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Padre Cícero: da suspensão do exercício do sacerdócio até a revisão do Papa Bento

Pe Cicero
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O pe. Gabriel Vila Verde resume a trajetória de um dos sacerdotes mais incompreendidos e ao mesmo tempo mais venerados do Brasil

Sacerdote muito estimado e reconhecido nas redes sociais pela defesa da autenticidade da doutrina católica diante das deturpações que a desfiguram, o pe. Gabriel Vila Verde compartilhou em sua página no Facebook a seguinte exposição sobre o Padre Cícero:

Me pediram que falasse um pouco a respeito do Padre Cícero. É impossível resumir a vida deste sacerdote em uma postagem de Facebook, mas vou tentar, para matar a curiosidade de quem perguntou. Pois bem!

Padre Cícero foi ordenado em Fortaleza, e veio exercer seu ministério no interior do estado. Um dia foi convidado pelos moradores do povoado de Tabuleiro (hoje Juazeiro), para celebrar a Missa de Natal. Ao deitar numa rede para descansar, teve um sonho, onde Jesus celebrava a última ceia com os Apóstolos, e de repente uma multidão de famintos entra na sala onde Jesus estava. O Senhor aponta para os pobres e diz: “E você, Cícero, tome conta deles!”.

Padre Cícero toma a decisão de morar no povoado. Ali, começou um trabalho de evangelização, acabando com a cachaçada e os sambas, levando os moradores a ingressarem na Irmandade do Coração de Jesus.

Numa sexta feira da Quaresma, ao dar a Sagrada Comunhão para algumas beatas, uma delas, Maria de Araújo, pobre, negra e analfabeta, percebe que a hóstia se transformou em sangue na sua boca. A notícia se espalha pelo Cariri, e começam as romarias para ver o “milagre”. Até então, tudo bem. Só que um padre da época, da cidade do Crato, organizou uma romaria com três mil pessoas, e celebrou uma Missa no Juazeiro dizendo que Jesus derramou novamente o seu sangue para redimir o mundo. Palavras mal colocadas, cheirando à heresia. Começa o calvário de Padre Cícero!

O Bispo, Dom Joaquim, não gostou da notícia. Mandou que uma comissão fosse averiguar o fenômeno. O parecer da comissão foi: “não há explicação científica para o fato”. Dom Joaquim não se deu por satisfeito e criou outra comissão.

Quando o padre da segunda comissão deu a Eucaristia à beata, a hóstia não se transformou. Maria de Araújo foi obrigada a ficar com a boca aberta por longo tempo, mas nada aconteceu. Por fim, ela disse: “Jesus manda dizer que o milagre não aconteceu, porque o Padre da comissão não está em estado de graça”. Aquilo foi o fim da picada. Recebeu bolos de palmatória e foi trancada num convento.

Padre Cícero foi obrigado a subir no púlpito e negar toda a história. Obediente, fez o que o Bispo tinha pedido e nunca mais tocou no assunto. Porém, os romeiros não pararam de ir ao Juazeiro à procura do Padre. Eram procissões contínuas que adentravam àquele novo “santuário”.

Dom Joaquim, incentivado por um bispo amigo com quem trocava correspondência, quis por fim na história de Juazeiro e suspendeu o Padre Cícero, ficando ele impossibilitado de celebrar qualquer Sacramento. E além do mais, nenhuma criança poderia ser batizada com o nome de Cícero. Se alguém carregasse uma medalha do Padre Cícero no pescoço, não poderia ser atendido em Confissão.

Padre Cícero vai até Roma, onde pede ao Papa Leão XIII que lhe absolva. Pedido aceito, volta ele para casa, sendo recebido com festa.

No Juazeiro, morava um rapaz de nome Floro Bartolomeu, baiano, que tinha muita liderança política. Conquistou a amizade do Padre Cícero para ter prestígio no povoado. Ele foi o responsável por toda as revoluções da época, chegando a organizar um batalhão de soldados para transformar Juazeiro em município. O mesmo Floro convidou Lampião para visitar Juazeiro e ajudar na empreitada. Só que, por ironia do destino, todas essas polêmicas caíam sobre o Padre Cícero, que era visto como um desordeiro.

Mais uma vez, o padre é suspenso de ordem. Sem poder celebrar Missas, ficava na janela de sua casa, dando conselhos aos romeiros, ensinando a rezar o Rosário e promovendo a paz. Morreu fiel à Igreja, usando sua batina, obediente ao Bispo e amigo de todos. O Papa Bento XVI pediu que sua história fosse revista, e deu à Matriz de Juazeiro o título de Basílica Menor. Quem quiser saber mais, leia os seguintes livros:

Padre Cícero. Poder, fé e guerra no sertão (Lira Neto)
O Padre Cícero que eu conheci (Maria Amália Xavier)
Milagre em Joaseiro (Ralph Della Cava)
Padre Cícero – santo do povo, santo da Igreja (Anette Dumoulin)

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Padre Gabriel Vila Verde, via Facebook

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