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Vanderlei de Lima - publicado em 05/03/19

Se o (a) aluno(a) tem estas noções ao entrar em uma Universidade, de maior ou de menor fama, estará em bom caminho

Há vários anos, especialistas de diversos países vêm denunciando o modelo que reina em nossas universidades: o (a) aluno(a) é treinado para fazer, mas não é ensinado para tentar entender a complexa realidade na qual vivemos. Isso tem, evidentemente, sérias consequências na vida do(a) futuro(a) profissional.

Alguns, como o Pe. Paschoal Rangel, SDN, entendem que esse modelo perverso para o (a) estudante vem de longa data e dá um exemplo interessante: os marxistas, na esquerda, e os nazistas e fascistas, tidos como extrema direita – mas, na realidade, aliados dos comunistas – muito pregaram a ideia de luta, do homem novo, da nova ordem, de transformação do mundo a ser conseguida pela práxis, ação ou engajamento, pouco se interessando pelos princípios: o fim (perpetuar-se no poder) justifica os meios (mentir, roubar, matar etc.), ensinavam e ensinam. Pensar para quê, afinal?

Nesse contexto, Adolf Hiltler adotou entre seus fãs o ódio aos intelectuais, tidos por “mendigos lamentáveis que carregam sua intelectualidade como um escudo na frente de seus corpos trêmulos” (Teologia de jornal. Belo Horizonte: O Lutador, 1996, p. 1). Desejar encontrar o fundamento, a arché, a base da verdade, no plano metafísico (o que está além do físico) era perder um tempo precioso no qual se poderia estar agindo. Por aí, o (a) leitor(a) já pode imaginar o risco que é agir antes e pensar depois…

Daí, dizer Nietzsche que, liberto da metafísica, o ser humano poderia – sem pensar no fundamento (grund) – contemplar melhor a realidade que o cercava. Pobre realidade! Fica-se no superficial, não se chega à essência. Pela Biologia, por exemplo, se entende muita coisa da vida, no entanto, não se responde às perguntas básicas de cada ser humano sadio: “Quem sou eu? De onde vim? Para onde vou? Que sentido tem a vida?”. É essa realidade antimetafísica que os italianos chamaram de “pensiero debole” (pensamento débil, fraco, frouxo) presente em não poucos homens e mulheres de nossos dias, em parte por culpa do sistema universitário, majoritariamente, reinante.

Visa-se muito mais o ter ou o fazer, mas não o ser. Disso brota “essa formação universitária pobre, redutora, pragmática, estandarizada, despersonalizada, alheia aos grandes voos da inteligência e do espírito, onde os profissionais – engenheiros, médicos, analistas de sistema, arquitetos, economistas, administradores, físicos, biólogos, contadores, advogados… – saem cunhados em série, por igual, como os carros numa linha de montagem” (Rafael Llano Cifuentes. Deus e o sentido da vida. Rio de Janeiro: Ed. Própria, 2001, p. 273). Mais: Warren Bennis é citado na mesma obra, para confirmar essa constatação, ao escrever que “a Universidade está preparando uma multidão de especialistas míopes que podem ser magos para ganhar dinheiro, mas que, como pessoas, estão inacabadas. A estes especialistas ensinaram como fazer, mas não aprenderam como ser” (idem, p. 274).

Assomado a esse preconceito à metafísica ou a tudo o que não possa ser medido e quantificado tem-se o cientificismo. Este, por incrível que pareça não é científico, pois a ciência há de estar sempre aberta ao novo, atualizar seus métodos e adaptá-los à realidade a fim de pelo efeito conhecer a causa, e não querer que a imensa realidade caiba dentro de seus métodos ou, ainda, afirmar que “só a ciência experimental – naqueles moldes já bem estabelecidos – responde tudo”.

Aí está o grande erro. Afinal, Karl Popper deixou claro que nunca as ciências empíricas (ou de experiências) foram tão transitórias quanto hoje. Aliás, ele gostava do termo “falsificabilidade”, ou seja, uma teoria ou hipótese pode ser, sempre, excluída como falsa ante uma nova experiência ou novos fatos. Tem-se o exemplo dos cisnes: afirmava-se que “todo cisne era branco” até serem encontrados cisnes pretos e a ciência construída sobre a verificação, segundo a qual todo cisne é branco, foi deixada de lado por ser falsa ou não corresponder à realidade. A ciência – na qual muitos creem de forma incontestável – é passível de mudanças. E tem de ser. Do contrário, não é científica.

Se o (a) aluno(a) tem essas noções ao entrar em uma Universidade, de maior ou de menor fama, estará em bom caminho, pois tentará entender o que depende das Ciências empíricas (experimentos), o que requer a Filosofia (razão) e o que é da Teologia ().

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