema, como hidrocefalia, ou água no cérebro, ou problemas cardíacos, por exemplo, pode-se, no devido tempo, realizar a cesariana e uma equipe neonatal iniciará os tratamentos.

Embora a aprovação das leis que permitem o aborto tardio tenha recebido elogios do setor pró-aborto, esses são procedimentos que não têm uma indicação médica verdadeira.

Há mulheres que não percebem que estão grávidas até atingirem o terceiro trimestre. E suponho que possa haver mulheres que não percebem que estão grávidas até entrarem em trabalho de parto. Essas, obviamente, não são indicações para a interrupção da gravidez, já que, em ambos os casos, os bebês podem continuar vivendo por conta própria após o parto.

O que é assustador é que o governador da Virgínia, um neurologista pediátrico, sugeriu que uma mãe pode optar pela morte do bebê mesmo após o nascimento.

Antropólogos estimam que, entre as comunidades humanas em seus inícios, até 20% dos bebês foram abandonados para morrer, de forma que não pressionassem os estoques de alimentos. Esta prática continuou no Império Romano.

Os primeiros cristãos escreveram contra essa prática. A Didaquê (o Ensinamento dos Doze Apóstolos) declara: “não matarás uma criança por aborto, nem a matarás quando nascer”. A maioria das comunidades civilizadas, desde a época de Constantino, considerava o infanticídio um crime.

Jesus afirmou: “eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância” (João 10, 10). Enquanto eu diariamente procuro seguir a vontade de Deus em minha prática e vida diária, eu não posso acreditar que um Deus abundante e amoroso olhe para o que está acontecendo e fique satisfeito.

Creio que Deus chorou quando Herodes ordenou a matança dos santos inocentes. Como Deus vê isto: mais de 53 milhões de abortos nos Estados Unidos desde 1973? Agora, a legalização do aborto durante toda a gravidez está ocorrendo em todo o país.

Como católicos, como seres humanos, esta é a questão número um para rezarmos e trabalharmos contra. Todo esforço de justiça social brota do direito à vida. Jesus Cristo, tenha misericórdia de nós.

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