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A Quaresma em um Calvário: na Síria, bebês não têm fraldas e a fome se espalha

Pe Ibrahim na Síria
Pro Terra Sancta
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15 de março: no 8º aniversário da guerra, padre doa o que pode: um galão de azeite para cada família pobre da cidade

O pe. Ibrahim Alsabagh é pároco da comunidade latina de Aleppo, na Síria. Entrevistado pelo Vatican News às vésperas do dia 15 de março, quando o país entra em seu nono ano de guerra, o sacerdote franciscano da Custódia da Terra Santa contou sobre esta Quaresma vivida num longo e devastador Calvário:

Fome

“Nesse tempo de preparação para a Páscoa, eu decidi doar um galão de azeite a cada família pobre da cidade (…) Se escapamos dos mísseis que foram lançados, também podemos sobreviver a esses novos mísseis que são a fome e o sofrimento econômico em que vivemos: o Senhor está conosco”.

“Olhando ao nosso redor nesses últimos meses, damos conta que o mercado está completamente parado: não há trabalho e as pessoas começam a passar fome”.

“Alguns anos atrás, entre os projetos de emergência, realizamos a doação de um pacote de alimentos para os pobres. No ano passado, distribuímos mensalmente 3.800 pacotes de alimentos para as famílias, com açúcar, arroz, macarrão, leite em pó, chocolate e um vale para carne e café”.

“As pessoas aqui são pobres. Antigamente, um galão de azeite de boa qualidade era uma coisa mínima para uma família aqui no Oriente Médio. Agora virou um sonho. O preço é quase equivalente ao salário mensal de um operário, 50 euros”.

“Na Síria temos muitos campos de oliveiras, mas a crise continua e fica sempre mais pesada. Temos que encorajar e ajudar quem possui terras e trabalha nela. É por isso que o projeto de oferecer um galão de azeite para cada família pobre em Aleppo também se tornou um apoio e um incentivo para os camponeses”.

“70% da cidade de Aleppo está destruída. Do ponto de vista econômico, as asas da cidade estão quebradas. Era a primeira cidade industrial. Representava 60% da indústria de toda a Síria e agora está reduzida a um pequeno povoado. Tinha 4 milhões e quinhentos mil habitantes; hoje temos apenas um milhão e quinhentos mil. As pessoas foram embora. Algumas pessoas fugiram para outras cidades do país e outras foram para o exterior”.

Via Vatican News

De fraldas a telhados: necessidades de todo tipo

O sacerdote enumera outras urgências do cotidiano. A emergência tem, por exemplo, o rosto de um jovem pai de família, com duas filhas, que foi à paróquia no início do ano e disse ao padre:

“Tenho três trabalhos. Trabalho de dia e de noite, mas tudo o que ganho é insuficiente para cobrir a metade das necessidades alimentares da minha pequena família”.

Uma das carências generalizadas é a falta de fraldas. Outra são os telhados, transformados num perigo constante que literalmente pesa sobre a cabeça das famílias:

“Por causa dos bombardeios e, depois, com a infiltração de água, há o risco de queda. Precisamos retomar os consertos”.

MAYA MERI
Ahmad Al Ahmad I ANADOLU AGENCY

Ajuda também a muçulmanos

“Também ajudamos os nossos irmãos muçulmanos. Tivemos projetos para as famílias pobres de refugiados que escaparam da periferia e chegaram ao centro da cidade. Pessoas que não tinham nada. Depois, promovemos uma iniciativa para 600 crianças; 400 delas foram ajudadas com fraldas e leite. Ajudamos também outras 200, que nasceram com malformações, dando pequenas somas de dinheiro para aliviar os seus sofrimentos”.

Testemunhas da caridade de Cristo

“Vejo que os corações estão realmente abatidos, mas não há Quaresma abençoada por Deus que não tenha a caridade para com o próximo, seja ele quem for, cristão ou não cristão. Falo muito de esperança, caridade, fé; e, juntos, lutamos contra o desespero, apesar de que, no coração dos nossos cristãos, permanece a tentação de emigrar”.

“Confiamos o futuro ao Senhor e continuamos o nosso compromisso diário com as mãos imersas para lavar os pés dos últimos, dos mais pobres da nossa gente, continuando a missão da Igreja e testemunhando a caridade de Jesus Cristo”.