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Furtos de relíquias: o que está por trás desses atos?

Coroa de Espinhos - Paris
CC - Wikimedia Commons
Esta relíquia é apresentada como a Coroa de Espinhos que os soldados puseram sobre a cabeça de Jesus durante a Sua Paixão. Ela está guardada na Catedral de Notre-Dame em Paris, na França.
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Geralmente o alvo dos criminosos não é a relíquia, mas o relicário

Nos últimos anos, muito se tem ouvido falar sobre ataques e furtos a igrejas católicas e, em alguns desses casos, algo de grande valor para a comunidade também acaba sendo levado: relíquias de santos.

No Brasil, ocorrências de furtos de relíquias já foram registradas em diferentes igrejas e também em conventos, chegando a alcançar repercussão na mídia. Um desses casos ocorreu em 2010, no Santuário de São Judas Tadeu, em São José do Rio Preto (SP), e foi motivo de grande tristeza para os fiéis.

“A relíquia é um importante sinal; referência do testemunho do Santo, no nosso caso São Judas Tadeu. Ela é importante, também, por aproximar os fiéis, estimulando as peregrinações, momentos de oração, etc.”, indicou à ACIDigital o pároco e reitor, Pe. Luiz Caputo, para quem o interesse no roubo se deu por acreditar que o relicário fosse de ouro, quando na verdade, o real “valor ali ‘concentrado’ era o afetivo/religioso”.

Por sua vez, o especialista em arqueologia sacra, perito em relíquias da Arquidiocese de São Paulo e curador adjunto da Regalis Lipsanotheca, Fábio Tucci Farah, observou que os furtos de relíquias “são iniciativas isoladas de pessoas interessadas, geralmente, em lucrar algo. Mas todos são sacrilégios, atentados ao sagrado”.

No caso do Santuário de São Judas Tadeu, Pe. Caputo contou que, desde a elevação da Paróquia a Santuário, priorizou-se o acesso dos fiéis à relíquia, um fragmento ósseo do santo apóstolo, a qual ficava exposta em um relicário, colocado em uma urna de madeira.

Porém, em uma tarde, foram alertados de que a relíquia não estava no local e que a porta de urna estava aberta. Diante do roubo, recordou, “programamos uma Missa em Desagravo. Demos os encaminhamentos legais e fizemos ampla divulgação nos meios de comunicação. Durante a Celebração Eucarística, uma pessoa não identificada entrou no Santuário e entregou o relicário para um fiel. Na sequência, o ‘entregador’ saiu do local”.

Segundo o reitor, “o relicário estava todo raspado; como se a pessoa tivesse tentado tirar a camada que, no entendimento dela, era de ouro”.

Após esse episódio, “foram feitos reforços na estrutura da urna. A mesma deixou de ser de madeira e passou a ser de metal, com vidros reforçados. A estrutura foi fixada de forma mais segura. Câmeras foram instaladas posteriormente e os funcionários foram sensibilizados a uma maior atenção ao espaço”.

Nesse sentido, Pe. Caputo assegurou que “é importante garantir a segurança, mas nenhuma ação pode impedir o acesso dos fiéis à relíquia. Ela precisa ser colocada de forma a permitir a oração pessoal e a vivência de momentos comunitários”.

Outra ocorrência aconteceu em 2015, quando foram furtadas relíquias de São Francisco de Assis e Santa Clara do Mosteiro Monte Alverne, das religiosas clarissas, em Uberlândia (MG).

Em declarações à ACI Digital, Irmã Maria Elisabete recordou que o caso “foi muito triste” para a congregação, pois eram “relíquias dos nossos pais fundadores”, “eram muito significativas para nós, relíquias devocionais”. Tratava-se de “um pedacinho do osso de São Francisco e um pedacinho do cabelo de Santa Clara, de quando ela se consagrou”, os quais estavam guardados em um armário da sacristia. “Nunca mais tivemos notícias”, lamentou.

O que motiva tais furtos e como prevenir?

O perito em relíquias da Arquidiocese de São Paulo, Fábio Farah, declarou que tem “acompanhado com preocupação o crescente furto de valiosas relíquias da Igreja. É um fenômeno internacional”, assinalou, recordando, por exemplo, o episódio em que um imigrante albanês furou o braço de São Policarpo de Esmirna, em 2013, no Mosteiro de Panagia Ambelakiotissa. O ladrão e seus comparsas chegaram a ser presos, mas a relíquia jamais foi encontrada.

“Provavelmente, a relíquia foi comprada por um colecionador”, disse, ao indicar “a avidez de colecionadores privados” como um dos motivadores desses furtos, além de ocorrências em que “as relíquias são simplesmente oferecidas no mercado negro, como as artes sacras, em geral”.

Recordou também outros casos internacionais recentes, como, em 2017, “o furto de relíquias do sangue de São João Paulo II e de fragmentos ósseos do beato Jerzy Popielusko, custodiadas no altar-mor do santuário de Monte Castello, e de um relicário com pedaços do cérebro de São João Bosco”.

Assinalou ainda que, em alguns casos, “o alvo dos criminosos não é a relíquia, mas o relicário”. “É o caso, já solucionado, do furto do cérebro de São João Bosco. O criminoso acreditava que o relicário fosse de ouro maciço”. “Nesses casos – lamentou –, os criminosos não se preocupariam em descartar as relíquias como algo desprovido de valor”.

Quanto ao Brasil, Farah assinalou que, “felizmente”, há muitas relíquias nas igrejas. Contudo, a maioria permanece guardada e muitas vezes não é do conhecimento dos fiéis. Nesse sentido, alertou que, “quando um tesouro desconhecido é furtado, ninguém sente sua falta”.

“Muitos desses furtos trazem à tona um grave problema em nossas paróquias, um problema pior do que a segurança precária: os fiéis já haviam perdido algo antes mesmo que o crime acontecesse”, advertiu.

Desse modo, disse, “aos sacerdotes que custodiam relíquias, costumo recordar a Parábola da Luz do Mundo”, a qual afirma que não “se acende uma luz para colocá-la debaixo do alqueire, mas sim para colocá-la sobre o candeeiro”. Enfim, “a primeira orientação é uma catequese das relíquias. Os fiéis precisam conhecer – e aprender a amar – esses tesouros da Igreja”.

Finalmente, “após observar normas básicas de segurança, o passo seguinte deve ser dado sem hesitação: arrancar as relíquias dos armários e espalhá-las pela igreja. Como vitrais sobrenaturais, elas inundarão o templo de luz celestial”, concluiu.

(ACI Digital)

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