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Jovens também sofrem com a solidão

ASHAMED
Shutterstock
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Um alerta aos pais: é na época do vestibular ou no início da faculdade que este sentimento costuma aparecer

O tão aguardado resultado no vestibular saiu: seu nome constava como 10º colocado na lista de aprovados do tão sonhado – e disputado – curso de Medicina. Considerado um verdadeiro prodígio pela família – afinal, era um garoto de apenas 18 anos –, ele tinha conseguido aquilo que pode ser considerado o primeiro grande feito na vida.

Dias depois, outra lista, e olha lá seu nome novamente. Agora seria necessário decidir: optar pela universidade com ideais mais humanistas, porém há 300 km da casa da família, ou manter a matrícula naquela que é considerada uma referência em toda América Latina e que, convenientemente, fica na cidade onde sempre morou.

Inicia-se aí um duelo entre a razão e a emoção. O jovem pondera, conversa com os professores, procura pelo orientador vocacional, ouve todos os conselhos dos avós, tios, padrinhos e, com muita insegurança, faz sua decisão: muda-se de cidade em busca dos sonhos de se tornar Doutor.

Ciente de toda indecisão do filho, a mãe permaneceu apreensiva mesmo depois da escolha. E, como o ditado diz “coração de mãe não se engana”, em menos de um mês o filho estava de volta com todas as malas e um item extra – e muito pesado – em sua “bagagem”: a depressão.

Através dessa história descobri que algumas faculdades (não sei se todas ou apenas as que contam com cursos na área da saúde) hoje em dia contam com psicólogos e psiquiatras à disposição dos alunos para ajudar nos primeiros anos da vivência acadêmica, e foi isso que ajudou esse jovem a buscar um tratamento para a doença e voltar para casa mesmo com todo o julgamento que sofreria por estar abandonando um curso tão concorrido.

Esse fato me causa surpresa porque na época em que fiz universidade, isso há mais de 20 anos, nunca soube de nenhum colega que tenha enfrentado a depressão e, até hoje, parece que essa doença é algo que nunca acometeria qualquer um que estudasse ali naquele ambiente marcado por jovens obstinados, sonhadores e que compartilhavam experiências o tempo todo.

Mas sou perfeitamente capaz de entender o que aconteceu a esse jovem que agora estuda Medicina em sua terra natal. Hoje sei que quando a solidão chega, outras coisas perdem a graça, e não é sempre que conseguimos extirpar esse sentimento tão dominador.

Para um calouro que está com saudades de casa, não interessa se os veteranos convidaram para uma festa de boas-vindas ou se a aula inaugural será dada pelo professor recém-chegado de uma temporada em Harvard. Seu único desejo é que chegue logo o próximo feriado para que ele possa novamente desfrutar do conforto de seu lar e de coisas simples como as brincadeiras com o cachorrinho da família, o bolo quente servido pela avó no final do dia e a disputa de videogame com o vizinho.

Sentir falta do acolhimento da família pode ser sim a causa de sentimentos como solidão e tristeza, mas o cerne do problema pode estar na maneira como o jovem se relaciona com outros indivíduos. Ele pode até estar cercado de pessoas, mas isso não quer dizer que ele tenha fortes laços de amizade ou se sente emocionalmente conectado a alguém. 

Uma outra característica presente nas relações pessoais dos jovens hoje e que contribuí para a sensação de isolamento social é a constante comunicação via mídias sociais. Muitas vezes superficial, esse tipo de interação se caracteriza pelo excesso de exposição de muitos usuários, o que cria uma falsa sensação de intimidade.

Mas como ajudar ou até mesmo identificar que um jovem sofre em silêncio? E se esse sentimento evoluir para uma angústia profunda, uma depressão? 

Essas eram algumas das dúvidas que tiraram o sono da mãe do jovem estudante de medicina e que certamente preocupam milhares de outras mães.

Na época, aquela mãe compartilhou o problema comigo e constantemente relatava que, mesmo de longe, percebia que algo estava errado, mas que permanecia atenta a todos os sinais do filho. Quando então ele verbalizou que não se sentia enturmado e nem mesmo tinha entusiasmo pela vida universitária naquele campus, ela não forçou a barra e continuou oferecendo apoio incondicional. 

Ela tinha consciência de suas limitações, sabia que não estava ao seu alcance moldar um mundo ideal para o filho, e que a única coisa que lhe cabia era seguir ao lado do filho indicando caminhos e oferecendo suporte emocional.

Além de contar com a ajuda da mãe, o jovem passou por inúmeros encontros com psicólogos do centro de apoio da universidade, até que em determinado momento sentiu que não tinha mais forças para seguir adiante e, contrariando toda a família, admitiu que iria desistir da faculdade.

O tempo todo a mãe se manteve firme no apoio às decisões do filho, e só interviu de fato no momento em que ele voltou para casa. Naquela hora ela fez uma única exigência: que ele iniciasse sessões com um terapeuta profissional. Ela tinha clareza de que o jovem tinha à frente uma batalha ainda mais difícil: a solidão passara a dividir espaço com a sensação de derrota. Felizmente, meses depois eles puderam comemorar juntos, pois, o jovem saíra vitorioso.

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