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O diabo na Gaviões da Fiel

São Paulo – Escola de samba Gaviões da Fiel no segundo dia de desfile das escolas de samba paulistanas do Grupo Especial (Divulgação/LigaSP)
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Uma blasfêmia e um grande desrespeito aos cristãos e aos não cristãos que primam pela verdadeira harmonia em nosso Brasil

Despertou muitos comentários a cena de ter o diabo derrotado Cristo, Nosso Senhor, no desfile carnavalesco da Escola de Samba Gaviões da Fiel neste ano de 2019. O fato merece nossa atenção.

O grande ponto foi a confusão – certamente propositada – entre Cristo e Santo Antão. Dizem alguns defensores da Gaviões e da retumbante presença do diabo nela que o vencido pelo príncipe das trevas não seria Cristo, mas, sim, Santo Antão. Isso é, no mínimo, além de blasfêmia, um insulto à inteligência humana. E por quê?

A resposta é simples. Basta dizer a uma criança de 8 anos, mentalmente saudável, que há um animalzinho com pelos, cujo banho preferido consiste em passar a língua pelo corpo, mia, gosta de leite, tem vibrissas (“bigode”) etc. e pedir a ela um desenho do bicho. Essa criança, com quase 100% de chances de acerto, muito provavelmente, a seu modo, desenhará um gato. A “lógica especial” – como diria o conhecido parapsicólogo Pe. Oscar Quevedo, SJ –, dos patronos do enredo da Gaviões, porém, é muito diferente.

Sim, para eles um personagem com barba, coroa de espinho, semidespido, de acordo com as clássicas representações do Cristianismo, parece Cristo, mas não é. Seu nome seria Antão, um santo monge que viveu, entre fins do século III e início do IV, nos desertos de Nitria e Escete, no Baixo Egito. Como se vê, era um religioso centenário representado, na velhice, com barbas longas e brancas, trajes simples e uma espécie de báculo na mão esquerda. Suas representações nada têm a ver, portanto, com as de Nosso Senhor por volta dos 33 anos.

Ainda que alguns queiram, até de modo fanatizado, defender a Gaviões contra o suposto “fanatismo” de cristãos “ignorantes” e “intolerantes” – a preferir Deus acima de tudo – dizendo que há de se levar em conta “o contexto” do ocorrido, o coreógrafo Edgar Junior os desacredita e, ainda, confirma a estúpida intenção da Escola. Com efeito, declara ele: “O foco era esse mesmo, era chocar! Acho que a gente alcançou o nosso objetivo, que era mexer com essa polêmica de Jesus e o diabo, com a fé de cada um” (Folha Patoense, 04/03/2019, online). Enfim, uma blasfêmia e um grande desrespeito aos cristãos e aos não cristãos que primam pela verdadeira harmonia em nosso Brasil.

Dito isso, pergunta-se: em que consiste a blasfêmia? – Responde-nos o Catecismo da Igreja Católica, n. 2148, o que segue: “A blasfêmia opõe-se diretamente ao segundo mandamento. Consiste em proferir contra Deus – interior ou exteriormente – palavras de ódio, de censura, de desafio; falar mal de Deus; faltar-Lhe ao respeito nas conversas; abusar do nome d’Ele. São Tiago reprova aqueles ‘que blasfemam o bom nome (de Jesus) que sobre eles foi invocado’ (Tg 2,7). A proibição da blasfêmia estende-se às palavras contra a Igreja de Cristo, contra os santos, contra as coisas sagradas. É também blasfematório recorrer ao nome de Deus para justificar práticas criminosas, reduzir povos à escravidão, torturar ou condenar à morte. O abuso do nome de Deus para cometer um crime provoca a rejeição da religião. A blasfêmia é contrária ao respeito devido a Deus e ao seu santo nome. É, em si mesma, pecado grave” (cf. Código de Direito Canônico, cânon 1369). Rezemos e peçamos que se reze em reparação desse ato sacrílego!

Enfim, nem o diabo – o grande derrotado da História, que, aliás, nunca dá o que promete – ajudou a Escola. Sem ser campeã desde 2003, do 9º lugar, teve ela, agora, de assistir sua maior rival, a Mancha Verde, do Palmeiras, ficar campeã e a Dragões da Real, entusiasta do São Paulo Futebol Clube, ser a vice. Podemos os cristãos, diante de tudo isso, lembrar do grito atribuído a Juliano, o apóstata, a Cristo: “Venceste Galileu!”

Recordemos, a título de finalização, das belas palavras sagradas: “Não tentarás ao Senhor, teu Deus” (Lc 4,12) e “Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre!” (cf. Hb 13,8).

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