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Religião

Ninguém pode ficar indiferente perante o sofrimento dos refugiados e migrantes forçados

PAPIEŻ FRANCISZEK W MAROKO

ALBERTO PIZZOLI/AFP/East News

Vatican News - publicado em 31/03/19

Papa Francisco visita sede da Caritas no Marrocos

No último compromisso deste sábado (30), em Rabat, no Marrocos, o Papa Francisco visitou a sede da Caritas diocesana para encontrar um grupo de migrantes.

No local, além da saudação pública do arcebispo de Tangeri, Dom Agrelo Martinez, o Pontífice ouviu o testemunho de dois migrantes: uma estudante africana de Microbiologia, proveniente da Nigéria, e outro europeu, da França, diplomado em Desenho Industrial.

O Pontífice começou o discurso se dirigindo aos presentes como “queridos amigos” e agradecendo o empenho da Igreja ao serviço dos migrantes, que sofrem com “uma ferida, grande e grave, que continua a afligir o início deste séc. XXI”.

Improvisando, o Papa também fez um agradecimento especial às crianças, que se apresentaram com uma dança e trajes típicos, porque elas “são a esperança e é por elas que devemos lutar”. “Uma ferida que brada ao céu; não queremos que a indiferença e o silêncio sejam a nossa resposta (cf. Ex 3, 7). E, mais ainda, quando se constata que são muitos milhões os refugiados e outros migrantes forçados que pedem a proteção internacional, sem contar as vítimas do tráfico e das novas formas de escravidão nas mãos de organizações criminosas. Ninguém pode ficar indiferente perante este sofrimento.”

O Papa, então, citou o Pacto Mundial para Migração Segura, Ordenada e Regular, ratificado meses atrás, no Marrocos, que desafia todos a responder ao chamado atual das migrações contemporâneas. O Pontífice reafirmou a importância dos quatro verbos – acolher, proteger, promover e integrar – que formam um quadro de referência para dar dignidade, vida segura e solidária aos migrantes.

Não basta se limitar “a ações de assistência ao migrante. Isto é essencial, mas insuficiente. É preciso que vocês, migrantes, sintam-se os primeiros protagonistas e gestores em todo este processo”.

O Papa começou descrevendo o verbo “acolher”, que significa dar a migrantes e refugiados entrada segura e legal nos países de destino. O próprio Pacto Mundial prevê a ampliação dos canais regulares de migração, num esforço para barrar quem se aproveita “dos sonhos e carências dos migrantes”.

“Enquanto este serviço não for plenamente implementado, deve-se enfrentar a premente realidade dos fluxos irregulares com justiça, solidariedade e misericórdia. As formas de expulsão coletiva, que não permitem uma gestão correta dos casos particulares, não devem ser aceitados; ao passo que os percursos extraordinários de regularização, sobretudo nos casos de famílias e menores, se devem incentivar e simplificar.”

Já o verbo “proteger”, acrescentou o Pontífice, é para assegurar os direitos dos migrantes, independentemente da sua situação migratória, sobretudo no que tange à violência, exploração e abusos de todo o gênero. “Aqui, julgo necessário também prestar uma atenção particular aos migrantes em situação de grande vulnerabilidade, aos numerosos menores não acompanhados e às mulheres. Essencial é poder garantir a todos uma assistência médica, psicológica e social capaz de devolver dignidade a quem a perdeu ao longo do caminho, como fazem dedicadamente os operadores desta estrutura onde nos encontramos.”

Ao tratar do verbo “promover”, o Pontífice afirmou que começa “pelo reconhecimento de que ninguém é um descarte humano, mas é portador de uma riqueza pessoal, cultural e profissional que pode trazer muito valor ao local onde está”. “A aprendizagem da língua local, enquanto veículo essencial de comunicação intercultural, há de ser vivamente encorajada, bem como toda a forma positiva de responsabilização dos migrantes face à sociedade que os acolhe, aprendendo a respeitar as pessoas e os laços sociais, as leis e a cultura, prestando assim uma contribuição mais intensa para o desenvolvimento humano integral de todos.”

O Papa, então, falou da importância da promoção humana dos migrantes inclusive nas comunidades de origem “onde, juntamente com o direito de emigrar, se deve garantir também o de não ser forçado a emigrar”, mas de encontrar na pátria condições que permitam uma vida digna.

Ao tratar do verbo “integrar”, o Papa enalteceu o empenho de valorizar tanto a cultura da comunidade que acolhe como dos próprios migrantes para a construção de uma “sociedade intercultural e aberta”, “acolhedora, plural e solícita”, num percurso que deve ser percorrido entre os migrantes e residentes, como “autênticos companheiros de viagem”. “Sabemos que não é nada fácil entrar numa cultura que nos é estranha – tanto para quem chega como para quem acolhe –, nos colocar no lugar de pessoas tão diferentes de nós, entender os seus pensamentos e as suas experiências. Por isso, muitas vezes renunciamos ao encontro com o outro e erguemos barreiras para nos defender (cf. Homilia no Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, 14 de janeiro de 2018).”

O Papa então garantiu que a Igreja está se esforçando para fazer esse caminho com os migrantes, pois conhece as angústias e sofre junto. O agradecimento também foi a todas as associações no mundo que estão a serviço dos migrantes e refugiados, afinal, “para o cristão, «não se trata apenas de migrantes», mas é o próprio Cristo que bate à nossa porta”.

“O Senhor, que durante a sua vida terrena viveu na própria carne a angústia do exílio, abençoe cada um de vocês, dê a força necessária para não desanimarem e para serem, uns para os outros, «porto seguro» de acolhimento.”

(Vatican News)

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