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Religião

O método de fecundação “GIFT”

PROBLEM Z NIEPŁODNOŚCIĄ

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Vanderlei de Lima - publicado em 31/03/19

A Igreja não se pronunciou, oficialmente, sobre essa técnica

O método de fecundação artificial GIFT merece ser estudado. A sigla significa, em inglês, Gametes intra falloppian transfer (Transferência de gametas para as trompas de falópio) e consiste em transportar gametas masculinos (espermatozoides) e femininos (óvulos) para dentro das trompas de falópio, ambiente natural da fecundação.

Devemos dizer que ele se realiza do seguinte modo: após o ato sexual normal entre o esposo e a esposa, o espermatozoide é coletado e levado a uma clínica específica para onde vai também, é claro, o casal.

Ali, são selecionados os espermatozoides mais fortes e dinâmicos enquanto a mulher é conduzida a uma sala cirúrgica escura (a luz poderia prejudicar os óvulos) a fim de que sejam – por meio de uma incisão na barriga – colhidos os óvulos por um laparoscópio. Uma mini câmera monitora e transmite imagens do interior do ventre da mulher até que se encontre um folículo parecido com uma ameixa madura.

Nele está o líquido folicular a ser retirado por uma agulha especial e colocado, rapidamente, em um microscópio para ver se contém um óvulo maduro em 4º grau ao menos. Sim, pois o organismo feminino, geralmente, só fornece um, mas dados os estimulantes que a mulher tomou devem ter ao menos quatro aproveitáveis (nem muito maduros, nem imaturos) a fim de serem selecionados.

Isso feito, são colocados, por aspiração, em um pequeno tubo, um pouco do líquido folicular, dois óvulos, uma bolha de ar – a fim de impedir logo o contato dos gametas masculinos e femininos que poderiam se dar no próprio tubo ou dentro do organismo, mas fora de lugar (gravidez ectópica) – e os espermatozoides selecionados. O conteúdo do tubo é, então, derramado dentro das trompas da mulher, que aparecem nas câmeras como manchas vermelhas. Isso feito, é só aguardar.

Dez dias depois, o médico já percebe se tudo correu bem. Via de regra, nos casos de esterilidade sem causa averiguada, tem-se de 30 a 40% de resultados positivos, mas é comum a ocorrência de partos de gêmeos ou até de trigêmeos, dado que mais de um óvulo pode ser fecundado e chegar a bom termo. A primeira criança nascida por meio desse método, em 2 de janeiro de 1987, é a italiana Nicoletta (nome em homenagem ao médico Dr. Nicola Garcea, do Hospital Gemelli, de Roma).

Exposto, em termos genéricos, o método GIFT, resta conhecer a sua avaliação no plano moral. Ora, a Igreja não se pronunciou, oficialmente, sobre essa técnica. Diz apenas, em linhas gerais, mas muito claras, que “a inseminação artificial homóloga, dentro do matrimônio, não pode ser admitida, exceto no caso em que o meio técnico não substitua o ato conjugal, mas se torne apenas facilitação e auxílio para que aquele atinja a sua finalidade natural” (Instrução Donum Vitae, 22/02/1987, n. 6).

Os especialistas em Teologia Moral têm feito, então, a partir dessa norma geral, as seguintes ponderações, em favor do uso do método GIFT: 1) a coleta dos gametas masculinos se vale de espermatozoides ejaculados durante a cópula entre o casal desejoso de ter filhos; 2) a fecundação dos óvulos – quando ocorre – se dá no desdobramento do ato sexual natural entre o marido e a esposa e é apenas auxiliado pela reta técnica e 3) a fecundação ocorre dentro do organismo feminino onde normalmente tem seu lugar, segundo as leis da natureza. Desse modo, parece que o método GIFT é sério, respeitoso e apenas ajuda (sem substituir) na geração de uma nova vida.

Em contrário, levantam-se duas oposições: 1) extrair os gametas, masculino e feminino do organismo do homem e da mulher não violaria as leis da natureza? 2) O número de abortos espontâneos provocados pela técnica não é algo também contrário à moral católica? – São questões abertas, mas que os teólogos têm oferecido respostas. Sim, quanto à primeira veem eles que é uma forma de ajudar o organismo e não de ferir a natureza. Quanto à segunda afirmam que a perda de embriões não difere das que, naturalmente, ocorrem nas fecundações normais, mesmo que outros moralistas julguem ser bem maior na GIFT.

O método, contudo, está em uso, há mais de trinta anos, pelas razões atrás expostas e a Igreja até o momento não se pronunciou contra. Parece, portanto, lícito.

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