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Uma década de apagões na Venezuela

VENEZUELA

Twitter-Juan Guaido

Agências de Notícias - publicado em 26/03/19

Seguem abaixo os cortes mais importantes ocorridos nos últimos anos

Um apagão mantém a Venezuela paralisada desde a tarde da última quinta-feira. O fornecimento de energia parecia começar a ser restabelecido em zonas de Caracas e outras regiões entre sexta-feira e sábado, mas novos cortes em massa mantêm a população às escuras.

Os apagões são habituais no país petroleiro há uma década. Seguem abaixo os cortes mais importantes ocorridos nos últimos anos:

– 2010-2013 –

Sob o mandato de Hugo Chávez, a Venezuela enfrentou em 2010 uma grave crise energética causada pela seca, que fez cair a níveis críticos o volume de água na represa de Guri, fonte de 70% da eletricidade do país.

O líder socialista, presidente de 1999 até a sua morte, em 2013, havia nacionalizado o setor elétrico em 2007. Criou, então, a Corporação Elétrica Nacional (Corpoelec), que fundiu as companhias regionais responsáveis pela geração e transmissão de energia.

Ante o episódio de 2010, Chávez declarou “emergência elétrica” e aplicou temporariamente um plano de racionamento, mas os episódios continuaram. Um apagão afetou praticamente todo o país em abril de 2011, após a queda de duas das linhas de maior capacidade. O corte durou 15 minutos em Caracas, mas se prolongou por horas em estados como Aragua, Carabobo e Zulia. Um mês depois, outra falha deixou às escuras uma dezena de estados.

Em abril de 2013, quando Nicolás Maduro estava há um mês no poder, houve mais cortes, e, em setembro, outro apagão deixou 70% da Venezuela sem luz por ao menos quatro horas, afetando a capital e 14 estados. Em dezembro do mesmo ano, uma nova falha afetou metade do país.

O governo atribuiu os casos a sabotagens, enquanto especialistas denunciaram a falta de investimentos, manutenção precária e casos multimilionários de corrupção.

– 2014-2016 –

Em março de 2014, dois incêndios no Cerro Ávila, que cerca Caracas, deixaram sem luz setores do centro da capital, e, em junho, um corte de energia afetou por horas vários setores da cidade e cerca de 10 estados.

Novos planos de racionamento foram aplicados em 2016, por cortes que o governo Maduro relacionou a uma nova seca, desta vez provocada pelo fenômeno climático El Niño.

As medidas incluíram a redução da jornada de trabalho do setor público em 40% e afetaram o comércio e hotéis, que foram obrigados a instalar geradores.

Em 19 de outubro de 2016, o prédio do Parlamento ficou sem luz enquanto os deputados discutiam um projeto de lei para o setor elétrico.

– 2017-2019 –

Os apagões aumentaram ao longo de 2017, e, em outubro, uma falha elétrica deixou sem energia por oito horas a cidade de Maracaibo e outras áreas do estado de Zulia, uma das regiões mais castigadas pelos apagões. Durante o período do Natal também foram registradas falhas em várias regiões.

Em 2 de janeiro de 2018, setores de cinco estados e da capital ficaram sem energia por horas, o que se somou a racionamentos permanentes de água.

Os cortes voltaram a acontecer em fevereiro, quando seis recém-nascidos que respiravam com a ajuda de aparelhos morreram após um corte de luz em um hospital do sudeste do país.

No fim de agosto, outros dois cortes de grande alcance em um intervalo de menos de 24 horas foram registrados em Caracas e nos estados vizinhos de Miranda e Vargas. Em Zulia, alguns setores ficaram sem fornecimento de energia por até quatro dias.

Em outubro, um apagão de mais de 24 horas voltou a se repetir em boa parte do país. No mês seguinte, os cortes chegaram à ilha turística de Margarita (norte).

O ano de 2019 começou com um apagão prolongado em um dos maiores hospitais do país, que levou à remoção de mais de 100 pessoas e, segundo fontes, deixou dois mortos.

Em 7 de março, contudo, foi registrado o pior apagão, que paralisou a Venezuela durante uma semana, com denúncia de mais de uma dezena de mortos em hospitais.

Com o apagão ainda na memória, em 25 de março pelo menos 15 estados e Caracas voltaram a ficar no escuro.

(AFP)

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