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Pe. Reginaldo Manzotti: pedir perdão em pensamento não basta

Jérémie Lusseau / Hans Lucas via AFP
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Sacerdote lembra que “a confissão não só perdoa os pecados, mas dá força para evitá-los”

Nós estamos em um tempo propício para a confissão, um dos Sacramentos de
cura. Não estou falando de uma confissão direta com Deus, porque esse tipo
de confissão, para nós católicos, é insuficiente. Estou falando da confissão
sacramental que passa pelos ouvidos do padre, o Sacramento da Penitência e
da Reconciliação.

Mas quem inventou a confissão? Está no Evangelho segundo João: “Àqueles a
quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados, e àqueles a quem os
retiverdes, ser-lhes-ão retidos" (Jo 21, 21 – 23). Ou seja, o próprio Jesus Cristo instituiu o sacramento da confissão.

Jesus Cristo, o médico dos médicos, curou e perdoou os pecados e quis que
Igreja continuasse pela força do Espírito Santo a sua obra da cura e salvação.
E como podemos realizar isso? Através da confissão.

Para explicar os benefícios deste sacramento usarei as palavras de Pio XII: “A
confissão não só perdoa os pecados, mas dá força para evitá-los”. Ainda
segundo Pio XII, são seis os resultados da confissão: autoconhecimento,
humildade, pureza de coração, força de vontade, direção espiritual e aumento
da graça

De confissão em confissão crescemos na graça de Deus, mas o
arrependimento precisa ser verdadeiro. Deus perdoa, mas sem isso o perdão
vai e volta, porque não tem aderência. Quando uma pessoa está realmente
arrependida ela se torna maleável, fácil de ser esculpida como uma pedra
sabão.

Outro ponto importante: a confissão precisa ser de forma clara e concisa para
que seu confessor entenda imediatamente. Pedir perdão em pensamento não
basta. Se o padre te conhece e o seu pecado te trouxer constrangimentos,
procure outro sacerdote, mas não deixe de confessar. Lembrando que a
confissão é o exercício da humildade.

De qualquer forma, se um pároco contar algo escutado no ato da confissão ou
agir pelo que ouviu pode ser excomungado. Uma vez, antes da missa, uma pessoa me confessou algo relativo com o tema da homília daquele dia, que já
estava preparada. Eu não podia mais fazer aquele sermão, porque eu podia
deixar entender ao penitente que estava levando ao público o seu pecado. Tive
que mudar, e a homilia ficou até sem pé nem cabeça.

Um dos princípios para uma boa confissão é não querer continuar no pecado.
Mas por que pecamos? Porque temos o livre arbítrio. A liberdade de dizer o
que queremos e de fazer o que queremos nos permite realizar atos contrários
ao Criador.

Segundo São João, há pecados que levam à morte (I João 5,16), mas para
isso existe uma combinação de fatores a se considerar: é preciso que a pessoa
tenha pleno conhecimento de que aquilo que está fazendo é pecado. Outro
exemplo é quando há consentimento, ou seja, a pessoa tem tempo de refletir,
escolher e mesmo assim comete aquela infração. Outro fato é ter liberdade
plena, sem condicionamentos, nem frustrações e mesmo assim pecar.
Disto resultou a opinião de Santo Agostinho que disse que é muito difícil
cometer pecado mortal, mas não é impossível. Quem morre em pecado grave
sem arrependimento, tem a morte eterna.

É tempo de confissão, é tempo de conversão.

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